Uma mulher de 68 anos, com uma história pessoal de interesse, relatou ter fumado 20 cigarros/dia nos últimos 40 anos, e como intervenções cirúrgicas: colecistectomia, amigdalectomia e adnexectomia bilateral (devido à polimiomatose uterina). Dois anos antes, foi vista numa clínica gastrointestinal para disfagia moderada a sólida, sem outros sintomas acompanhantes. Foi realizada uma endoscopia superior e foi encontrada uma hérnia hiatal, tendo sido recomendado o tratamento com inibidores da bomba de protões, com uma melhoria considerável dos sintomas. Posteriormente, durante o período de consulta, o paciente apresentou uma dor epigástrica grave de vários meses de duração, e repetiu-se uma segunda endoscopia, revelando uma lesão no terço médio do esófago, biopsiada e relatada como um carcinoma ulcerado e infiltrante de pequenas células do tipo aveia-células. Tendo em conta estas descobertas, o doente foi submetido a mais estudos e diferentes explorações com o objectivo fundamental de encontrar o tumor primário (pensando numa origem pulmonar dada a espécie histológica da neoplasia) e encenar a doença.
Ao exame, o doente encontrava-se em bom estado geral, afebril, sem resultados de adenopatias ou dados relevantes sobre a auscultação cardiopulmonar, com um abdómen normal, com excepção da cicatriz subcostal e infraumbilical direita e sem alterações neurológicas.
Os testes laboratoriais não mostraram alterações relevantes. O estudo bário esofagogastroduodenal mostrou uma lesão plana e ulcerada a 5 cm da junção esofagogástrica, com cerca de 5 cm de comprimento, o que reduziu discretamente a luz da junção esofagogástrica, sendo o resto do estudo normal.

O TAC tóraco-abdominal mostrou uma neoplasia no terço médio do esófago, causando uma redução da sua luz, com linfadenopatia na área subcarinal, supraclavicular esquerda (1,5 cm); no abdómen, linfadenopatia no retroperitoneu, área retrocrural e cadeia ilíaca direita; imagens sugestivas de metástases hepáticas bilobulares e um grande cisto esplénico. Não havia indícios de uma lesão que ocupasse espaço no pulmão. A fibrobroncoscopia não revelou quaisquer achados patológicos. Um aspirado de perfuração transtorácica era positivo para o carcinoma de células de aveia, o que poderia indicar uma invasão pleural.

A ecoendoscopia mostrou um tumor de esófago vegetante e ulcerado, estendendo-se de 30 a 35 cm e infiltrando-se em 2/3 dos seus lados, mas permitindo a passagem do endoscópio. Entre 28 e 32 cm havia uma massa extrínseca retrocardíaca bem demarcada que não se infiltrava no esófago. Foram encontradas adenopatias celíacas múltiplas. E a biopsia da lesão é relatada como carcinoma de pequenas células de aveia-células. O TAC craniano não demonstrou quaisquer descobertas patológicas.
Dada a extensão da neoplasia, a cirurgia foi excluída e a quimioterapia foi considerada como a principal opção terapêutica. No final deste estudo, o paciente estava a ser tratado na Unidade de Oncologia do nosso hospital (CDDP plus etoposide).


