Já vai longe o tempo em que as redações eram um reduto exclusivamente masculino.
Em alguns lugares, a situação já é bem diferente.
Aqui mesmo, em Brasil, o número de mulheres nas redações já supera o de homens.
E elas não querem só o papel de coadjuvantes, não, ao contrário, as redações importantes
de Brasília, como da Folha de São Paulo, de Jornal Globo e da TV Globo, são comandadas
por mulheres.
Estão à frente das mais importantes influências colunas de política e de economia dos jornais
brasileiros.
Ocupam cada vez mais vagas nas faculdades.
Ainda na semana passada, numa formatura do curso de comunicação da Universidade de
Brasília, doze dos dezenove formandos em jornalismo eram mulheres.
Aqui mesmo, a cobertura diária das atividades do Congresso é feita em grande parte por
mulheres jornalistas, por rádio, na fotografia dos textos para jornais, revistas, blogs,
nas matérias para a TV.
Todas elas, seguindo a trilha aberta no século dezenove por duas pioneiras, a Argentina
Joana Paula Manso fugiu da ditadura rosa e fundou no Rio de Janeiro o Jornal das Senhoras
e pela Bahiana Violente Veláscoa, que ocupou o lugar de diretora do Jornal das Senhoras,
quando Joana Paula retornou à Argentina, e por isso mesmo, Violente Veláscoa é considerada
a primeira jornalista brasileira.
No homenagem TCO às mulheres jornalistas, no mês em descomemoro de internacional dedicado
a elas, o comitê de imprensa recebe duas das mais experientes e reconhecidas profissionais
da imprensa, a fotógrafa Zuleica de Souzo, do Corrêio Brasileense, e a repórter Cristina
Serra da TV Globo.
Eu gostaria dos mais nada agradecer a participação de vocês duas, cumprimentá-las pelo mês
dedicado às mulheres, e eu queria começar pela Zuleica falando um pouquinho dessa questão
da visão feminina, no caso da fotografia especificamente, existe uma visão feminina
do jornalismo Zuleica?
Vocês podem falar de mim?
Não sei.
Eu acho que as mulheres são mais detalhistas.
No caso da fotografia, isso ajuda a fazer um trabalho mais limpo, mais cuidadoso, a
gente pensar em compor melhor uma foto.
No meu caso, eu acho que o segredo da fotografia que eu tenho é essa, de ter uma fotografia
mais linda, mais cuidada, mais pensada.
E existe uma visão feminina do próprio jornalismo Cristina?
Paula, eu não sei se existe exatamente uma visão, mas existe uma maneira da mulher
trabalhar, da mulher jornalista trabalhar, quer dizer que eu acho que é uma característica
feminina que as mulheres jornalistas levam para o trabalho.
Eu acho que a mulher, em geral, é mais exigente, como a Zuleica falou, mais detalhista, mais
minuciosa.
E isso é uma coisa muito importante na apuração jornalística, você ser persistente para
apurar os mínimos detalhes, porque você sabe que os detalhes aqui compõem uma bela
história, e dizem que o diabo mora nos detalhes, então acho que é bem uma característica
feminina, essa coisa de buscar a minúcia, o detalhe, e aí existe isso, porque você
sabe como repórter que a gente às vezes tem muita dificuldade de conseguir informação,
mas a mulher é persistente, ela vai até que consegue, ela é disciplinada, eu acho.
Agora, facilita o fato de se mulher, por exemplo, em relação aos homens, como é a maioria
do poder, a gente sabe disso e ainda é composta por homens.
Facilita nessa relação de troca de informação?
Olha, eu não sei se ajuda, tem gente que fala que ajuda, tem gente que fala que atrapalha,
eu não sei se ajuda, se atrapalha.
O que eu sei é que a maneira de você se relacionar com o poder, a gente vê isso muito aqui em
Brasília, depende muito da postura que você estabelece como profissional.
Seja você mulher, seja você homem, eu acho que sendo mulher, você tem que ser alguns
cuidados a mais, de estabelecer uma certa distância, enfim, mas eu acho que essa coisa se ajuda,
se atrapalha, eu não sei, pode ser que ajude algumas situações e outras atrapalhem, mas
eu acho que isso depende basicamente da postura, da seriedade com que você se estabelece para
trabalhar.
Zuleika, dá disputa com os marmanjos aí, na hora de conseguir uma foto, né, aquele
carro encarrado, que de vez em quando a gente vê, como é que é ser uma mulher no meio
daquela, aquela tropa?
Se for uma coisa assim, importância, eles não dão a menor força, falam, pode,
对 人家
brigas e um tento de recebá e já não tem mais de 10, então...
Eu falo assim, mas então a respeita é velhinha, não é?
