Ninguém nasce mulher, torna-se mulher.
Assim diz Simone de Beauvoir.
A feminimana não tem uma forma social definida por nenhum destino,
biológico, psíquico ou econômico.
O segundo sexo é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário
entre o macho e o castrado que qualificam de feminino.
Mercadoria, objeto, produto.
Assim a mulher para a mídia e para a sociedade machista, patriarcal e falocrática que nos inserimos.
E é assim que as teledramaturgias e campanhas publicitárias vendem a mulher.
O seu início vende melão.
O seu início vende moranguinho.
E o seu início vende melancia.
Para alguns, é impossível vender cerveja sem mulher.
O viés machista das campanhas de cerveja é um calcanhar de Aquiles para a publicidade.
De acordo com o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, o CONAR,
não é permitido a pela sensualidade e a utilização de modelos como objetos sexuais,
mas a ineficácia é evidente.
Os brasileiros não foram ensinados a ver a mídia pela ótica feminista,
e tão pouco sabem o trabalho arduamente desenvolvido por esse movimento social.
A mulher é constantemente violentada e ofendida pela sociedade e pela mídia.
O caso mais recente é o da estudante de turismo da Unibã.
O tumulto causado em torno do vestido curto de jeis e arruda foi chocante,
mas a abordagem da grande mídia foi assustadora.
A vítima passou a ser vista como culpada.
É na tentativa de mudar essa perspectiva machista que o movimento de mulheres brasileiras
e o movimento feminista bigam por um tratamento igualitário e respeitoso.
Organizadas em institutos, ONGs e movimentos sociais,
realizam seminários e eventos para discutir a imagem e o papel da mulher na mídia.
Quando as mulheres conquistarem um lugar de maior respeito dentro da sociedade,
seja no trabalho, dentro de casa, em todos os espaços públicos,
tem certeza a sociedade brasileira vai ter dado um passo, vai avançar muito mais.
O movimento feminista possui ramificações, entre elas está a Liga Brasileira de Légicas.
A LBL luta para uma legislação voltada para o direito das légicas e contra a lesbofobia.
Como todas as mulheres que se valorizam e querem ser valorizadas,
a militância é para difundir um tratamento que respeite o gênero, a cor
e a orientação sexual de todas as mulheres.
No Brasil a gente não tem mais essa história de dizer que somos racista
porque já existe uma lei que criminaliza o racismo.
Então, aí falam que não é racista.
No caso dos homossexuais, nós não temos nenhuma lei que criminaliza ainda.
E por não ter essa lei, pode se usar essa palavra, assim, sapatão,
saia para lá sua moral, saia para lá você não é ninguém.
Porque se tivesse, ele já teria que ser politicamente correto
como já estão sendo com o movimento de negros e negras.
A ideia é tirar do ar tudo que ofende a mulher, independente de raça ou orientação sexual.
Um exemplo de que não deve ser vinculado
é a porcenagem no ar bêndio, no humorístico, toma lá da cama.
Dona Daisy é constantemente desrespeitável.
Hoje, se vê que as mulheres negras já ganharam mais visibilidade na mídia.
Antigamente, nas telenovelas, elas só tinham rápidas aparições
e nunca no papel de mulher bem sucedida.
Na maioria das vezes eram empregadas domésticas.
Na trama de Manuel Carlos, temos a primeira Helena Negra,
que mesmo sendo uma modelo de sucesso, foi inserida em uma família branca
e é subjugada pela mesma.
Na publicidade, as mudanças são sutis.
Não é possível o tempo todo passar, por exemplo, o shampoo
para mulheres, mulheres brancas de cabelos risos.
Cabelos que para a população negra, para as mulheres negras, homens negros,
isso vai ter porque não tem a ver com o nosso perfil étnico.
Depois de ver e compreender o contexto mulher e mídia,
fica uma pergunta.
Como as mulheres querem que a mídia trabalha a imagem delas?
Então eu fico se me perguntando o que nós mulheres,
independente da orientação sexual, queremos da mídia e como a mídia nos vê.
Porque todo o trabalho da mídia é muito voltado para isso.
É para reproduzir preconceitos e não para revelar preconceitos.
Neste ano, a pauta feminista se volta para a participação das mulheres
na primeira Conferência Nacional de Comunicação.
A ser realizada em meados de dezembro na capital federal.
Nós estamos com uma expectativa de que se possa incidir sobre a pauta
da Conferência Nacional de Comunicações.
Ou seja, nós entendemos que em toda a pauta
é a que se incorporar da perspectiva de gênero.
Vale lembrar que a busca por uma sociedade livre de preconceitos
é de cor, gênero, orientação sexual ou religião não termina aqui.
