O que é normal?
Você é jovem?
Seu jovem.
easier porque nearby
de dezoito anos em medicaturme.
É jovem pra mim, é pessoa que não tem nada que fazer da vida,
que ir pagar bundando.
Se é jovem, não depende só da idade.
A gente todo, nós todos somos jovens.
Se é jovem, é de enumbrar um novo,
é se espantar com diferente.
Curtição, brincadeira, alegria e...
Saií, ir pro shopping,
festa, namorado, é...
ficar computador.
Comprar.
Estudar.
Quando eu descoberto, né,
o momento em que eu descubro as minhas...
as minhas versões, né,
os pontos que eu sou forte,
os pontos que eu sou fraco, as minhas...
minhas amizades, as fraqueiras,
e também a época de plantar, né.
O plano que eu...
que eu tive no...
do daquilo que eu vou colher no meu futuro, né.
Cara, dizem que ser jovem é uma coisa bacana,
mas eu não pôde experimentar ser jovem, não,
porque...
minha vida foi melô,
que eu tive que virar homem muito cedo.
Então, a sua fase agora, ela nunca vai ser importante,
porque existe toda uma atenção de políticas públicas,
por exemplo, para crianças e adolescentes,
porque estão numa condição peculiar de desenvolvimento para lá,
e aí existe toda uma atenção para quando você chega a fazer a adulta,
porque aí você vai ser inserido nessa lógica capitalista,
de mercado, produção, gerar renda,
e enquanto você é jovem, é como se você chegasse
você fosse um ser humano impotencial,
você ainda não é nada.
Existe um padrão, né, do modelo,
existe um modelo ideal do que é ser jovem,
e esse modelo, na verdade,
nem toda a juventude tem como seguir esse modelo,
né, o que é importante a gente perceber
é que a juventude ela é vivida de uma forma diversa,
né, que essa diversidade ela tem que ser vivenciada,
ela tem que ser respeitada,
né, muitas vezes pega um determinado segmento
da juventude, criminaliza esse segmento.
E aí é importante a gente reparar assim,
porque ninguém assume esse debate, né,
ninguém vai pautar a juventude, raça e etnia.
Mas se você for observar como as coisas acontecem,
isso está presente.
Se você for, por exemplo, no centro de internação,
com adolescentes de 15 a 21 anos,
você vai perceber que massifamente
todos os adolescentes que estão ali são negros.
E isso não quer dizer necessariamente
que essa juventude negra é a que está cometendo mais crime,
pelo contrário, essa juventude negra ela tem que morrer muito mais.
É difícil você discutir raça e discutir juventude
sem você discutir classe e sem você discutir guetos.
Então, se você observar, por exemplo,
como a cidade ela se organiza,
ela se organiza para excluir as pessoas em pequenos guetos.
E esses guetos são compostos na maioria das vezes
por pessoas pobres negras.
E entre essas pessoas a faixa da juventude
ela é muito maior.
A expectativa de ser negro, né,
principalmente na questão da religião de matriz africana,
existe um preconceito muito grande.
Hoje em dia a gente vê muito nas periferias ainda,
a formação de abordagem da polícia.
Então, acho que deve ter uma melhor qualificação nessa questão.
Dizem que essa não é a juventude ideal.
Dizem que é o poderinho do jovem branco
que tem tempo só para estudar.
E esse modelo poucos, esse padrão poucos podem seguir.
Então, a gente tem que perceber que os jovens são diferentes,
que eles vivem a juventude nesse momento de uma forma diferente.
E essa diversidade ela tem que ser valorizada e tem que ser respeitada.
Até um pouco para o pessoal poder desconstruir
o que é a questão de ser jovem.
Ser jovem é uma coisa muito importante,
uma coisa muito grandiosa que o pessoal não sabe o tamanho disso.
E ser jovem para mim é ter força de mudar essa massa
que está aí de violência.
Hoje em dia você vê que a juventude,
você diz que a maior parte é marginalizada,
porque a maior parte é que estão na mídia,
o problema está a apresentar mais esse.
Mas a maior parte é se essa juventude que está aí lutando,
com uma fortaleza melhor.
