Um paciente do sexo masculino de 60 anos com história de vários episódios de pancreatite aguda de origem enólica. Apresentava febre, mal-estar geral, dores abdominais, náuseas e vómitos de comida. Foi admitido no Departamento de Emergência onde foi observada instabilidade hemodinâmica com taquicardia sinusal a 130x' e hipotensão arterial (PA: 80/50 mmHg), razão pela qual foi transferido para a Unidade de Cuidados Intensivos (UCI).
O exame físico à chegada à UCI revelou uma grande distensão abdominal, com um abdómen difuso e doloroso e a palpação de uma massa ao nível epigástrico que se estende até ao hipocôndrio esquerdo. As análises ao sangue mostraram leucocitose com significativo deslocamento esquerdo, hiperglicemia, e uma elevação discreta tanto da bilirrubina como das enzimas hepáticas. Após estabilização, um TAC abdominal mostrou um pseudocisto pancreático de 17 x 8 centímetros de diâmetro que deslocou as alças intestinais e comprimiu o estômago.

A drenagem transgástrica foi tentada por meio de ultra-sons endoscópicos mas não foi possível, pois a compressão exercida pela massa tornou impossível o progresso do endoscópio. Foram também feitas várias tentativas de drenagem percutânea, todas elas sem sucesso. Por esta razão, foi decidido realizar uma evacuação cirúrgica por marsupialisation do pseudocisto através de cistogastrostomia, obtendo um total de 4 litros de material purulento. A evolução subsequente foi satisfatória e ele foi dispensado da UCI 6 dias após a admissão.


