Apresentamos o caso de um homem de 24 anos que veio para o departamento de emergência com diminuição bilateral da VA e dores de cabeça de dois dias de duração. O historial pessoal do doente incluía um caso de gripe na semana anterior tratado com ibuprofeno 600 mg. Ao exame, a VA do olho direito era saliente e a VA do olho esquerdo era de 0,05. As pupilas eram isocóricas e normoreactivas e a biomicroscopia do pólo anterior era normal. A oftalmoscopia revelou lesões confluentes branco-acinzentadas no pólo posterior de ambos os olhos, afectando os fetos. Suspeitando-se de AMPE, foi realizada uma angiografia de fluoresceína (FFA), mostrando áreas de marcada hipofluorescência em tempos iniciais que se tornam áreas de hiperfluorescência em tempos tardios. A angiografia verde indocianina (ICG) mostra áreas de hipofluorescência no coróide correspondentes às lesões placóides que estão relacionadas com a hipoperfusão coróide que acompanha esta patologia. A tomografia de coerência óptica mostrou espessamento da retina com hiperreflectividade nas camadas exteriores da retina. O tratamento oral com corticosteróides (prednisona 60 mg) foi iniciado e continuou durante uma semana.

Por outro lado, o paciente relatou uma grave dor de cabeça que melhorou com o tratamento com corticosteróides e reapareceu quando a medicação foi descontinuada. Assim, dada a suspeita de vasculite cerebral, por vezes associada a esta condição, foi realizada uma angiografia de ressonância magnética nuclear (NMRA), na qual não foram observados sinais de vasculite.
Foi solicitado um estudo de histocompatibilidade para HLA B-7 e HLA DR2, o que foi positivo.
A acuidade visual do paciente melhorou gradualmente, mas no seguimento de um mês o paciente relatou diplopia em visão distante. O exame revelou paralisia do sexto nervo craniano direito, com ligeira limitação de rapto do olho direito, o que foi confirmado pelo teste de Hess-Lancaster. Uma injecção de toxina botulínica foi feita no recto medial do olho direito e após uma semana a diplopia desapareceu.
Actualmente a diplopia desapareceu e o VA é de 0,7 no olho direito e 0,8 no olho esquerdo. A OCT mostra uma recuperação da arquitectura foveal, mas com maior reflectividade da retina em ambos os olhos.


