Um paciente masculino de 64 anos de idade foi encaminhado para o departamento de emergência de Oftalmologia por dupla visão e tonturas, aparentemente sem outros sintomas dignos de nota; no entanto, observou-se uma instabilidade quando em pé, que não podia ser justificada apenas pela diplopia.
O único historial de interesse era que o paciente tinha sido vacinado contra a gripe cinco dias antes.
A acuidade visual era de 0,7 nos dois olhos (AO), e ambas as pupilas estavam dilatadas e areflexas, sem qualquer contacto prévio com os mediolíticos. Houve uma limitação no rapto do AO, maior no olho esquerdo (OI), na supradução do AO, e dificuldade no resto dos movimentos oculares, relatando diplopia horizontal. O resto do exame oftalmológico foi normal.

Tendo em conta o diagnóstico suspeito da síndrome de Miller Fisher, o paciente foi encaminhado para o departamento de neurologia, que detectou uma marcha atáxica, hiporreflexia, e descartou a fraqueza dos membros, decidindo interná-lo para acompanhamento e um estudo completo. Os resultados das análises de sangue e da tomografia axial computorizada (TAC) realizadas no departamento de emergência foram normais.
Vinte e quatro horas após a admissão, surgiram angústias respiratórias, que exigiam oxigénio e fisioterapia, e nas semanas seguintes desenvolveu novos sintomas neurológicos: paralisia facial, disfonia e disfagia.
Durante a admissão, foi realizada uma punção lombar, que detectou a dissociação dos albuminócitos, e uma ressonância magnética (RM) excluiu definitivamente a lesão ou desmielinização que ocupasse o espaço. O estudo electromiográfico não forneceu informação adicional.
O estudo imunológico foi positivo para o anticorpo anti-GQ-1b, confirmando definitivamente o diagnóstico inicial.
Os sintomas do doente melhoraram duas semanas após a admissão, tendo recebido dois ciclos de imunoglobulinas. A evolução clínica foi lenta e polissintomática, com diplopia persistindo com limitação prolongada de sequestro bilateral.


