Um homem de 52 anos de idade, sem história passada de interesse, foi estudado após uma ecografia abdominal para exame urológico ter revelado um tumor cístico intra-hepático que no início parecia ser um cisto hepático complexo sem complicações. Foi solicitada uma tomografia abdominal em que foi encontrada uma imagem cística de cerca de 5 centímetros (cm) de diâmetro, localizada entre os segmentos V e VIII em forma de cacho de uvas, com septos no seu interior, alguns dos quais eram espessos e atraíam contraste significativo em algumas áreas. Os marcadores tumorais eram negativos.
Dada a natureza assintomática do quadro, foi decidido dar seguimento ao mesmo. No controlo radiológico realizado um ano depois, observou-se um aumento do tamanho da lesão (9 x 7 x 7 x 7 x 7 cm), localizada na confluência porto-biliares, sem a comprimir. Dado o crescimento da lesão, foi decidido operar o doente dada a possibilidade de malignidade da lesão.

Durante a cirurgia, foi observado um tumor cístico, polilobulado, na junção dos segmentos IV e V, abaulado em direcção ao hilo. A biopsia intra-operatória foi relatada como um tumor mucinoso sem poder descartar a malignidade.
Dada a possibilidade de um cistadenocarcinoma, foi decidida uma excisão radical do espécime, e não foi possível efectuar uma ressecção completa. A dissecção revelou fistulização do tumor para o ducto hepático direito, saída de conteúdo mucínico e lesões polipoides intracísticas.
O diagnóstico histológico definitivo foi o cistadenocarcinoma mucosecretório que, como ocorreu num paciente do sexo masculino, foi mais agressivo.
A evolução tem sido favorável, com quimioterapia adjuvante com 5-fluorouracil e sem recidiva no seguimento de um ano.