E assim, a respeito da mídia, na questão da mídia,
a mídia mostra o que ela quer, o produto que ela quer vender.
Então, geralmente é complicado você ver um negro em si,
sendo um ator principal.
Isso aí é muito difícil de você ver.
Então, a mídia ela desculpa um pouco isso.
Na questão também da violência.
Na verdade, a juventude das classes mais elevadas,
de fato, é a juventude que você consegue ver na mídia
de uma forma valorizada.
Então, você tem que ser bonito,
segundo os padrões que são colocados pela mídia,
você tem que ser magro, você tem que consumir.
Então, a juventude é aquela juventude que tem dinheiro,
que tem posse, que consegue realmente consumir.
Do lugar que eu falo, que é de ser uma jovem mulher,
o que é que isso implica?
Implica toda uma perspectiva de mercantilização do corpo,
de fetichismo em cima das mulheres jovens.
Implica em achar que já tem todo um projeto estabelecido
para a vida das mulheres e quando elas ficarem adultas.
E aí, uma coisa que é muito decorrente do pensamento
do que é ser juventude,
é associar a juventude à transgressão.
Quando a gente vai discutir juventude, é interessante
que quando você fala do jovem, em geral o que vem à mente
são as duas formas.
O jovem visto pelo lado positivo, que é o de fato o jovem,
que tem dinheiro para estar na roupa da moda.
E todos os jovens acabam desejando seguir esse modelo
porque é o que é colocado, que é o que é valorizado.
Eu estava em um ônibus, aí eu vi uma pessoa parecida
com quase igual ao meu, assim, melhor do que o meu.
Eu ia assim, eu me apaixonei, porque eles tiram.
Eu não, eu quero virar, quero virar, quero virar.
Aí terminou eu virando também.
Então, isso traz muita angústia, a gente percebe
que isso é uma boa parte da violência.
Os jovens estão associados desde duas lógicas macro na mídia.
Uma é a lógica da irracionalidade, né?
O jovem sempre vai ser transgressor, irresponsável, irracional.
E a outra é a lógica do consumo.
O jovem sempre vai ser objeto do consumo.
Você observa isso como?
Quando a mídia pauta a juventude,
ela sempre vai pautar a partir de uma perspectiva negativa.
Isso traduz a irracionalidade da juventude,
que essa mídia alimenta e retroalimenta, né?
E ela traz a sociedade como elemento
e ela vai alimentando para que a sociedade não deixe de ter essa perspectiva.
Então, quando você vê uma pauta na mídia relacionada à juventude,
vai estar relacionada a uma gravidez indesejada,
vai estar relacionando DST,
vai estar relacionando o uso abusivo de drogas,
vai estar relacionando a violência.
Então, essa lógica de que o jovem é um ser
que ainda não conseguiu se situar e conviver em sociedade,
ela é uma das pautas principais da mídia.
A segunda coisa é o jovem como objeto de consumo.
Aí surgem as mariações, né?
Os jovens, os jovens das novelas que...
assim, é utópico, porque o jovem pobre, ele é muito rico, né?
E ele pode consumir e ter acesso a tudo.
E o jovem, ele é o maior objeto da mídia
para todas as tecnologias que surgem.
Então, você precisa disso.
Você precisa disso para ser feliz.
E você vê a juventude muito violenta, né?
A juventude.
Só que essa violência, porque eu acho que ela não é transformada em energia.
Essa violência ela pode ser transformada em energia como?
É através do futebol, através da dança,
através do teatro, da música, né?
Então, assim, através... ela pode expor essa energia,
por exemplo, gra... pichador, né, como se chama.
E vai pichar e tal e tal, mas ele poderia botar isso no grafit.
Mostrar a arte dele de outra forma.
Mas ele não sabe onde procurar.
Então, questão em si é uma orientação, né?
Dar a juventude para ela poder gastar essa força dela em outras coisas.
Não pegar essa força e gastar na violência.
Às vezes a gente percebe que também é gerado por isso.
Por essa tentativa desenfreada de você conseguir atingir um padrão de consumo
que não é possível, é que a gente, na verdade, deveria resistir a isso.
E aí existe uma grande diferença.
A juventude ela é marcada por essas diferenças, né?
