Uma mulher de 12 anos relatou ter sofrido um abcesso facial esquerdo de origem dentária. As manifestações clínicas predominantes na altura da nossa avaliação foram a incapacidade de lhe abrir a boca. O achado mais significativo no TAC e na Ressonância Magnética Nuclear (RMN) foi a ausência da glândula parótida esquerda e a deformidade mandibular com fusão da sua parede posterior ao processo maxilar e pterigóides esquerdos, com o consequente deslocamento anterior dos côndilos mandibulares devido a displasia grave da articulação temporomandibular.
Dada a situação clínica descrita, a traqueotomia foi necessária para prosseguir com a libertação extrarticular da anquilose maxilomandibular, extracção dos dentes afectados e cobertura com um retalho de mucosa padrão. No período pós-operatório imediato, a abertura bucal foi fixada em 2 cm usando uma cunha retromolar.

Actualmente, o paciente mantém uma abertura bucomandibular de 2,4 cm, que permite uma alimentação oral sólida. A confirmação desta entidade foi feita através de estudo anatomopatológico que relatou alterações compatíveis com a osteomielite crónica.

