A Granja Viana é uma região de São Paulo, é como se fosse o Cinturão Verde de São Paulo.
Brilândia é uma comunidade com 64 mil pessoas, com 43 bairros, sendo que mais da metade deles é Número de Favela.
A Granja Viana é uma região de classe média alta para Altíssima, é uma região de casas, de condomínios, é uma região muito bonita, tem muito verde.
A cidade de Brilândia é a primeira comunidade de Baixa e Segunda, mas sem o que aconteceu?
Óbvio que falou que é a primeira comunidade do mundo de Baixa e Segunda em transição.
O movimento das cidades de transição é um movimento de resgate de ação comunitária.
Pra mim é muito isso, é uma metodologia fantástica de como sentar com a sua comunidade, juntar essa comunidade e fazer uma visão pra sua área, pra sua cidade, pra sua rua, a escala que você queira o transição.
Pra mim, ele é um movimento positivo, um movimento empoderador e um movimento que mostra pras pessoas que, na verdade, as transformações e as transições dependem da gente e das atitudes de cada um.
Não é uma grande coisa que vai mudar a terra ou a maneira como a gente vive, mas pequenas ações de todas as pessoas.
A primeira ação do Transição de Anjaviana foi uma feira de troca.
Por quê? Porque é uma região de gente que tem um poder aquisitivo alto.
E como é que você fala em redução de consumo com essas pessoas?
Então, a gente falou uma feira de trocas, seria divertido, a gente tinha um grupo de feiras de trocas, que hoje se chamam de trocas.
E que tem outras coisas junto agora. Então, a gente tem os negócios locais, a gente já tem negócios que começaram lá, a gente tem uma padaria comunitária, a gente tem as meninas que transformam banner em bolsa.
Então, reaproveitam o material reciclável.
O que pra comunidade ainda é uma coisa muito nova? Porque tudo que eles pensam é dinheiro. Tudo é dinheiro.
Então, eles acham que se você não tem dinheiro, você não pode transformar.
E a gente começa a mudar um pouco essa realidade e eles entenderem que eles são prósperos mesmo sem ter dinheiro.
Que dinheiro só existe quando está na troca.
E se existe uma outra coisa que você substituiu dinheiro, ela também é dinheiro.
É dinheiro, né?
Passar a Ecofeira foi um pulo, porque já existia essa demanda, todo mundo já queria.
Então, em menos de um mês, organizamos a primeira Ecofeira numa escola que tem na região, chamada Escola da Grande.
E foi um sucesso. A gente atendeu cerca de 500 a 600 pessoas na primeira edição da feira.
E a gente consegue passar essa mensagem do que é orgânico e local pra que as pessoas consumam sabendo que aquilo está mantendo produtor na sua terra,
sabendo que está consumindo menos agrotóxico e sabendo que ele está fazendo um bem pra comunidade porque esse dinheiro acaba ficando na comunidade.
E a questão de segurança alimentária é muito importante até na Brasilândia, principalmente porque
as pessoas aqui têm uma conexão muito grande com o tal do Bolsa Família, que é o dinheiro do governo que eles usam pra comprar comida.
Então, mas isso não quer dizer que elas passem a se alimentar bem.
Então, a gente ainda tem nas legis básicas de saúde muitas crianças que chegam com deficiência alimentar, mesmo tendo recursos financeiros pra se alimentar.
E aí, isso aí está conectado com as hortas, porque a hora que ele aprende a comer direito, ele quer a verdura.
Mas nem sempre a verdura é barata, porque normalmente ela é produzida distante da cidade.
Então, o que a gente precisa? Trazer essa verdura pra dentro da comunidade.
Então, o que a gente fez? Mapeou todos os lugares onde existiam terrenos baldios e a partir daí passou a Verdelândia,
que é aquela das hortas comunitárias, a usar esses terrenos pra colocar essas hortas.
Então, acho que transição traz isso. E você trazer pra uma comunidade pobre a possibilidade de ser resiliente,
que é de não ser dependente de algumas coisas, é muito importante.
Ele se espalha com muita rapidez, principalmente porque é um movimento positivo.
A gente não acredita, não é sustentável o movimento que traz tristeza, angústia, nada disso.
E o transição traz uma história de positividade muito grande. Vamos sentar e vamos fazer, vamos já.
