Aquilo que o arquiteto Adéar Caritas fez foi fazer uma investigação exageradamente
profunda, não só sobre as casas isoladamente, mas sobre a evolução e a história da arquitetura
civil portuguesa desde o princípio de Portugal até aos nossos dias.
E, portanto, isso naturalmente é uma investigação que levou muito tempo, que obrigou a redeslocações
aos sítios onde estava a documentação e, para além disso, enfim, o livro não só
tem esse aspecto do lado de texto e, portanto, investigação, mas tem também uma série
de fotografias sobre as várias casas espalhadas ao longo de Portugal e, portanto, também
houve que ir aos vários sítios para tirar esses retratos e assim também foi uma coisa
que levou o seu tempo a fazer.
A ideia surgiu na altura, eu era presidente da direção e entre outras atividades e peças
com morativas para o aniversário dos 30 anos da Associação, em 2008, pensou-se em
comendar um estudo de arquitetura comparada relativamente à casa senorial portuguesa.
Pedimos ao professor Eldar Carita que elaborasse esse estudo, que ele aceitou e ao fotógrafo
António Homem Cardoso, o mestre António Homem Cardoso, que fez essas fotografias.
Em termos de projeto, o projeto foi um projeto com longa duração, isto foi muito proposto
no início, fazer um trabalho sobre as casas da Associação das Casas Antigas, mas ele
foi evoluindo para, digamos, para uma história da casa senorial.
A Associação tinha casas de épocas muito diversas, chegava até o século XIX, que era
complexo normalmente o que se considera a casa senoria, a casa nobre vai até o século
XVIII, não inclui, digamos, o palaceto, ou o século XIX, e ao abordar o século XIX
acabamos também abordar a parte da Idade Média, que no fim de contas acaba a partir
de relações com o século XIX, os rivalismos, que depois trouxe-nos também que era a necessidade
além das casas da própria Associação, estendermos, ou património português a todo
o país, optámos por este título, que é não a casa nobre, mas a casa senorial, porque
tens de caráter mais abrangente, e para o outro lado, a casa corresponde também a
qualquer coisa que tenha a ver com a vida cotidiana, com os rituais.
Neste caso, é bastante mais a visão do arquiteto do que a minha, isto é, imagino aqui que o
arquiteto vai falar exatamente só desta esfera, e eu podia aqui fazer um brilhareto
com a esfera em primeiro plano, ou em segundo, juntar-lhe elementos, fazer ligações cênicas
com o ambiente, neste tipo de livros, essas coisas são proibidas, o papel de fotógrafa
mais apagado.
E é um livro que, da minha parte, de fotógrafo, se limita a dizer bem a verdade, isto é,
que não há especulação fotográfica, não há o bonito pelo bonito, não há o efeito
mais ou menos dramático, tem uma imagem que acompanha um texto que é uma investigação
absolutamente notável, em que tudo se encaixa e tudo se reconstrói ao longo de séculos
e na casa portuguesa.
