Eu entrei em contato com a mãe do rapaz e, em comum acordo, pagando a metade do aborto,
cada uma, foi feita numa clínica particular, evidentemente, fora da lei.
Então, é uma questão de escolha da mulher, sabe?
Não uma questão para evitar o aumento de população, uma coisa parecida.
Aborta é uma coisa que todo mundo conhece alguém que fez, né?
Todo mundo tem amigos que fazem e pouquíssimo são suas oportunidades de fazer num lugar legal, né?
Eu não posso considerar uma mulher que é iminosa porque ela pratica aborto.
Acho que a camisinha tinha que ser de graça, acho que o piloto com a opção autina tinha que ser de graça.
E aí, junto com essa legalização, teria que ter uma campanha de informação para as pessoas.
É uma opção não ter filho no momento que quer.
Você acha que o aborto poderia ser descriminalizado?
Poderia, com certeza.
Você vai ter um médico fazendo aborto sem o risco de você morrer no ato.
Porque o aborto vai continuar existindo.
O aborto sempre vai acontecer.
Se ele deixa de ser um crime, a gente vai poder ter clínicas especializadas.
E ela não é... a mulher não é uma criminosa fazendo um aborto.
O aborto...
Sou favorável à legalização.
Porque hoje as nossas mulheres, além de ser sofridas, os maridos têm muitos que não dão condições
e muitas mulheres acabam a fazendo um aborto até por falta mesmo de companheirismo do seu companheiro.
Já tinha três filhos, marido. Não cria nada com a vida.
Eu sozinha para cuidar das crianças.
Aí me obriguei a fazer o aborto.
Nós não imaginamos nem mesmo a metade do que ela realmente passa.
Trinta e seis anos.
Você tem dois filhos.
Ninguém é um forçado a fazer um aborto.
Faz quem quer.
O crime não é crime. Você depende da condição das pessoas que está abortando.
Você vai ter muitos filhos onde que ela mora. Certo?
Já abortamos três, quatro.
Antes de morrer, eu já vi falar que tomou isso e morreu.
Estima-se que o aborto seja uma das principais causas de mortalidade materna no Brasil hoje.
Eu sou a favor que o aborto não seja considerado crime.
Eu tenho estudado. Eu não sou obstetra com o estudar da saúde materna infantil,
mas eu sou epidemiologista e tenho estudado nos últimos anos a epidemiologia das mortes maternas.
E o aborto é uma causa importante de morte materna.
Verifica-se que muitas dessas mortes, ou quase a totalidade das mortes por aborto,
provavelmente seriam evitadas se ele não fosse custado um crime.
Acho que não é crime, não. Acho que a mulher tem direito de optar.
Eu acho que se o nosso país fosse legalizado a questão do aborto,
não teria acontecido o que aconteceu ontem.
Foi encontrado dentro de um saco de lixo, junto com uma tesoura, uma meia.
E foi a cachorro que achou.
Ela que achou o feto e trouxe para casa.
Eu botei junto com o cachorinho dela.
Aí a mulher se telefonou para a polícia.
Aí todo mundo, aí todo mundo ficou olhando.
E aqui ficou um pedaço de amor de um pedaço e outro pedaço de colar e um pedaço de coque.
Você chegou a ver isso?
A polícia telefonou para a ambulância.
Aí vieram levar os pedaços e o outro que pegaram.
Quem sabe essa pessoa que fez esse aborto,
está até correndo risco de vida com medo de recorrer a um hospital.
A vida é muito triste para criar um filho. Eu tenho sete filhos.
Por que a senhora está chorando?
Porque no Brasil só tem zero.
Porque tem muitas meninas novas engravidando e o pai não assume.
Então ela se acaba fazendo um aborto.
Igual ontem eu acabei de ver um assino muito triste, né?
Mas vai saber o que essa mãe não estava passando.
Quem sabe, né? Então quem sou eu para julgar?
Tem a discriminação.
Ah, puxa a vida, aquela mulher ali.
Ela é puta porque ela abortou um filho, sabe?
