A relação com a loucura, ela está entre dois polos, a versão e o facinho, então essa
dualidade é que vai criar o estigma, que vai criar o preconceito, porque você tem
uma relação com a loucura de amor e ódio o tempo todo, todos nós temos, desde o comê
da humanidade.
Balançando, apoiar pra cá, balançando, apoiar pra lá, balançando, apoiar pra cá, balançando,
apoiar pra cá, balançando, apoiar pra cá, balançando, apoiar pra cá, balançando,
apoiar pra cá, balançando, apoiar pra cá, balançando, apoiar pra cá, balançando,
apoiar pra cá, balançando, apoiar pra cá, balançando, apoiar pra cá, balançando,
apoiar pra cá, balançando, apoiar pra cá, balançando, apoiar pra cá, balançando,
e o subúrbio, o subúrbio do Rio de Janeiro é forte, é uma região muito forte, grande,
muito populosa e de muita tradição cultural, especialmente do Carnaval.
Carnaval.
Nós temos algo acima da linguagem. O que é que é? A arte.
A arte é uma linguagem absolutamente universal.
Por que os alemãs gostam do Brasil e da música? Porque é uma linguagem universal,
uma linguagem que eles entendem, perfeitamente. É uma coisa bonita.
Então, a linguagem da arte, ela é além dessa linguagem.
Para mim, a oficina terapêutica é só isso. É um pouquinho além.
É pular, se comunicar de outra forma, se comunicar pela pintura, pela escrita.
Então, o bloco para mim também é isso. É uma linguagem artística para fora.
Ele vai mostrar uma forma de eles serem sem precisar estar no discurso normal que eles não têm.
O que eu já vi são pessoas que, às vezes, têm um comportamento catatônico,
a gente poderia dizer, pessoas que, em geral, têm dificuldade de comunicação,
que não falam. Eu já vi vários exemplos disso.
Colocou a música. Começou a batucada. Essas pessoas se levantam e saem dançando.
A música no carnaval, ela é o que move. O que move o corpo é a música.
E tem uma característica importante que a musicoterapia trabalha,
que é o batimento cardíaco, ele é binário.
O som do samba tem um compasso binário.
Ele funciona. Um forte fraco, forte fraco.
E esse compasso binário entra em ressonância com o nosso movimento.
O nosso pulmão funciona de forma binária, o batimento cardíaco.
Nós andamos de forma binária, então isso tudo proporciona o movimento.
Então, o som e a ressonância é o nosso corpo.
Não é por acaso que as pessoas dançam. É porque se está rebontando
uma situação que é absolutamente corporal, orgânica, que é o compasso binário.
O objetivo, quando vim para cá, era ver esses muros derrubados.
Já que nós estamos fazendo um trabalho de liberdade,
de que essas pessoas possam circular, então vamos derrubar esses muros.
E por que que eles não foram? Que eles não caíram.
Porque o que eu constato hoje é que eles estão aí,
não é para que os meus pacientes fugam.
É para que a violência não entre.
puisque os pícios não vêem eles enquanto cidadãos.
Vêem eles como um número, uma pessoa que qualquer.
E a gente está nesse projeto, a gente está querendo o que eles se façam cidadãos.
Então, a primeira ação que a gente fez foi tirada a documentação de todos os nossos pacientes.
Hoje, todos têm uma identidade própria.
A segunda, como é que a pessoa pode ser cidadão sem dinheiro.
Então, essa é a forma de fazer o que a gente vai fazer.
Então a segunda questão foi tentar tirar um benefício para que essa pessoa pudesse
consumir alguma coisa fora do hospital, que nós queremos deles e a pena que eles se
tornem banais, nada mais do que a banalidade da vida, isso é que é interessante, é
a banalidade, é a coisa assim, fazer um café.
O engenho de dentro já foi muito rico de carnaval de rua, e nós com esse bloco, sem
a intenção, nós reinalguramos o carnaval de rua, de um bairro que estava até então
adormecido.
