A paciente EJO, morena, do sexo feminino, 23 anos de idade, foi encaminhada para o Serviço de Cirurgia Oral e Maxilo-facial da Escola Dentária de Piracicaba (FOP/UNICAMP) para remoção de uma lesão na região lingual dos dentes anteriores inferiores. O doente tinha um diagnóstico clínico de neurofibromatose.
O exame físico revelou assimetria facial e centenas de nódulos cutâneos em todo o corpo, incluindo o rosto e o pescoço. Manchas de café-au-lait estavam presentes no tronco e nos membros superiores.

O exame intra-oral revelou maloclusão, diastemas, ausência de dentes e uma massa neurofibromatosa na região do rebordo alveolar inferior, lingüisticamente até aos incisivos. A lesão era firme e indolor à palpação, de coloração normal da mucosa, não aerada, com uma base sésseis e com cerca de 2,5 cm de extensão. Devido ao seu tamanho e à sua relação com os dentes, não permitiu uma higiene adequada da região, favorecendo a acumulação de cálculos. A língua também mostrou um aumento de volume, com a presença de uma lesão neurofibromatosa com limites difusos.

Ao exame radiográfico, foi observada a presença do elemento 23 retido, bem como a hipoplasia mandibular direita.

A excisão cirúrgica foi realizada para a lesão neurofibromatosa na região anterior inferior. A lesão na região lingual não foi abordada cirurgicamente devido ao facto de não apresentar qualquer compromisso funcional ou estético para o paciente. O diagnóstico de neurofibromatose foi confirmado pela análise anatomopatológica.

O paciente está agora seis meses após o seguimento pós-operatório, sem queixas e sem sinais aparentes de recidiva da lesão. O paciente está actualmente sob tratamento periodontal, com uma melhoria significativa das condições locais do tecido de suporte.