Da juventude da classe, trabalhador e a juventude,
das classes mais abastosas que realmente conseguem atingir esse padrão de consumo.
O jovem hoje, ele tá mais assim, não é tão aquele sentimento de revolucionário.
Porque ele não é muito impulsionado a fazer aquilo que aquele jovem fazia.
E pesquisar, buscar novas teorias, né?
Ele é mais impulsionado que há outras influências, como disse,
como malhação.
Eu acho que a juventude hoje ela atua de outras formas.
Claro que hoje é mais difícil.
Sempre se tem essa comparação com o juventude da época,
da ditadura militar que se coloca que a sua juventude era muito mais engajada.
Mas era uma determinada juventude que era mais engajada.
Eu acho que hoje em dia existem várias formas.
A gente percebe os jovens nos diversos movimentos culturais,
o movimento estudantil, o movimento pela livre orientação sexual.
Então eu acho que a juventude ela é atuante,
só que ela atua de outras formas,
não só daquele ponto de vista mais tradicional, político mais tradicional.
Então hoje em dia tem essa visão dessa juventude,
ser uma juventude preguiçosa, uma juventude que não pode fazer nada,
a juventude até alienada.
Mas assim, na minha visão é muito diferente.
A gente vê muito hoje, principalmente nas organizações,
a gente vê que a juventude ela está participando.
Para falar de participação, a gente tem que compreender primeiro,
para além de juventude,
qual é o contexto político de participação que a gente tem?
A gente vive na maior, numa fase que todo mundo fala em democracia,
e na verdade a democracia cada vez é mais maquiada.
Se a gente fosse comparar, por exemplo,
com o teste de participação da sociedade na década de 80,
e hoje a gente ia encontrar várias questões,
porque as pessoas falam que as pessoas se mobilizavam e iam para as ruas,
mas aí eu me queixei até em que medida isso era uma participação real,
porque na verdade não era uma pauta delas,
era uma pauta levantada pela grande mídia.
Então eu acho que a juventude, se ela está participando,
principalmente pelas organizações,
porque muitas vezes o jovem não sabe,
onde ir, ele tem uma força pré grande,
aí ele consegue a força através do gremito antio,
a avaliação que eu faço da juventude atual,
é uma avaliação positiva.
Então eu acho que não tem como comparar,
a gente está dentro de um contexto hoje
que ele é muito peculiar,
ele é muito diferenciado no sentido de que
muitos jovens estão fazendo muitas coisas.
Nós jovens hoje,
quem é um jovem que atua no movimento social
e nunca disse que nós somos rebeldes sem causa,
porque na década de 70 eles tinham motivos para brigar,
e agora a gente não tem.
E essa democracia disfarçada,
que na verdade não é democracia,
enchar de cala a boca,
ela tem desarticulado o movimento de juventude.
Eu que a gente tem que combater tanto que a juventude não é isso,
ela não pode ser pautada por isso,
a juventude a gente não pode estabelecer aquele padrão ideal do que ser jovem
e tentar colocar todos os jovens que esses jovens atingem esse padrão.
Porque não dá para atingir esse padrão,
que a gente tem que reconhecer,
é de fato a questão da diversidade,
que ela tem que ser valorizada
e que a gente não tem que tentar construir um padrão,
tentar construir um modelo que quer ser jovem.
Tem que perceber que os jovens de fato são diferentes
e que eles têm que viver essa diferença mesmo.
E parece que as pessoas não estão se tocando muito,
mas que é o extreminho dos jovens,
os jovens estão morrendo, morrendo, morrendo, morrendo,
e vai ficar daqui a alguns anos,
talvez a gente sinta isso,
uma lacuna geracional de um período que parece que não existiu,
que as pessoas naquela faixa etária não existiram.
E para você, o que é ser jovem?
E o que fazer quando não estão mais nem aí para você?
Quando o seu mundo não passar de uma prisão?
E o que dizer quando a sua vida não é igual a da TV?
Quanto as pessoas tratam mal seu coração?
E é transcurrente?
Quando é tá não chorar e não se arrepender?
Chorar, não chorar.
O que você precisar se encontrar em você?
Chorar, não chorar.
