Apresentamos o caso de um homem de 30 anos da África subsaariana com um historial de angiodema, sem cirurgia prévia e sem tratamentos crónicos. Consultou por diarreia com muco e sangue durante várias semanas. O exame físico revelou esplenomegalia e hepatomegalia não dolorosa.
O hemograma mostrou uma hemoglobina de 10,3 g, 53.000 plaquetas, 3.460 leucócitos, com uma fórmula normal. A função hepática mostrou enzimas hepáticas elevadas (GOT 48, GPT 63) e actividade de protrombina 53%. Em imuno-química, o IgE total era de 960 mg (VN < 100).
O esfregaço de sangue periférico mostrou anisocitose moderada com polissecmentação de neutrófilos, sem células atípicas. A serologia para vírus hepatotrópicos, VIH, Toxoplasma, citomegalovírus, Salmonella, Brucella, hydatidosis, leishmaniose, fasciolíase e amebíase foi negativa, com excepção da serologia para Schistosoma que foi positiva a um título de 1/512 (IgG). As culturas de fezes e urina e os parasitas das fezes foram negativos.
A ecografia abdominal mostrou sinais indirectos de doença hepática crónica e uma esplenomegalia homogénea de 16 cm, com veias varicosas no hilo esplénico. A endoscopia gastrointestinal superior mostrou veias varicosas de grau II/IV no esófago e mucosa gástrica muito congestiva no estômago, especialmente no antro e no corpo gástrico, e veias varicosas pseudotumorais na cárdia gástrica. Foi realizada uma colonoscopia, revelando uma rectite petequial com um pequeno pólipo medindo 0,6 cm, que foi removido. O exame patológico das biópsias rectais revelou um infiltrado inflamatório misto com formação de abcesso focal e uma presença moderada de eosinófilos, sem esgotamento perceptível de células tetranianas. Após múltiplas secções da formação polipoide, foram observadas na submucosa estruturas ovais de cutícula refractiva com 150 microns de diâmetro máximo com calcificação interna maciça.

Com o diagnóstico de esquistossomose com envolvimento rectal e hepático, foi iniciado o tratamento com praziquantel na dose de 50 mg/kg de peso corporal em três doses. O paciente melhorou clínica e analiticamente, com normalização dos parâmetros de função hepática e hemograma. A endoscopia gastrointestinal superior e o ultra-som abdominal seis meses após o tratamento mostraram o desaparecimento das varizes esofagogástricas e os sinais ultra-sónicos de doença hepática crónica.


