A Serra da Estrela é a montanha mais alta de Portugal Continental, com uma área de
aproximadamente mil quilómetros quadrados, esta paisagem rochosa constitui o maior parque
natural do país.
É uma região com uma enorme diversidade de plantas e animais.
No coração destas formações graníticas cobertas de pinhais, existe uma nascente muito
especial.
É que como é a nossa viagem.
Este local luxuriante em torno da nascente, abrigado pela sombra fresca dos pinheiros,
chama-se Mondeguinho.
A mil e quinhentos metros de altitude, é aqui que o rio Mondeguinho inicia o seu percurso,
a correr e a saltitar veloz, formando cadas de água e rápidos.
Há milenios que abre caminho por este val granítico.
Perto da nascente, as águas frescas do Mondeguinho são o hábitate perfeito para uma ave muito
especial.
O mel rodágua.
Esta aves esquiva é detentora de uma capacidade singular entre as aves canoras europeias.
É a única capaz de mergulhar e nadar.
Trata-se de uma competência fundamental para caçar as suas presas favoritas.
Larvas de inseto, crostáceos e pequenos monúsculos.
Mas este macho não está a arranjar comida só para si.
Tem mais uma boca para alimentar.
Nesta altura do ano, durante a época de reprodução, os mel rodágua passam mais tempo à procura
de alimento.
Apesar de terem-se deslocar constantemente, os prosmetores fazem de tudo para manter a
cria satisfeita.
Da ideia de ser um trabalho a tempo inteiro.
Esta cria acaba de deixar o ninho e vai precisar de mais dez a quinze dias para se tornar
independente.
Até lá, tem de se esforçar um pouco mais para aprender a procurar alimento.
A trinta quilómetros da nascente, o rio Mondegua atinge um ponto de viragem.
Deixa para trás as ingremes-montanhas de granito.
Daqui em diante, o rio torna-se mais amplo, a corrente perde força e as águas encontram
uma paisagem totalmente diferente.
O Planalto, que acolhe uma variedade incomparável de espécie.
Nos primeiros dias quentes de maio, é muito comum ver nesta zona répteis, como este
sardão, estendidos a apanhar sol.
O mesmo acontece com este lagarto d'água, uma espécie endêmica que pode ser encontrada
no meio da folhagem, mas aqui apanhar banhos de sol tem os seus perigos.
Esta cobra lisa, austríaca, anda à procura da sua próxima refeição.
Embora se mantenha muito quieto, este lagarto d'água, macho, sabe que tem de estar alerta.
Desta vez, escapou.
No fim do Planalto, ergo-se o maior reservatório do Mondego, a barragem da guieira.
Esta construção monumental é a maior barreira existente no rio, que impede os peixes migratórios
de seguir a sua rota.
Neste momento chegamos à secção mais ameaçada do rio Mondego, em consequência da ação
do homem materializada no excesso de construção e na agricultura intensiva nas margens do rio.
Além disso, as vastas plantações de eucalíbitos, que cobrem muitos quilómetros ao longo do
rio, estão a substituir o arvoredo e a vegetação natural que albergam muitas espécies.
Os anfíbios estão particularmente ameaçados, dado que para sobreviver, dependem não apenas
da qualidade da água, mas também da flora existente no ar lá do rio.
Há duas espécies de anfíbios, especialmente em risco.
Este tritão de vento de laranja é uma delas.
Em Démico de Portugal e da região ocidental de Espanha, este pequeno tritão enfrenta
atualmente uma série ameaça, devido à poluição dos cursos de água e do uso crescente de
pesticidas e fertilizantes na agricultura.
A outra espécie é muito mais difícil de encontrar e é a joia dos anfíbios portugueses.
Para conseguirmos vê-la, temos de esperar pelo caíro da noite.
A Salamandra Lusitânica é endêmica do Nordeste da Península Ibérica.
