Um paciente de 76 anos de idade assistiu ao departamento de urgências por TCE frontal direito com perda de consciência, causada por uma queda casual em casa. A paciente relatou perda de visão no olho direito (DO) quando recuperou a consciência.
A sua história médica incluía diabetes mellitus tipo 2 tratada com antidiabéticos orais e osteoartrose. Não havia outra história pessoal ou familiar de interesse.
O exame revelou uma ferida de contusão incisiva infraciliar e um hematoma fronto-orbital direito difuso. A acuidade visual (VA) não era percepção de luz com um defeito pupilar relativo aferente (ARPD) na DO e 0,6 no olho esquerdo. O pólo anterior estava dentro do normal, assim como a pressão intra-ocular e o fundo.
A tomografia computorizada (TC) do crânio com cortes orbitais foi normal e a ressonância magnética (RM) mostrou um aumento do líquido perineural na bainha direita do noroeste.
Dada a persistência dos sintomas, foi realizada uma reconstrução sagital do canal óptico do TAC helicoidal, mostrando uma fractura linear do telhado da órbita direita estendendo-se até à ala inferior da esfenóide direita, na região do OC, com uma subsidência mínima do fragmento lateral que reduziu o diâmetro interno do OC.
Os potenciais evocados visuais foram realizados utilizando estímulos monoculares (Medelec® Synergy. Oxford. Instruments, Inglaterra) com Googles a 2 ciclos por segundo, mostrando uma grande assimetria na morfologia das respostas à estimulação de ambos os olhos, sugerindo uma ausência de condução do estímulo visual no noroeste direito.
O paciente foi diagnosticado com neuropatia óptica traumática (TON) com um mecanismo de produção misto devido a um trauma frontal fechado que foi transmitido indirectamente ao OC e uma lesão directa do NO quando a ala inferior da esfenóide foi deslocada dentro do OC.
O tratamento com megadoses de corticosteróides (1 g de metilprednisolona seguido de 250 mg a cada 6 horas durante 48 horas) foi iniciado, sem melhorias.


