Jesus, manda teu espanho para transformar meu coração.
Jesus, manda teu espanho para transformar meu coração.
Eu, a época da minha vida que eu passava noites a minha adolescência chorando, eu falava, meu Deus, por que que eu sou gay?
Por que que eu olho para um homem e eu tenho o cinto desejo? Eu olho para uma mulher e eu não sinto nada.
Quando eu percebi que era um pouco diferente das outras pessoas, isso não foi muito bom porque?
Porque o meu contexto religioso comunicava que isso não estava de acordo com a vontade de Deus.
Eu passei a entender que, na verdade, eu tinha uma leitura errada sobre a homossexualidade, sobre o que era realmente fé cristão, cristianismo.
Que Deus quer de mim, enquanto palavra de Deus, é que eu possa promover a vida.
Então, eu, enquanto transexual, eu me alegro porque eu posso sinalizar para outras, venham.
Aqui tem lugar para vocês, a Casa de Deus está aberta, vem para cá.
E a fé é aberta para todos. Já fui em outras igrejas, não fui muito bem recebido, porque as pessoas querem mudar você.
E eu não quero ser mudada, porque eu não faço nada, eu só trabalho e pago conta.
Trabalho e pago conta. O que mais que o Brasil quer? Eu acho que é isso que o Brasil quer.
Pessoas que trabalham e pagam contas, sejam ativas ou passivas, a louca.
Mas a gente entende que será ativo e ativo mesmo de você fazer parte desse país.
Todo cidadão tem direitos iguais, diz a nossa Constituição.
Mas isso, de fato, não acontece.
Então, todas as oportunidades que temos para participar do movimento LGBT devem ser aproveitados
como oportunidade de marcarmos uma posição a favor daquilo que nós acreditamos, que é justo.
E aí, nós elegemos o casamento igualitário como sendo uma bandeira prioritária.
Conheci a ICM através da internet, quando eu e o meu companheiro resolvemos oficializar o nosso casamento.
E eu cavei com o Roberto, que foi uma celebração linda, 12 casais puderam dizer sim.
E já, graças a Deus, dia 12 de outubro, agora de 2012, nós completamos três anos de casados.
Quando eu cheguei na ICM, não era Alexia, eu era Alexander.
Desde pequeno, no caso pequena, eu tinha dentro de mim esse desejo de colocar para fora o que eu sentia,
no caso de me vestir como mulher.
Só que pela minha fé de experiência católica, eu achava que isso não estava certo e que eu tinha que guardar isso para mim.
Vindo para a ICM, eu fui me soltando mais.
Eu fui vendo que eu tinha uma igreja onde eu poderia ser eu mesma.
Nós chamamos, Espírito Santo, fica conosco, transforma o nosso coração nesta noite.
Ao medida em que nós vamos vivendo numa comunidade que tem claro essa missão de desconstruir esses paradigmas religiosos, sociais,
passamos a nos amar mais, a nos respeitar mais, percebendo a beleza dessa diversidade.
Eu acredito que as igrejas cristãs vão chegar um momento da história, que elas vão ter que se abrir para homossexualidade,
para transexualidade.
Eu sei que eu não vou ver, mas eu sei que eu estou fazendo parte desse processo.
Eu sei que eu estou abrindo portas.
E há uns dois meses, mais ou menos, eu comecei o curso de Teologia.
Para daqui três anos, se Deus quisesse ordenada, talvez a primeira reverenda transexual do Brasil.
Solta a sua voz.
E ficar.
E passeia.
E passeia.