Sim, às vezes a gente vai no hospital.
Como eu já levei a mulher que aborta, vai no hospital.
Chega lá, né? Todo mundo fala.
É, isso não é mãe, é uma cachorra, é uma vaca, é um animal.
Mas ninguém sabe o que ela passa lá fora.
Porque eu penso assim, eu tenho meus sete filhos.
Mas se eu ficasse hoje, eu não sabia o que eu poderia fazer.
Talvez eu faria um aborto também.
Então, por que?
Porque chega o filho, nasce, vem para o mundo.
Uma roupa velha, todo mundo dá.
Mas é alimentação, é educação.
O carinho que o meu pai pode dar e nem a mãe.
Então eu acho assim, Jesus Cristo nunca...
Ele não julga nós porque nós julgamos o próximo, né?
As mulheres que nós atendemos,
elas chegam encaminhadas através das delegacias de defesa da mulher.
CRM já nos encaminhou.
Alguns a promotores e rede-crianças de uma idade de 11 a 16 anos.
Normalmente são estupradas pelos próprios pais biológicos.
É a questão da mulher que nos procura, ela é atendida,
é feita um aborto por médico, em clínica.
Aí tem todo o atendimento.
Dentro de mim, na verdade, não era um ser humano que estava se desenvolvendo.
De repente era um monstrinho, como eu me definia na época.
Pra mim era um monstrinho, não era um ser humano que estava dentro de mim.
Porque a partir do momento que se traz dentro do seu organismo,
o fruto de uma relação violenta de alguém que você não pode considerar como humano,
então fica muito difícil você considerar esse resultado, esse fruto como humano.
Então, na verdade, o aborto pra mim foi um alívio, realmente.
Foi tirada da minha vida, do meu corpo e da minha vida.
É uma coisa que pra mim está só fazendo mal.
Mas eu tenho muita preocupação com as mulheres que provocam o aborto.
E que chegam aqui e a gente tem uma estatística, né,
de uma estatística que mostra que 1991, 341 mil, 911 mulheres,
foram vítimas de sequela após aborto.
Então isso me preocupa muito.
Porque aqui, sendo um produto socorro, a gente recebe na clínica de ginecologia
mulheres que provocam o aborto das formas mais agressivas que você possa imaginar.
Eu só favor do projeto de lei da senadora Eva Blay,
porque eu penso que as mulheres não fazem aborto por diversão.
Eu penso que ela com isso busca evitar um mal maior.
Nos parece que a questão do aborto não é uma questão plebiscitária,
não exige maioria porque nós podemos ter uma porcentagem da população
que engravida, inadvertidamente, não de maneira planejada
e que, num determinado momento, não podendo assumir esta gavidez opte pelo aborto.
E isto é uma questão de livre arbêntio que a lei precisa contemplar.
O Hospital da Santa Casa atendeu em 1989, 992 casos de mulheres que praticaram aborto.
Em 90 foram 1.461 casos.
E só em janeiro e fevereiro deste ano já ocorreram 440 abortos.
Hoje o número aqui é de 8 por dia.
A sociedade brasileira já aceita o aborto.
E é preciso que isto se torne oficial.
Eu acho que a mulher tem que ter o direito de decidir se ela vai fazer um aborto ou não.
Se ela é casada, solteira, viúva, tico tico no fubá, isso não importa.
Ela é dona do corpo dela.
A mulher tem o direito de decidir sobre seu próprio corpo e nos trabalhadoras,
que muitas vezes somos milhares, que somos empurradas a ter que fazer o aborto.
Queremos ver de uma vez por toda isso varrido do código penal.
A mulher tem que ter o direito de decisão.
Nós da Comissão de Mulheres da Cústia estamos encampando esta luta pela legalidade,
para não só pela legalidade, o fim da morte das trabalhadoras.
Música
Música
Música
Eu adoro ser mãe, eu adoro meus filhos.
Eu tenho uma relação muito legal.
Ele sabe que eu fiz o aborto, sabe que condições foi?
Eu sigo a religião espírita.
