Eu quero agradecer a conversora pelas palavras e dizer que para o jornal é uma experiência nova
e está indo na universidade e eu vou tomar a verdade de falar em pé
e vocês vão ver que eu vou pedir a participação de vocês e quero ver se isso vai acontecer.
Bom, a ideia do tema de a gente conversar hoje sobre ressignificação da cidadania já passa
porque eu fiz um trabalho na disciplina de mestrado que fala sobre essa questão da obrigatoriedade do voto,
facultativo ou não, e essa ideia da ressignificação da cidadania
e nas conversas que eu tive a oportunidade de ter com a professora Haydia,
professora Rodrigo Coimbra, foi muito interessante porque essa construção foi conjunta
para trazer para vocês o ciclo de estudos jurídicos. Então, eu quero brevemente dizer para vocês
que a nossa capacidade de ser cidadana não está só direcionada com a nossa capacidade de ter rendimentos.
Na verdade, ela está com a capacidade de conseguir expressar aquilo que nós conseguimos
e participar cognitivamente daquilo que a gente vê que é importante para a vida comum.
E essa ideia de quem me governa é porque não é só essa questão do governo da democracia,
da República Federativa do Brasil, e não só trabalhando nessa questão da ideia todo o poder e mana do povo
que já está no artigo primeiro, ou a gente falar sobre a questão dos direitos políticos,
previsos no artigo 14, 16, que diz quem vai ter essa competência para falar sobre soberania.
Mas eu quero falar para vocês que nós estamos no ano de eleições e eu recebi,
eu gosto muito de internet e tenho que saudar os colorados sobre a lista mais na sala.
É uma capacidade muito emocionante, eu me lembrei de 1995 do Breve quando eu estava lá
e qualquer espaço é torno também, mas eu quero dizer que eu ainda quero ver nos estágios de futebol
a gente conseguir estar educando, levando conhecimento direito em estágio de futebol
para que as pessoas tenham maior consciência e maior participação na vida pública.
São 60 mil pessoas que estão lá.
E quantas televisões estão naquele momento filmando uma partida de futebol, por exemplo.
Mas voltando ao link da questão das eleições,
realmente a gente vai pensar que é um período eleitoral, que vai ver lá o Tiririca falando,
vai ver o filho do Jair Rodrigues falando, vai ver o cara do KRB falando,
mas eu digo para vocês que a gente tem que acreditar que existam pessoas
que têm capacidade, informação para participar e fazer essa nossa democracia
que seja representativa acontecer e principalmente que esse momento de eleições
e a pergunta que me foi feita no form spring que eu tenho lá, dizia assim,
Carmel, se não acha que essa questão de obrigar as pessoas a votar
e a pessoa não poder participar, por exemplo, de um concurso público
se ela não vota, não é uma ferda de liberdade, as pessoas não estão perdendo o direito de escolher
de não participar.
E aquilo já me surgiu, vários questionamentos e eu tenho que compartilhar com vocês
que eu fiquei pensando e pensei alguns dias para não responder simplesmente alguma coisa superficial
e me veio na cabeça que a gente está cada vez mais individualistas
e a gente vê vários filósofos e grandes juristas falando sobre isso,
balma, enfim, falando sobre a sociedade do espetáculo, dessa questão das pessoas,
que está cada vez mais absorvidas pelo consumo, pela imagem, pela estética
e até buscando uma identificação pelo dinheiro.
Pessoal não consegue se relacionar com cada vez mais individualistas.
Então, essa ideia do que eu trouxe lá do site que tem de relacionamento com os leitores
veio para falar para vocês que o que me surgiu na cabeça quando essa pessoa me perguntou sobre obrigatilidade
é que a gente tem que pegar esse momento para refletir o que é a nossa cidadania,
a nossa capacidade de ser mais ou menos um cidadão.
E eu escrevi um ativo na página 2 do jornal exatamente sobre isso, sobre cidadão ou seu cidadão.
Então, depois vocês vão poder ler todo o jornal, tem vários ativos interessantes de professores aqui da casa,
mas a ideia é a seguinte, não adianta a gente querer pensar que não devemos participar
ou que esse sistema de representação é falho, tem muito político que não funciona,
que não trabalha, que não está cumprindo com seu papel,
mas a gente tem que pensar nessa época de eleição como é que nós estamos participando da vida e comunidade?
O que nós estamos fazendo para melhorar o nosso meio?
E a academia, hoje a gente está aqui reunidos, nos reunimos para conversar,
justamente para que vocês possam refletir sobre o que a gente pode fazer de diferente,
não só assim ser um servidor público, tudo bem, não quero dizer que ser servidor por não é importante,
mas o que nós podemos agregar a nossa história de vida como cidadãos e preocupados com a vida do planeta?
Nós vemos hoje que todo mundo está falando em problemas ambientais
e eu participei de um projeto de seleção agora no México e não fui selecionada,
mas eu acredito que muito assim dessa não-seleção está relacionada
porque eles queriam selecionar jovens ativistas para tratar da questão das mudanças climáticas.
E eu falei para eles que a primeira coisa que a gente deveria tratar é de ser humano,
porque não adianta a gente tratar do planeta se o ser humano não se sente parte,
se a pessoa não se sente parte integrante do meio social que ela vive.
