Um paciente do sexo masculino de 28 anos, sem história passada de interesse, foi consultado por um tumor malar esquerdo progressivo e não doloroso que tinha sido notado durante 15 dias. Não tinha qualquer história de trauma local. Ao exame, uma lesão dura era palpável na borda inferoexterna da órbita esquerda, aproximadamente 1 cm de diâmetro, sem pulsatilidade aparente.

A ecografia Doppler relatou uma lesão malar expansiva, polilobulada, com calcificação parcial e sem sinal vascular. A tomografia computorizada orbital (TC) detectou uma lesão medular arredondada e bem definida com estrutura interna trabeculada e expansão cortical sem infiltração ou reacção periosteal. A ressonância magnética (RM) descreveu uma lesão malar osteolítica malar expansiva medindo 16x10x13mm, com margens escleróticas bem definidas, ausência de infiltração perilesional dos tecidos moles e intensa captação de contraste.

Dado o diagnóstico presuntivo de uma lesão vascular de baixo fluxo, e dadas as características progressivas da lesão, foi decidido efectuar a excisão da lesão sob anestesia geral. A lesão foi exposta através de uma abordagem subciliar esquerda com alargamento da cauda em direcção ao malar e dissecção em planos. Após uma osteotomia de caixa incluindo uma margem de segurança periférica de 0,5 cm, o defeito foi reconstruído com enxerto de queixo e placa arqueada de titânio. As lacunas intercorticais foram preenchidas com osso esponjoso obtido a partir do local doador. Os controlos radiológicos pós-operatórios mostraram uma reconstrução anatómica com boa consolidação óssea.

O exame anatomopatológico revelou espaços vasculares dilatados revestidos de endotélio sem atipias, concluindo um "hemangioma intra-ósseo". Contudo, o estudo imuno-histoquímico foi negativo para o GLUT-1. Por conseguinte, consideramos que o diagnóstico clínico e imunohistoquímico correcto é a malformação venosa intra-óssea.
Após 5 meses de seguimento, o paciente está completamente assintomático, com um excelente resultado cosmético.


