Um homem de 35 anos, trabalhando na manutenção de instalações eléctricas, dirigiu-se ao serviço médico da empresa para um check-up de rotina. Ele estava assintomático. Era fumador de 10 cigarros/dia há 8 anos. Não era um consumidor de bebidas alcoólicas, não tinha hábitos tóxicos e não tomava regularmente qualquer medicação. Não tinha história familiar de morte súbita e não tinha história pessoal de síncope, lipotimia, convulsões, respiração agonal nocturna ou palpitações. O exame médico não revelou anomalias no exame físico ou nos exames complementares de rotina, com excepção do seu ECG de base.

Suspeitando de síndrome de Brugada, foi encaminhado para a Unidade de Arritmia do Hospital Clínic de Barcelona. Após uma avaliação clínica e electrocardiográfica e um teste de flecainida, foi feito um diagnóstico de BS. Para completar a estratificação do risco, foi também realizado um estudo electrofisiológico, que mostrou intervalos A-H de 128 msec e HV de 44 msec. Foi realizado um protocolo de estimulação ventricular, sem indução de arritmias ventriculares sustentadas, e portanto, em conjunto com os dados clínicos do paciente, concluiu-se que a BS era de baixo risco arrítmico. Foi recomendado evitar os fármacos e medicamentos listados na Tabela 1 e um tratamento vigoroso de quaisquer sintomas febris, pois foi demonstrado que a febre pode desencadear arritmias ventriculares em pacientes com BS6, e foi também agendado um estudo genético. Seis meses mais tarde, o paciente permanece assintomático.


