Apresentamos o caso de uma mulher de 30 anos, fumadora de 20 cigarros/dia e sem qualquer outro historial pessoal de interesse. O doente relatou repetidas infecções do tracto urinário. Foi indicada uma ecografia abdominal e foi observada uma lesão nodular intravesical, para a qual ela foi encaminhada para o departamento de urologia.
A cistoscopia mostrou um tumor exofítico medindo 3x3 cm no lado lateral direito com mucosa vesical intacta, e não foram encontradas alterações no resto da bexiga. Foram realizados exames sob anestesia (EBA) e ressecção transuretral da lesão (TUR).
O relatório anatomológico patológico descreveu fragmentos macroscópicos da parede da bexiga com urotelium preservado sem displasia, destacando na própria camada muscular e em continuidade com o tecido muscular do mesmo, um tumor de células fusiformes com células mostrando grandes núcleos, pleomórficas, de aspecto vesicular e grandes citoplasmas eosinófilos. Esta celularidade está disposta em fascículos mal definidos e entre eles existe uma celularidade abundante que consiste principalmente em numerosos plasmócitos e leucócitos eosinofílicos polimorfonucleares. Não se observa um elevado índice mitótico, embora o índice de proliferação medido como positividade nuclear com anticorpos contra a MIB-1 se situe entre 10 e 25% da celularidade do tumor. Não foram observadas áreas de necrose. A imuno-histoquímica mostrou uma positividade marcada contra as citoqueratinas (AE1/AE3) e CAM5.2 a nível citoplasmático, bem como uma positividade citoplasmática marcada com anticorpos contra a p80 (proteína ALK). A celularidade descrita foi negativa para anticorpos musculares lisos (actina muscular lisa, MyO D1 e Calretininina), bem como para CEA e citoceratinas de alto peso molecular, com apenas positividade focal e isolada para EMA. Os PEIXES em material embebido em parafina não mostraram provas de translocação no gene ALK.
O diagnóstico anatomopatológico definitivo é um tumor miofibroblástico inflamatório da bexiga.