A partir daí a participação da comunidade é cada vez mais frequente, pessoas virem
aqui antes do carnaval e se oferecerem para participar.
Agora vamos ver o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é
Quando você bota a loucura suburbana fora, causa um espanto, porque a loucura está
no seu lugar, algum seu lugar que é de estar.
E aí você percebe que esse lugar é ocupado com uma pessoa que pode ser você, então
há uma aproximação de você e essa loucura também.
Então acho que essa é uma transformação que vem acontecendo e é muito interessante
onde está percebendo isso.
Eu me lembro de ter visto as pessoas na beira das calçadas curiosas com um olhar curioso
vendo o bloco passar, mas foi muito interessante que à medida que o bloco passava, essa expectativa
ia dando lugar a participação e as pessoas foram entrando no final do bloco e participando.
Eu moro aqui naquele prédio ali e tudo que você vê nessa praça eu não consigo, eu
gosto muito e acho que isso melhora o bairro.
Para mim a loucura suburbana antecipa a mudança que a gente está fazendo.
Ora, o bloco sai no primeiro ano que a gente está lá implantando um projeto de mudança.
Para mim o bloco vai antecipar essa mudança, ele vai acompanhar, ele não falhou um ano,
ele vai sair todos os anos mostrando o valor dessa moçada para essa cidade.
A primeira vez que esse bloco saiu as pessoas tinham horror a ele.
Eu ouvi lá fora comentários assim, soltaram os loucos, tiram as crianças de perto, fecham
os portões.
No ano passado eu documentei isso, fiz o mesmo percurso que eu fui no primeiro ano,
já era oitavo ano, e o comentário é assim.
A bateria este ano está melhor do que o ano passado, a fantasia está mais bonita, então
não era mais aquela coisa dos loucos que soltaram.
E a função do bloco, ela tem a função de integrar essa loucura na sua comunidade que
está aí.
Eu acho que o mais que eles aprendem é que eles têm uma parte muito igual a todo mundo.
E eles passam aí a ser o protagonista principal dessa festa.
E o loucura suburbana é um descoverso de tudo para mim, porque quem me dá força,
incentivo, quem me dá um valor de reconhecimento, mais loucura suburbana me ampara em tudo,
em termos de compreensão, em termos de... assim, incentivo.
A loucura é uma quebra de padrões, a loucura quebra totalmente qualquer padrão.
Ela não tem lei, a lei dela é própria, não é a nossa lei.
Então nesse sentido que a gente fala que há uma liberdade total para que os loucos
e os não-loucos se encontrem na mesma loucura.
O carnaval é emoção, o carnaval é alegria, o carnaval é tradição, o carnaval é harmonia.
A loucura suburbana!
Essa oposição entre sanidade e insanidade é que traz a exclusão, é que traz o grande
abismo, a fronteira.
E durante muito tempo, a tendência da medicina e da psiquiatria é transformar, é curar.
Nós chegamos à conclusão que não a cura no caso da psicóloga, a gente não quer isso,
porque a gente quer percebendo a diferença, aceitar que há uma diferença dos sujeitos
e aceitando isso, conviver com a diferença da melhor maneira possível.
Então nossa, eu não sei até quando é que vai ter graça, mas aí ela ainda tem graça
porque assim, é um bando de maluco saindo dentro dos pichuos aqui, que era aqui, que
apresenta essa coisa pra rua, que levando a sua loucura pra rua, e acho que esse simbólico
ainda tá muito forte, pode ser que ele depois não seja mais necessário, mas ainda a gente
vai correr um tempo com ele nessa necessidade de ser um simbólico forte.
Vamos festejar com emoção e harmonia, eu quero compartilhar e contagiar essa alegria
que vem lá do céu, e dá vontade de cantar essa sensação que bate no meu coração,
essa sensação que bate no meu coração, vem cantar, vem balançar e sofrer, essa alegria
que vem lá do céu, vem cantar, vem balançar e sofrer, essa sensação que bate no meu coração,
vem balançar e sofrer, essa sensação que bate no meu coração, vem balançar e sofrer,