Então a cidadania, essa questão do vosso também é um mecanismo de nós demonstrarmos o nosso compromisso com o coletivo,
mas principalmente a gente tem que imaginar que a cidadania está muito relacionada
com essa questão de ser ou não ser um cidadão, de ser ou não capaz de interagir, de questionar,
de formar consciência crítica pela leitura do jornal,
de formar a consciência estudando e sala de aula,
de se importar com as questões sociais do meu bairro, do meu trabalho, das associações comunitárias.
Então hoje essa ressignificação da cidadania, ela passa pelo nosso compromisso.
E como a gente vê assim, uma pessoa que não tem uma oportunidade de ser inserida,
e ela deve estar sendo inserida para ser excluída,
vou contar rapidamente, exemplo, lá do Rio de Janeiro, que eu cheguei do trabalho lá também,
meu trabalho de pesquisa do Estado é em cima da Escola de Samba da Mangueira,
e o meu sonho é ver direito, cair no samba, ser tão popular quanto samba, assim como o futebol,
então quando eu cheguei no Rio, via no Galeão,
fizeram uma placa de sonorização para, dizendo que era para diminuir o barulho da comunidade da favela da Maré.
E eu sou carioca pesada, estou a citar que é só da casta, não é?
É magão, isso é total, mas aquilo me chocou muito assim,
porque eu não vi de nenhuma maneira aquelas pessoas se sentindo incluídas
com aquela barreira de sonorização que tinha ao lado da Via,
que é caminho do aeroporto de Galeão e que vai passar depois as olimpíadas,
os jogos e tal, que nós vamos ter futuramente ali.
Então eu fiz um trabalho de pesquisa em cima disso também,
que falou sobre o trabalho do Bloco Carnavalesco que tem lá, que é o Sibense, que dá.
E a ideia do Bloco, Sibense, que dá,
eles queriam mostrar que mesmo diante das diferenças, das diferentes facções,
ou de grupos como a do vermelho e tal, eles conseguiam circular naquela região,
e eles queriam se mostrar, se fazer presente naquela sociedade,
porque aquele muro ao invés de incluir, excluir, e foram 20 milhões de reais,
foram 20 milhões de reais empregados nesse trabalho de sonorização,
e que na verdade deveria ser investido em outras coisas como educação, saneamento básico.
Então eu estou falando várias ideias do que eu venho fazendo, o que eu venho pensando,
para dizer para vocês que vocês para mim são uma esperança,
de a gente construir uma cultura jurídica diferente do que a gente tem visto hoje.
A cultura jurídica que nós temos absorvida é uma cultura de assistencialismo,
é uma cultura de aquasiguamento de conflitos,
e a gente não pode olhar o direito só como um instrumento de mediação,
ou um instrumento de resolução de conflitos.
Nós temos que ver o direito como uma capacidade de empreender,
de nos colocar, de nos dar possibilidade de ser inseridos no espaço público,
de utilizar uma lei Ruanê para fazer um trabalho social, uma comunidade,
de colocar, sei lá, vamos fazer um documentário com a própria lei Ruanê,
mas lógico, eu não estou falando de uma lei Ruanê que hoje não é perfeita,
também tem um trabalho convocado sobre isso, e que ela é uma lei deficitária,
que a gente tem instrumentos que não conseguem efetivar devido essas dificuldades técnicas,
que eu confesso que eu estou inserida nisso,
passe por essa dificuldade de conseguir colocar em prática projetos pela lei,
e que existe muito recursos disponíveis no Brasil mesmo, dessas grandes empresas.
Então, assim, eu tenho poucos minutos, quantos minutos mais eu tenho para falar,
por ser aqui. Eu tenho cinco minutos, então, eu quero dizer que para mim,
realmente, assim, fica emocionado de estar aqui,
eu gostaria que vocês olhassem para o jornal com uma oportunidade,
não só de leitura, mas de reflexão sobre o sentido que vocês estão dando para a academia,
e o sentido que vocês querem dar para a vida de vocês como profissionais,
porque vocês podem ser bons procuradores e advogados, juízes,
mas vocês podem trabalhar o direito dentro da comunidade de vocês,
e revolucionar com uma gestão local compartida, utilizando os instrumentos do Estado,
que o Estado possibilita para melhorar o contexto local,
ou fazer planos maiores, criar institutos de pesquisa,
investindo conhecimento nesse sentido,
porque a gente vê que ao longo da história dos direitos fundamentais e da história do homem,
a consolidação de direitos se deu sempre por lutas e conflitos seculares.
Então, a gente precisa sempre estar pensando no direito, na cidadania,
sempre pelo exercício do voto, sempre pelos meios tradicionais.
Nós temos que pensar na cidadania nessa capacidade de sermos mais capazes,
temos mais capacidade e vontade de participar da vida comum.
Então, no final da resposta, finalizando, e vou fazer uma dinâmica com vocês,
no final da resposta eu disse, se a gente não tem um compromisso com o próximo,
que fim que vai ter então de gestão pública, de gestão local,
até que fim que nós vamos dar para nossa própria espécie.
Então, eu gostaria de fazer a dinâmica que eu acho que vai ser interessante,
e como nós estamos filmando, eu quero mostrar para todo mundo que vai ver,
de Brasil e fora de Brasil, o que é o seu cidadão.
Então, nós vamos aproveitar que a auditoria está cheia,
e um lado da auditoria vai fazer uma ação,
e o outro lado da auditoria vai fazer uma outra ação.
Essa música que eu vou cantar com vocês, é de uma banda do...
Piscinco Ativos, o nome da banda.
São amigos mesmo do Rio de Janeiro,
e vocês vão entender por que eu escolhi ela ao longo do diálogo que nós vamos fazer.
