Paciente com 13 anos e 11 meses com história pessoal de cisto tiroglossal operado aos 2 anos de idade, obesidade em estudo, que se manifestou desde 2 meses antes da admissão: astenia, dor de cabeça, anorexia, epistaxe frequente e taquicardia após exercício físico. O exame revelou palidez cutânea e mucosa, linfadenopatia laterocervical e submandibular, esplenomegalia medindo 6 cm e hepatomegalia medindo 2 cm. Foram solicitados vários exames complementares, incluindo os seguintes: Ht: 28,3%; Hb: 7,2 g/dl; leucócitos: 235.600 mm3 (L 83,8%, M 1,1%, N 2%, E 0,1%, B 7,9%); plaquetas: 24.000 mm3; ESR: 70 mm/h; LDH: 1.686 U/l; ácido úrico: 8,3 mg/dl; ferritina: 151 ng/dl. Tendo em conta a evolução clínica e analítica do paciente, suspeitou-se de um processo neoplásico hematológico e realizou-se um aspirado de medula óssea no qual foram observados 97% de explosões, com infiltração de elementos da medula. Após a conclusão dos estudos citogenéticos, moleculares, serológicos, microbiológicos e imunológicos, foi feito um diagnóstico de leucemia linfoblástica aguda (ALL), FAB tipo L2. A quimioterapia foi iniciada de acordo com o protocolo SHOP 99 para pacientes de muito alto risco, obtendo uma remissão completa no final da fase de indução. Quatro meses após a fase de consolidação, o paciente recai, e a quarta fase do tratamento, terapia de manutenção, é necessária para manter a criança em remissão.
O tratamento de TODOS é realizado de acordo com protocolos estabelecidos (4), sendo a criança frequentemente submetida a múltiplas punções lombares para administração de quimioterapia e aspiração da medula espinal para controlo da doença ao longo de todo o processo de tratamento da doença (5).
Após a obtenção do consentimento parental e explicação do tratamento à criança, foram escolhidos locais para punção lombar e aspiração de medula óssea. O paciente foi pré-medicado com midazolam (Dormicum®) 5 mg v.o. e OTFC transmucosal citrato de fentanil oral (Actiq®) 400 mcg v.o., e foi colocado um penso de creme EMLA® nos locais de punção. O oxigénio foi administrado através de óculos nasais a 4 l/m, e o electrocardiograma, capnografia, oximetria de pulso e pressão arterial foram monitorizados desde o início do procedimento até à alta da unidade de recuperação pós-anestésica, de acordo com as recomendações da Sociedade Espanhola de Anestesiologia e Ressuscitação.

Após 30 minutos, a pele do local da punção foi infiltrada com 2-5 ml de 1% de lidocaína e depois foi iniciado o tratamento. Em todas as ocasiões (4 punções lombares e 1 punção por aspiração óssea), estas podiam ser realizadas sem complicações e eram bem toleradas pelo paciente. A classificação da dor de acordo com a Escala Analógica Visual foi de 2,8 mm (0-10) e de acordo com a escala categórica verbal 1 (0-4). A avaliação global da eficácia do tratamento analgésico foi 'boa' em todas as situações, excepto no dia da punção lombar e espinal, que foi classificada como 'justa'. Os parâmetros monitorizados durante o procedimento encontravam-se dentro dos limites normais. Não houve náuseas, vómitos ou prurido, e o paciente teve alta para a enfermaria 60 minutos após o procedimento.


