Um homem de 79 anos que, após uma colecistectomia laparoscópica programada, convertida devido a dificuldades anatómicas, apresentou no primeiro dia pós-operatório uma fístula biliar externa devido a drenagem ambiental. Nos testes de imagem realizados, alguns dos quais foram repetidos duas vezes (ultra-som, TAC, TAC com drenagem do biloma em rabo de porco, cRMN, ERCP diagnóstica e subsequente ERCP com colocação de um stent biliar de 7 cm 10 F), a causa da fístula biliar persistente não pôde ser demonstrada, apresentando a integridade do tracto biliar intra e extra-hepático, com características anatómicas e funcionais de aspecto normal. O débito da fístula biliar externa, no entanto, variava entre 200 e 400 cc. diariamente. Os testes laboratoriais mostraram uma alanina-aminotransferase de 109 U/l (7-40 U/l); aspartato aminotransferase de 98 U/l (7-40 U/l); GGT de 120 U/l (7-40 U/l); fosfatase alcalina de 262 U/l (7-40 U/l); bilirrubina total de 1,8 mg/dl (0,2-1,3 mg/dl). Apesar da drenagem biliar interna da conduta biliar principal, a persistência da fístula biliar externa levou à suspeita de uma conduta aberrante, pelo que foi decidido operar 45 dias após a colecistectomia inicial, solicitando a nossa colaboração intra-operatória devido às dificuldades encontradas na identificação e interpretação dos resultados do campo operatório no hilo biliar. Apenas intra-operatoriamente a colangiografia através do bocal da fístula biliar justailar mostrou que a lesão teve origem num canal aberrante do sector anterior direito independente (segmentos V-VIII), sem relação com o resto da árvore biliar intra-hepática, confirmando a suspeita diagnóstica e tornando possível o tratamento da lesão através de uma colangiojejunostomia de laço Roux-en-Y com orientação transanastomótica por meio de um cateter de alimentação pediátrica siliconizada. No 7º dia pós-operatório foi realizada uma colangiografia transcatheter com absoluta normalidade da anastomose e ausência de fugas, e o paciente teve alta. O tutor transanastomótica foi removido um mês após a cirurgia após um segundo controlo colangiográfico, demonstrando a total integridade e funcionalidade da anastomose. Nos controlos anuais, o paciente mantém uma total normalidade dos testes analíticos.


