A nossa primeira parada aqui em Taipava, numa boate, que foi transformada em uma santa-água
para recebimentos donativos.
Os passos onde geralmente as pessoas vêm para dançar, se divertir,
viram um grande galpão com as doações que chegam de todos os lugares.
É maravilhoso o pessoal dançando aí embaixo, agora está tomado de alimentos, doações.
Eu acho que é o mínimo que a gente pode fazer, né? A gente é muito pouco isso,
eu gostaria de estar lutando ainda mais e eu acho que a gente tem que fazer o máximo,
tem que estar se entregando mesmo para as coisas acontecerem, né?
Dessa vez a santa-água não doutor e eu tenho bebê, bebê de dois meses,
que passou por isso também, foi um sofrimento horrível, gente.
O brasileiro é muito solidário mesmo, está chegando muita coisa,
está chegando muita doação mesmo, muita, muita gente.
Quando alguém fazer uma coisa bacana, vir assim uma pessoa diferenciada,
que está fazendo uma coisa para os outros, acho que não é mérito, é obrigação, sabe?
A gente tem que ajudar, tem que fazer, é tão bonito a gente poder fazer,
a gente vai em cada lugar, né? Que porra, vê o cara precisando,
vê a criancinha dando um sorriso com uma coisa tão simples, né?
Um negócio tão pequeno, cara.
Ó, obrigado por tudo que você está fazendo com a gente,
está de coração, que Deus abençoe você muito, muito, muito, muito.
Aqui nos genais do Clube Boa Esperança, eles também estão recebendo donativos
e distribuindo, né? E tem também algumas famílias que vieram se alojar aqui.
Estou ficando aqui no abril, porque eu perdi meu quarto com banheiro e tudo, né?
A água levou tudo, era duas horas da manhã.
Graças a Deus, o trabalho está sendo muito bem, recuperamos bastante roupa,
alimento também, graças a Deus a gente tem tudo aí, né? Não falta alimento, né?
Durante o dia, eu trabalho aqui ajudando a população a arrumar as coisas, né?
E malar roupa, essas coisas que vem e tudo isso.
Você recebe ajuda e também ajuda, também ajuda.
Ajuda com fé em Deus, a gente ajuda, todo mundo.
Pô, tanta gente que perdeu tudo, né? A gente que tem coisas sobrando em casa,
acho que não custa nada se solidar, né? É triste, a gente subiu ali,
não tudo destruído, famílias, sem nada, né?
Aí você vê também essa quantidade de coisas que as pessoas estão doando.
Pô, emocionante, assim.
E como é que é pra vocês ali? Você viu o sorriso da menina quando pegou a roupinha?
Eu vi ela meio que experimentando, assim, né? Como é que é isso?
Ah, é bom, né?
Essa é a melhor parte, eu acho, né?
Por isso que eu vi até aqui.
Andando por Itaipá, porque se vê é uma cidade em reconstrução.
Pra todo lugar que a gente olha, tem trator, caminhão, tem gente trabalhando
e poeira pra tudo quanto é lado.
O tocho vê aqui em Itaipá, os caminhos já tão cheios de lama novamente.
Quando eu cheguei aqui, estava tudo destroço.
E sua família?
A minha família, a maior parte dela se salvou.
Quando o senhor chegou, viu seus filhos bem ali, sua esposa. Como é que foi a emoção?
É muito grande, né?
Ali era o butiquinho, essa pedra é grande, olha.
E aqui do lado era a oficina.
Então, o que que tinha? Você pode mostrar pra gente, tem a casa do senhor, o butiquim, a oficina.
Tinha uma casa após o butiquim, que era da tia da minha esposa, a outra casa era da minha sogra
e a outra de lá era da tia da minha esposa também.
Eu sou a única que me fiquei porque não tenho pra onde ir?
Óbvio tá pegado. Tá OK.
Obrigado, tá?
Muito obrigado, moço.
Qual a importância de receber esses donativos nesse momento?
Maravilha, maravilha.
Show de bola, entendeu?
É maravilhoso. Temos que ter perdido muita coisa, família, tudo.
Mas em termos da doação, assim, dos pessoas,
está sendo muito maravilhoso, muito bom, entendeu?
A gente está indo agora na Igreja do Divino,
está servindo de abrigo para várias crianças
e os voluntários de preparar uma grande festa para elas hoje.
Um pouquinho, só que a gente pode fazer,
mas acho que esse pouquinho ajuda, sabe?
De alguma forma eles, entendeu?
Olha, meu amigo, é uma coisa gratificante.
A gente sabe que no meio de tantas perdas que nós tivemos,
que ainda tem muita gente boa,
e a gente não contava com a solidariedade desse povo,
assim, que fosse uma coisa grandiosa dessa maneira.
Porque chegar aqui, ver essa criançada feliz para caramba,
dividindo, compartilhando.
Eu acho que o de mais precioso que a gente pode dar
é se olhar para essas pessoas que perderam tudo
e elas estão precisando de carinho.
A gente caminhando aqui em meio a tantas,
a situação é tão difícil assim,
e já no mesmo dia o pessoal se mobilizando
para poder agilizar as coisas,
poder arrumar as coisas para a gente,
e a gente fica fascinado com isso assim.
A gente mexe muito com a gente também
para a gente poder acreditar que ainda
tem jeito ainda para as coisas.
Isso aumenta muito a nossa esperança, sim.
Há uma esperança no nosso coração,
de que as pessoas hoje, elas também têm compaixão,
tem misericórdia, e há uma alegria muito grande
ver essas crianças felizes,
em meio a toda essa turbulência.
Agora dá aquele sorriso da foto assim,
dá o sorriso da foto.
Agora dá tchau.
Valeu galera, muito obrigado.
Fala, valeu galera.
