O presente caso corresponde a uma mulher de 30 anos sem história pessoal relevante, que consultou para obter uma imagem inicial de uma dor de cabeça hemicraniana direita pulsante de dois meses de duração, que progrediu para se tornar holocraniana. A dor de cabeça tinha características orgânicas e era resistente ao tratamento convencional (anti-inflamatórios não esteróides e triptanos). Além disso, foi acompanhada de visão desfocada, mais pronunciada no olho esquerdo, dois episódios de diplopia autolimitada e episódios ocasionais de ptose da pálpebra esquerda. O exame neurológico revelou um defeito pupilar aferente no olho esquerdo com uma diminuição da acuidade visual de 0,1 e 0,25 no olho direito. O resto dos nervos cranianos não mostraram alterações ao exame. O estudo hormonal não revelou quaisquer alterações funcionais. A tomografia computorizada craniana (TAC) mostrou uma lesão cística não calcificada que corroía o seio esfenoidal e as paredes laterais da sella turcica. A ressonância magnética (RM) do cérebro confirmou a existência de um tumor de 4 x 3 x 3 cm na região do seio esfenoidal, que estava a destruir, corroer e expandir as paredes do seio e do próprio clivus. A lesão causou compressão e deslocamento craniano da glândula pituitária e do quiasma. Foi isointense nas sequências ponderadas em T1 e hiperintenso nas sequências ponderadas em T2, com níveis fluido-líquidos no interior, aspecto de septo e melhoramento periférico nas sequências pós-contraste. Além disso, houve esclerose do osso esfenoidal circundante.

Sob anestesia geral, foi realizada uma abordagem transesfenoidal sublabial, ressecando parcialmente a lesão na sua parte central, com a intenção de descomprimir o quiasma óptico.
A análise anatomopatológica confirmou a presença de um tecido benigno com aspecto parcialmente mineralizado, com a presença de osteoblastos e trabéculas irregulares formando grandes lagos venosos, compatíveis com um cisto ósseo aneurismático.
A RM de controlo pós-cirúrgico mostrou descompressão adequada do quiasma óptico com lesão residual tanto nas regiões laterais como nas células etmoidais.
O exame neuro-ofotalmológico realizado aos três meses confirmou que a acuidade visual do paciente era praticamente normal (O.D.: 1 e O.I.: 0,9).