É em Portugal que existem as maiores populações, mas embora ainda haja muito para descobrir
sobre esta espécie, os cientistas afirmam que o seu número está rapidamente a diminuir.
Esta Salamandra tem uma forma muito invulgar, a causa constituir dois terços do seu tamanho.
Sem pulmões funcionais, tendo a respirar através da pele, e o facto de ter uma calda
cumprida faz com que seja maior a superfície através da qual pode absorver oxigênio da
água.
A calda cumprida serve também para impulsionar a Salamandra, ajudando a mover-se em cursos
de água rápidos, o que faz com que esteja perfeitamente adaptada a este habitat.
Mas agora é apenas 40 km da costa, onde o Mondego atravessa a maior cidade ao longo
do seu percurso até ao oceano, Coimbra.
No século XII, o primeiro rei de Portugal, Dom Afonso Henriquez, o conquistador, escolheu
Coimbra como capital do novo reino.
Após mais de 40 anos de reinado, ele morreu na sua adorada cidade à beira do Mondego,
e até hoje o seu corpo repousa aqui.
No entanto, passados nove séculos, existe um novo rei em Coimbra, o Milhafre Preto.
Todos os anos, no início da primavera, centenas de Milhafres pretos regraçam de África para
procrear ao longo das margens do Mondego, formando uma das maiores colónias de Milhafres
pretos da Europa.
A razão para esta notável concentração de aves é próspera a população de prezas
nos campos agrícolas que mordejam o rio, especialmente pequenos mamíferos e anfíbios.
Para cobrir esta imensa área verdejante, os Milhafres confiam nas fortes correntes de
ar quente que sustentam seu voo nas horas mais solheiras do dia.
A última secção do rio, conhecida como Baixo Mondego, começa aqui.
Estas planícies inundadas estendem-se pelos últimos 40 km do curso do rio.
O terreno é extremamente fértil e acolhe um dos maiores campos de arroz da Europa.
A medida que se aproxima do mar, o Mondego abre-se num ângulo estuário com 10 km de
comprimento.
A ilha que divide o estuário em dois canais distintos tornou-se um centro de produção
tradicional de sal.
As águas do estuário ricas em nutrientes atraem uma grande concentração de aves aquáticas
e fazem deste um dos melhores locais do país para as aves limícolas, como o pernilongo
e o pilarito.
A presença das aves é na verdade de extrema importância para o método tradicional de
produção de sal.
Após um processo bioquímico longo e complexo, os excrementos das aves melhoram a qualidade
do sal, sendo este um bom exemplo de como as atividades humanas e a vida selvagem podem
coexistir em equilíbrio.
As andorinhas do mar anãs estão agora em plena época da reprodução e as salinas
oferecem-lhes um local perfeito para encobarem tranquilamente os ovos.
Depois de os ovos e coludirem, torna-se bastante difícil ver as jovens crias que se mantém
discretamente no solo de corpálida, uma camuflaja invaliosa contra os perdadores.
Porém, sempre que ouvem os progenitores trazer peixe, abandonam a segurança do abrigo e
vão ocorrer pedir comida.
Mesmo ao lado das andorinhas do mar, as crias de perna e longo também começaram a dar
os primeiros passos.
No entanto, deixam para as progenitoras a dura tarefa de tentar protegê-las.
Na cidade portuária da Figueira da Foz, depois de percorrer 234 quilómetros, o Mondigo alcança
finalmente o seu destino, o Oceano Atlântico.
É o fim da nossa longa viagem.
É um rio aclamado por poetas e compositoras intimamente ligado à história de Portugal.
Enquanto as suas águas se fundem com o mar, no alto da Serra da Estrela, um pequeno fluxo
de água mantém a encantadora certeza de que o Mondigo vai continuar a ser o suporte
de uma grande variedade de habitantes e de vida selvagem.
É um rio aclamado por poetas e compositoras e compositoras e compositoras de vida selvagem.