Segundo o Espiritismo, na minha concepção, o aborto não é um crime.
É um crime que você vai pagar pelo resto da sua vida.
Encontra a partir da minha cultura fora da religião, já me diz o contrário.
Eu acho que cada pessoa deve fazer o que pensa e arcar com as responsabilidades.
Eu sou católica e acredito em Deus.
Mas acho que essa questão do aborto é uma questão de consciência.
Não deve haver lei nem jurista para determinar isso.
Em relação à Igreja, eu penso que é importante lembrar que, na sua história,
essa posição fechada da Igreja oficial, essa posição oficial da Igreja em relação ao aborto,
ela é uma posição relativamente recente.
Sempre na história da Igreja houve discussões, houve questionamentos, houve interrogações
a respeito da aceitação da validade ou não de um ato abortivo por parte das mulheres.
O ato do aborto não é considerado homicídio, pois não se pode dizer
que exista uma alma viva em um corpo que carece de sensações,
já que ainda não se formou a carne e não está dotado de sentidos.
Essa palavra é a palavra de Santo Agustínio.
Legalizar ou discriminalizar seria uma maneira de fazer com que as mulheres que não têm condições,
porque são elas que são mais castigadas com essa proibição do aborto,
então primeiramente essas mulheres poderiam ter acesso para fazer o aborto de uma maneira mais digna.
O que eu entendo é que para resolver essa questão angustiante do aborto no nosso país,
primeiramente tem que lutar com as verdadeiras causas do aborto,
junto hoje com a discriminalização, justamente para minimizar um pouco a dor,
o sofrimento, a angústia de mulheres que estão na obrigação de abortar.
O problema do aborto é um problema importantíssimo da sociedade.
Agora é justo que a gente fuja desse problema com uma penada declarando que é crime fazer um aborto
e esquecendo o porquê desse aborto, a necessidade ou não desse aborto,
uma discussão humana e mais profunda das pessoas que têm de fazer isso,
uma discussão mais humana e profunda do problema da mulher.
Foi numa quina de uma cama, dar uma cena que eu não esqueço, ela me fez o aborto com uma mulher.
A defesa da discriminalização do aborto é uma defesa da vida.
Operar e não opera, eu não tenho dinheiro para pagar o operar.
O rico tem dinheiro, o rico só tem duas filhas e não opera, pobre e não tem.
Esta questão também é uma questão de poder e uma questão de verificar
para onde queremos levar essa nossa democracia.
Falar sobre a discriminalização do aborto não é coisa para leigos como eu, é assunto muito sério.
Mas, evidentemente, a gente pode dar um testemunho daquilo que viu, que viveu e, de certa forma,
até que presenciou, que são os casos terríveis de mortes, de mutilações de pessoas
que, de qualquer forma, praticam o aborto em condições desumanas.
Vamos deixar de hipocrisias, vamos ter a coragem de enfrentar esse assunto.
O aborto legalizado e protegido é uma necessidade.
Nós não podemos mais continuar fingindo que podemos proibir o aborto.
Não, porque se não tira, ele está aí, existe e é mal praticado.
As mulheres correm riscos terríveis praticando um aborto sem assistência médica, sem nenhuma proteção.
Os meus projetos de lei permitem que homens e mulheres planejam suas famílias.
E que a mulher, no caso de uma gravidez indesejada, possa interrompê-la até a décima segunda semana de gestação.
Os SUS, através do Estado, deverá ser responsável por essas tarefas.
Afinal, o resto do mundo já superou esses problemas.
Nós também podemos levantar a cabeça e entrar no século XXI com estas conquistas,
respeitando a saúde da mulher e respeitando os direitos reprodutivos.
Não é possível que não se defenda a vida das mulheres,
as centenas de mulheres que estão morrendo, que, em consequência,
exatamente do fato de o aborto continuar sendo considerado um crime.
Eu acho que o grande crime é deixar as mulheres morrerem por isso.
Vamos acabar com isso. Nós temos que tomar uma providência a esse respeito.
Vamos deixar a hipocrisia de lá.
