Paciente do sexo masculino com 65 anos, fumador de 20-40 cigarros/dia e com história de úlcera duodenal. Tinha sido operado 5 anos antes para neoplasia de estenose da junção rectosigmóide (adenocarcinoma Dukes fase B, T3N0M0, fase III-A AJCC), e foi submetido a ressecção anterior seguida de anastomose término-terminal por sutura mecânica utilizando a técnica de agrafagem dupla. O curso pós-operatório da operação foi sem problemas e o paciente foi acompanhado em consulta de 6 em 6 meses, sendo a colonoscopia e ultra-sonografia realizadas anualmente. A imagem endoscópica da região perianastomótica foi normal em todas as revisões, incluindo a última realizada no ano anterior (4 anos após a operação).
Cinco anos após a operação, o paciente começou a ter fezes moles, dores abdominais intermitentes no hipogastrio e, mais tarde, rectorragia. Foi admitido no departamento de medicina interna e submetido a um TAC abdominal, que não revelou quaisquer achados patológicos, e colonoscopia, que revelou um estreitamento a 10 cm da margem anal que impediu a passagem do endoscópio. Foi realizada uma biopsia que não mostrou sinais histopatológicos de doença maligna e foi relatada como uma úlcera não específica.

Dado que os marcadores tumorais do soro estavam a níveis normais, e na ausência de outros sinais de neoplasia, decidiu-se repetir a endoscopia e realizar um enema opaco. A nova endoscopia e biópsia mostraram resultados idênticos aos anteriores. O enema de bário mostrou uma estenose do cólon de aspecto irregular e 8 cm de comprimento, e a possibilidade de estenose maligna não podia ser descartada com esta imagem. Na ausência de provas conclusivas da recorrência de tumores, foi decidido um período de tratamento com enemas corticosteróides (budesonida, 2 mg de enema, duas vezes por dia) a fim de reduzir a inflamação e assim completar o exame endoscópico.

Após um mês, com o paciente assintomático, a endoscopia foi repetida, encontrando-se uma mucosa inflamatória e ulcerada, cobrindo uma restrição de 6-8 cm de comprimento que podia ser passada com o endoscópio, sem sinais de neoplasia e o resto do cólon parecendo normal. As biópsias realizadas mostraram sinais inflamatórios não específicos.
O rigor foi considerado de origem isquémica e, dado que o paciente estava totalmente assintomático, foi decidido um acompanhamento periódico.
Após 6 meses de acompanhamento, foram detectadas alterações electrocardiográficas, para as quais foi consultado o cardiologista. A ergometria e a angiografia coronária revelaram irregularidades na artéria descendente anterior proximal média, envolvimento grave do óstio do ramo diagonal, 80% de estenose do ramo marginal obtuso e 80% de estenose na artéria coronária média direita. Foi decidida a dilatação e implantação de um stent coronário duplo, após o que as alterações electrocardiográficas desapareceram.
Após 16 meses de acompanhamento, o paciente tem o trânsito normal e está assintomático.