O fato de as redações que eu me disse no início estarem hoje cada vez mais ganhando
a presença feminina altera essa visão das coisas, do fazer jornalismo.
Eu falo assim, como você falou, realmente?
Não, a gente vê que a presença feminina é marfíssima hoje em dia nas redações,
e eu acho assim que isso já muda um pouco, a gente já nota essa, digamos,
maneira feminina de trabalhar o de ser jornalista, a visão feminina,
seja lá o nome que se vê aí, mas eu acho assim, quanto mais mulheres tiveram uma redação,
melhor, porque eu acho que a mulher...
a brasa para mim é sardinha, mas eu acho que é mesmo. A mulher e principalmente aquelas que são mães,
eu acho que elas passam a ser uma compreensão mais ampla da vida, mais tolerante, mais compreensiva,
e eu acho que é positivo você trazer isso para o convívio das redações,
porque como ela estava falando, a disputa é salvada e não só na rua,
a competitividade é muito grande nas redações também, mas assim,
como eu acho que a mulher tem essa visão mais tolerante, mais compreensiva,
acho que das coisas, eu acho que ajuda a quebrar um pouco,
assim, a competitividade é importante, a lei essencial para a profissão,
mas eu acho que isso tem que ser equilibrado com uma certa...
ou isso tem que ser levado com uma certa suavidade que eu acho que as mulheres têm.
Então, esse equilíbrio entre a competitividade e a necessidade de você ter um convívio amigável,
enfim, saudável de ser uma competitividade saudável nas redações
e na rua trabalhando com os outros veículos, eu acho que as mulheres contribuem para isso,
eu noto isso, pelo menos assim, é uma coisa que eu tenho isso no meu comportamento
e eu vejo outras pessoas terem também, mas enfim, a profissão continua essencialmente competitiva,
mas acho que as mulheres podem dar uma equilibrada nisso que é importante.
O que é do Meita? Você que sempre vem se destacando, é uma profissional premiada, etc.
Qual é a visão dos teus colegas em relação ao teu trabalho?
É difícil de falar isso.
O que é que eles falam? Como é que eles te trazem? Como é que é a viadia, o convívio?
Como eu estou nessa área mais da revista dos ornaus, eles falam
aquelas visserinhas que você faz, das frescorinhas que você faz, comidinhas, roupinhas,
antes era uma coisa menos privilegiada, hoje os ornaus dão espaço maior,
aí eles já têm uma cultura mais, de um pouco mais receita.
Os visserinhas fizeram prêmios independentes, né?
É, eles têm que ver os prêmios que eu tenho.
Mas visserinhas, os prêmios que eu ganhei foi com polícia.
Eu nunca posso ser assim. Sempre a gente concorre.
Eu coloco a foto de uma hora da foto do culinário, eu não sei o que.
Aí se eu tiver uma foto de política, a foto de política que ganhei.
Não tem...
Ninguém, porque eu jurava dos jornalistas.
Eles pensam mais como os jornalistas, na hora de...
Agora, Cristina, por que as mulheres terminam procurando, como a gente viu aí,
no formato da MP12, foram mulheres, procurando mais de jornalismo, ultimamente?
Olha, eu acho que tem uma coisa que é bem marcante nisso.
Eu acho que, em geral, hoje, o qual está errado,
mas a impressão que eu tenho, conversando com estudantes,
que, às vezes, quando eu vou dar palestras para universidades,
as pessoas, os alunos, em geral, são homens como mulheres,
procuram muito jornalismo em função da televisão,
e as mulheres procuram muito jornalismo em função da televisão.
O tele-jornalismo cresceu muito e se transformou numa profissão glamourosa.
Então, a gente nota isso, claramente, nas universidades,
como a gente vai conversar.
Antigamente, a gente entrava nas faculdades para ser jornalista,
independentemente de ser jornal, rádio ou TV.
Hoje, não, as pessoas entram já ao meio com o foco na TV, né?
E, enfim, isso atrai muito as mulheres.
Agora, o que a gente observa também,
é que, às vezes, os estudantes não se dão conta de que vão chegar na profissão
e vão encontrar um ambiente difícil, um mercado extremamente competitivo,
pesado, onde você tem que estudar muito para se destacar,
enfim, é um dia a dia, super complicado.
Eu acho que a nossa profissão é 99% de transpiração,
1% de inspiração, nesse 1% aí entraria o glamour, né?
Então, às vezes, os estudantes não se dão conta disso.
Agora, apesar dessa pedreira dos 99%,
eu continuo adorando a minha profissão.
Bom, nós vamos para o intervalo e, na volta,
a gente vai continuar falando sobre a presença feminina do jornalismo daqui a pouco.
