Mulher de 45 anos de idade apresentada ao departamento de urologia com síndrome de esvaziamento e infecções recorrentes do tracto urinário. A paciente tinha um historial de hipotiroidismo, hipertensão arterial em tratamento regular com atenolol e enalapril, fumava 10 cigarros por dia e tinha sido submetida a colecistectomia. O exame físico não revelou quaisquer descobertas patológicas. Foi realizada uma ecografia renal e vesical, mostrando o espessamento irregular da parede da bexiga.

A cistoscopia foi subsequentemente realizada e revelou uma pequena bexiga com uma neoformação de aproximadamente 5 centímetros de diâmetro, com uma aparência sólida no lado lateral esquerdo em direcção ao lado posterior e anterior, com uma aparência inflamatória e limites mal definidos. No TAC abdomino-pelvico, foi observado um espessamento difuso da parede da bexiga, que foi mais significativo no lado esquerdo. Após a administração de contraste, observou-se a captação difusa de toda a parede da bexiga com um acentuado aumento da mucosa parietal esquerda. Não foi observada adenomegalia mesentérica ou retroperitoneal. A citologia da urina foi negativa em duas ocasiões para as células tumorais.

Tendo em conta estes achados, foi feita a ressecção transuretral da neoformação da bexiga e biópsias aleatórias da bexiga.
As amostras obtidas foram enviadas para análise anatomopatológica, que mostraram proliferação difusa de células fusiformes e alongadas ao nível da lâmina propria, com grande neoformação vascular; foram também observadas estruturas nodulares constituídas por um material eosinofílico acelular cujas fibras estão dispostas de forma circular, constituindo corpos de Wagner-Meissner, num arranjo concêntrico que simula estruturas nervosas. A imuno-histoquímica confirmou que as células do fuso e os corpos de Wagner-Meissner foram fortemente positivos para o anti-soro S-100, confirmando o diagnóstico de neurofibromatose difusa da parede da bexiga.
O paciente foi encaminhado para o departamento de medicina interna para uma investigação mais aprofundada a fim de excluir outras manifestações de neurofibromatose em outros órgãos. Da mesma forma, o paciente é periodicamente acompanhado pelo departamento de urologia para monitorizar o aparecimento de novas neoformações.


