O segundo caso é o de uma menina de 10 anos de idade que foi encaminhada de outro centro por visão reduzida sem causa orgânica aparente. O paciente apresentou um relatório mostrando uma acuidade visual de 0,01 em ambos os olhos com uma refracção sob cicloplegia de +1,00. Todos os exames oftalmológicos foram normais. Os testes complementares apresentaram potenciais evocados visuais (VEP), electroretinograma (ERG), angiofluoresceingografia (AFG), tomografia axial computorizada (CAT), ressonância magnética (MRI) também não mostraram qualquer alteração. Dada a suspeita de simulação, investigámos a situação familiar, escolar e social do paciente. Era a mais nova de 4 irmãos, com uma grande diferença de idade, e nos últimos meses tinha começado a comportar-se mal, com notas baixas na escola, dificuldade de integração com os colegas e, além disso, uma entorse que a obrigou a usar muletas. Foi decidido realizar o teste de confusão de lentes: uma lente +6,00 foi colocada numa armação experimental e depois progressivamente neutralizada com lentes negativas. VA monocular foi de 0,8 e 0,6, respectivamente; e 0,8 em visão binocular. Os valores de Stereopsis eram normais, 40". Os pais ficaram tranquilos quanto ao estado da criança e ela foi reenviada para o seu centro de referência para acompanhamento e monitorização.


