O meu dia inteiro é 50% previsto e 50% imprevisto.
Não há nada que eu me levante de manhã e sinta que o horror tem que ir para este sítio.
O meu dia inteiro é 50% previsto e 50% imprevisto.
Não há nada que eu me levante de manhã e sinta que o horror tem que ir para este sítio.
Ou que o horror tem que ir para este sítio, ou que não apetece nada, ou não há nada.
Para mim, Criária é o momento em que eu vou a uma fábrica, a um sítio pelo qual há um apaixão
e estou duas, três horas a falar com o trabalhador e a engenheira
estava a explicar como é que se faz cimento e eu acho divertidíssimo e nem sequer tento explicar-lhe a aula
que eu não estou interessada de como é que se faz cimento, eu quero é filmar a máquina, que o faz,
mas tenho que passar por todo o entusiasme dela a explicar-me a mim como é que se faz cimento
e para mim isso já é o momento de criar.
Eu gosto de imensos de espaços que nos causa, que nos redimensionem,
que me põem na minha dimensãozinha pequenina e fraje-o e aquela ponte 25 de Abril é uma coisa fabulosa,
que nos põe na dimensão realmente que não somos fraje-os, não é, de corpo pequenino e fraje-os
e portanto assim desde o som ao rio, à dimensão do rio, à ponte, tudo é tão esmagador
a nível da paisagem que eu sinto aquele espaço privilegiado.
Adoro superfícies de materiais, grandes superfícies de materiais,
onde as prateleiras dão ideias muitas vezes com materiais para executar peças
ou para executar situações em que instalações, etc.
Eu não consigo relacionar tão bem com a pintura quanto com a escultura e com o espaço.
A coisa tridimensional é muito mais satisfatória para mim
do que o traço, do que a tinta, do que o desenho e do que o plano bidimensional.
Eu gosto muito de ser apaixonada pela mecânica das coisas e pela mecânica do fazer.
Eu posso fazer uma obra, uma obra, um objeto de arte com uma garrafa d'água
e por um espectador com uma garrafa d'água não ter qualquer intertenso
e vai para o lixo e a reciclada, etc.
E porque eu dei uma história àquela garrafa d'água, porque eu me relacionei de forma diferente
ela passou a ter em si qualquer coisa mais mágica do que as outras.
Eu era muito miúda quando eu sabia perfeitamente que queria ser artista.
Eu queria ser artista, artista e artista.
Eu queria ser artista, artista e artista.
