Lactente, caucasiano, o primeiro filho de pais jovens, saudáveis e não linguísticos (mãe com 28 e pai com 30 anos), sem historial de patologia hereditário-familiar, renal ou hipertensão arterial conhecida. Gestação correctamente monitorizada e sem alterações. Nascimento eutócico às 37 semanas sem complicações, apresentando um teste Apgar de 9/10. Antropometria ao nascimento, peso 2.760 gramas, com um diâmetro cefalo-caudal de 48,5 cm e circunferência da cabeça de 34,7 cm. VDRL, AntHBs, Toxoplasmose não imune, HIV negativo e rubéola imunitária. Apêndices auriculares bilaterais, baixa implantação do pinna, granulomas cutâneos, micrognatismo com hipoplasia mandibular, coloboma localizado no olho esquerdo e tumefacção escrotal sólida aparentemente não dolorosa à palpação. Calendário das vacinas actualizado.

A criança foi transferida de outro hospital aos 19 dias de vida com um diagnóstico de urosepsis. Foi inicialmente admitido na Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais para estabilizar a condição por meio de medidas de apoio e terapia antibiótica com ampicilina, gentamicina e cefotaxima.
A ecografia reno-pelvico-escrotal revelou uretero-hidronefrose bilateral e bexiga de parede espessa, inchaço escrotal direito, com imagens hipo e hiperecogénicas aparentes com septos e destruição testicular aparente.
Uma vez os parâmetros estabilizados e com urocultura negativa, realizámos uma cistorragia em série, mostrando dilatação da uretra posterior, bexiga trabeculada e sem presença de refluxo vesico-ureteral, suspeitando de doença da válvula uretral posterior.

As radiografias do osso do corpo inteiro não detectaram alterações ósseas ou alterações vertebrais.
Realizámos a fulguração das válvulas uretrais posteriores e a orquidectomia inguinal direita. O período pós-operatório passou sem complicações. O cateter foi retirado no sétimo dia de pós-operatório. Teve alta com função renal normal, urocultura negativa e diurese correcta.
No quarto mês de vida foi hospitalizado com um diagnóstico de infecção respiratória no contexto de bronquiolite, com uroculturas positivas para a flora polimicrobiana, foi medicado com antibioterapia e recebeu alta com profilaxia antibiótica com trimetoprim-sufametoxazol.
No quinto mês com urina asséptica, realizamos urografia intravenosa e cintilografia renal com MAG-3 e teste de furosemida, mostrando dilatação ureteral bilateral, bifidez renal direita, com capacidade normal da bexiga e esvaziamento completo da bexiga, uretra aparentemente sem alterações, função renal bilateral é preservada, respondendo ao teste de furosemida. Chegámos ao diagnóstico de dilatações ureterais bilaterais não-obstrutivas associadas à bifidez pyelical. Decidimos realizar check-ups de 6 em 6 meses.
No último controlo, a criança de 15 meses mostrou função renal normal, boa diurese e sedimentos urinários sem alterações.


