O primeiro caso é o de uma menina de 9 anos que relatou uma visão desfocada. A sua acuidade visual era de 0,2 e 0,3 de acordo com o optotipo Snellen, respectivamente. A sua refracção foi determinada sob cicloplegia para excluir defeitos de refracção e foi de +0,75 em ambos os olhos. O resto do exame oftalmológico foi normal, com uma estereopse de 60"-40". Anamnese posterior revelou que a paciente era uma rapariga adoptada aos 7 anos de idade. Enquanto desenhava no consultório, observou-se que não tinha dificuldade em se manipular, mesmo dilatada, de modo que os sintomas pareciam desproporcionados e suspeitou-se de uma simulação. Foi utilizado um teste de espelho e o resultado foi que a linha 0,4 foi vista com ambos os olhos. Considerando que os espelhos planos têm a propriedade de duplicar as distâncias, a sua acuidade real corresponderia a 0,8. O caso foi discutido com os pais, tendo sido decidido efectuar controlos regulares. A sua acuidade melhorou para a unidade com ambos os olhos aos 3 meses.


