Uma mulher de 58 anos de idade foi vista pelo departamento gastrointestinal por dores no hipocôndrio direito de 6 meses de duração, acompanhadas de alterações nos hábitos intestinais. Ela não tinha síndrome geral ou sintomas urológicos.
O exame físico revelou um bom estado geral de saúde, hidratação normal, cor normal e obesidade moderada. Não há hábitos ou estigmas de virilização. A tensão arterial está normal.
A auscultação cardiopulmonar é normal. O abdómen era globular, macio e depressivo, tornando a palpação de possíveis massas ou organomegalia difícil, mostrando ligeiras dores de pressão profunda no hipocôndrio direito, sem sinal de Murphy.
Quanto aos exames complementares, as análises bioquímicas e hematológicas de rotina, bem como os testes de função adrenalina, encontravam-se dentro dos intervalos normais.
A ultra-sonografia mostra a presença de um tumor na área adrenal direita medindo aproximadamente 6x6 cm. Não são observadas metástases hepáticas.
O TAC confirma a massa em estreito contacto com a parede da veia cava inferior, que aparentemente desloca, e a infiltração desta última não pode ser excluída. Não há provas de envolvimento de gânglios linfáticos retroperitoneais ou metástases noutros locais. Também não havia indícios de trombose tumoral.
Tendo em conta estes resultados, foi decidido realizar uma RM para uma definição correcta do envolvimento de tecidos vizinhos, relatando resultados idênticos de TC e sem poder prever definitivamente a infiltração parietal.

Com o diagnóstico de uma massa adrenal, foi decidida a intervenção, que foi realizada através de uma incisão subcostal direita transperitoneal. A região adrenal direita foi abordada, revelando um grande tumor a este nível. Foi iniciada a dissecção do tumor, mas não foi encontrado nenhum plano de separação na área de contacto com a parede lateral e posterior da veia cava, pelo que foi decidido proceder à sua excisão após controlo venoso proximal e distal à massa e sutura com polipropileno da parede da veia cava inferior.
O paciente seguiu um curso pós-operatório favorável, sem desenvolver complicações. Teve alta no sétimo dia de pós-operatório.
O estudo histológico macroscópico mostrou uma peça de consistência elástica de 6 x 8 cm, fácil de cortar, de aspecto carnoso e cor castanha acinzentada. Restos de tecido adrenal podem ser vistos na periferia, de aparência aparentemente normal.
A microscopia revela uma proliferação de elementos celulares da linhagem estromal, com grandes núcleos pleomórficos, com células multinucleadas adoptando um padrão fascicular. O índice mitótico é elevado (7 m/10 de campos de alta amplificação). Existem áreas de necrose intratumoral e invasão de tecido adrenal presente na zona periférica.
O diagnóstico definitivo é LEIOMIOSSARCOMA DE CAVA.
No que diz respeito à evolução, tanto os testes analíticos como os de imagem realizados no período pós-cirúrgico precoce mostraram normalidade. O caso foi encaminhado para o Departamento de Oncologia, que decidiu o tratamento de radioterapia de consolidação no local cirúrgico, que começou 40 dias após a operação.
Foram efectuados mais controlos aos seis, nove, doze e vinte e quatro meses, todos eles normais.

O paciente está actualmente vivo e livre de doenças, após 28 meses de acompanhamento.


