Apresentamos o caso de uma mulher de 27 anos de idade que foi vista no departamento de emergência a queixar-se de metamorfoses no seu OD. O seu VA era de 0,6 na DO e 1,0 na OI e no exame de fundouscópico tinha vários focos esbranquiçados arredondados espalhados no pólo posterior de ambos os olhos, um deles justafveal na DO e de cor mais acinzentada com descolamento neurosensorial perilesional, microhemorragia e exsudação dura que levantou suspeitas da existência de uma membrana subretiniana. Não foram encontrados sinais inflamatórios na câmara anterior ou vítreo.

A FFA (angiografia fluorescente) mostrou um bloco de fluorescência muito precoce em todos os focos, que rapidamente mudou para hiperfluorescência franca, mais perceptível em fases tardias no foco suspeito de ter uma membrana associada (NVSR). Em alguns focos, uma pequena área de bloco central persistiu. Na AVI (angiografia verde indocianina), foi observado um bloco de fluorescência desde as fases iniciais e durante todo o angiograma, excepto no caso da suspeita de NVSR, em que um ponto quente apareceu em fases iniciais dentro de uma placa hipofluorescente, que em fases tardias deu origem a hiperfluorescência da placa, confirmando o diagnóstico de NVSR.

Tanto na FFA como na AVI encontrámos mais focos de actividade do que os vistos no fundo.
Foi realizado um trabalho completo de sangue, incluindo bioquímica e um banco de sangue, foi solicitado um estudo HLA (B7 e DR2: para PHOS e AMPPE, A29 para Birdshot), que foi negativo; também foi realizado um estudo radiológico do tórax para excluir tuberculose e serologia para excluir sífilis e borreliose, o que foi normal em todos os casos.
O tratamento com corticosteróides foi iniciado com uma dose de 1,5 mg/kg de peso corporal/dia. VA melhorou para 0,8 e permaneceu estável até ao último controlo 3 meses mais tarde. Os focos evoluíram progressivamente para a pigmentação.


