E era assim que íamos para a escola, a pé a intravaladares, a pé...
E muitos íamos de escala, não é?
É, e era.
Era, era rápida, era rápida não.
E o guarda era nacional, havia três e o guarda achou que era um saco de lona,
de cara a parte, assim, de cara a parte de cima.
E muitos íamos de escala, um saco de lona.
Era, passávamos muito frio, a escola era toda esboecada, toda sem jeito nenhum,
havia casa de banho, havia para ir.
Uma coisa qualquer, que sustituía a casa de banho, não havia nada,
os rapazes numa escola, nós na outra,
tínhamos um recreio, quando nos juntávamos todos aí,
que depois vinha um rapaz de era perigo, ali, um brinco de caro, uma farra.
Vínhamos lá a moçar a casa, e depois ainda íamos outra vez à escola,
e às três e meia, mais ou menos, acabávamos lá, vínhamos nós.
Depois chegávamos, trazíamos nossos deveres da escola, fazíamos e íamos com as ovelhas,
para o monte, juntávamos aí o pessoal todo.
Iamos para os montes, com as ovelhas, lá andávamos com as ovelhas,
e depois podem arrasar uma vida.
Uma vida que foi assim durante muitos anos, sabe?
Só quando acabou aquele regime, que nós tínhamos,
ajudávamos mais as pessoas, mas as outras, que agora é cada um,
e o governo não se posa.
Depois de 25 da viabilidade, isto não era difícil.
Depois de 25 de abril, isto levou aquela volta grande,
mas eu, por exemplo, desde que me apanhasse por gente,
até hoje, até hoje, 20, 20 e muitos anos,
isto foi assim ano após ano, sempre naquele ambiente,
mas por muito tempo eu tinha uma sacada,
ela ia me ajudar, hoje ia ajudar,
depois já estava com as pessoas, mas as outras.
A vida, então, era mais...
Era mais comentário, era.
Havia muita gente levada-se ali no tanque,
e o forno, vocês não coziam o forno que era em Serpão.
Eu já não posso explicar isso, não sei.
Mas o forno, Lucia, já foi também, vocês não.
Você já pediu essa paz.
Mas eu, quando me criei durante muitos, muitos anos,
cozíamos em casa.
Depois começaram a ver esse forno comunitário.
Eu levava a minha brava, ela levava a minha brava até,
ela levava a outra brava.
É, não duramos ali nenhum sistema.
Mas vamos dizer que esse sistema de viência,
e estas pessoas mais velhas, era tudo em casa.
Pois eram para um em casa.
E tudo.
Eu ainda sou de tempo,
que diziam que os animais estavam por baixo do estado,
a habitação era em cima,
e eles estavam indo para a casa.
Era oquecimento que havia.
As casinhas assim, mais velhas,
parece que tem aquela escada com o forno.
Sim, sim.
Nós na nossa cozinha, na cozinha,
tínhamos um...
Um caixa de panlamã.
Um caixa feito em vez,
uma boa dada.
A cozinha, a pia do porco,
e a gente, de cima até estava lá,
a doutora, a pia do porco.
Pois nós, na nossa casa,
já existia a cozinha lá.
Nós tínhamos da cozinha,
deitava-se direitamente,
que havia aquele caixote em madeira,
da cozinha lá.
Era tempo...
Alegre, pobre,
mas alegre.
A gente quase não tinha dinheiro.
Pois.
E eram duas coisas que se dividia,
do campo, e lá se faziam dinheiro.
Para comprar peixe, dava-lhe óculos.
Ah, não era dinheiro.
Não, não, não.
E assim, quando...
Ah, gente, que tinha dinheiro.
Tinha assim, na ordem da dita,
já que o dinheiro era muito forte.
Alguém não tinha um emprego estago,
ou isto aqui, que tivesse ali.
Não tinha nada.
Não tinha que comprar dinheiro,
óculos, ou peixe,
um domílio,
com os fajões, com o seu daio.
Tudo.
O meu pai fumava.
O seu cigarro muito,
não sabia.
Nunca vi o meu pai
bebam-me.
Nunca.
E cigarros.
Menos, menos.
E então,
o meu pai não podia
o cigarros. Tivesse dinheiro
e ia comprar.
Se não tivesse, não era capaz de dizer à minha mãe
que não tinha cigarros.
Então, ele tinha uns coletinhos
assim, com os bolsinhos aqui.
Você não estava sabendo uma pedra no pintal.
E depois, não tinha assim, os dedos ao bolso.
Isso era...
Era outra lá.
A minha mãe via logo, que ela não tinha cigarros.
Dizia-lhe assim,
não tens chupeta, não é?
Não tens chupeta, não é?
Isto está aqui, a volta já arranjada.
A minha mãe...
Ele só fazia assim.
A minha mãe ia buscar
os ovos que tinha lá,
das galinhas.
E ali, a senhora,
que também os comprava para a Espanha,
porque aquilo também fazia
parte do contravado.
Os ovos, muito, muito...
Fez muito...
O contravado muito grande.
A senhora mandou os ovos de muitos anos.
Então, a minha mãe pegava os ovos e ia vendê-los
a rosa de freia.
E ainda depois, vinha Brasil
de dinheiro.
Então, ela não se sabe.
Verdade.
Até que o meu pai, houve uma altura,
depois, deixou o mesmo radical de mar.
Chegou um pouco da cárpula,
a casa toda, a garganta garganta.
Um nigo dele, que eu lente,
com uma garganta garganta.
O meu pai...
Então, era o próprio...
Disse...
Não nunca mais fuma uma cigarra.
Mas estava sempre com aquela rita, que sabia.
E a minha mãe dizia assim...
Oh, homem!
Queres fumar, fuma!
Fuma, estás aí...
Estão desejosos por um cigarro?
Beleza.
Mas eu não quero.
Me deixou de fuma.
E não fumou mais.
Era essa época.
E a época dos soldados para o tramário.
Era uma coisa
na mesma altura.
O meu marido, quando foi ninho, disse...
Ah, mãe, que ia para o tramário. Não foi?
Com Deus a mãe.
Ele era filho único.
E não disse nada a mim.
E ele só olhou, quando chegou lá,
é que escreveu uma carta.
Não foi lá, foi a mãe do caminho.
Foi lá.
É dizer que estava lá.
Era na altura.
Tanto que alguns rapazes,
militares, que morreram lá.
Que desertaram.
Sim.
Mas fugiam para o militares.
Fugiam para levar tropas.
Olha, ouvisatores,
ou repomentários...
O senhor está muito bem.
Desatores, sim.
Refletário é aquele que já foi
dar o nome à tropa.
Mas depois fugiu.
E ainda não tinha ordem de
sair para a tropa, sabe?
Dava o nome.
Não era para chegar lá.
Estava na altura, não é?
Queres por ele?
Não sei se na altura ainda era 21 anos.
Dá um bocadinho.
Estás a encostá-lo.
Como é que é? Agora é aos 18.
São maiores.
Mas naqueles tempos que saíram aos 21 anos.
E então, aos 21 anos,
tinha que dar o nome para a tropa, não é?
Está bem.
Então, eles
já sabiam.
E ele, para a tropa.
O Criani, para a tropa, fugiam.
Mas não houve muitos.
Já sabiam o dia, sabiam representar
ele no cortel
e nas vésperas
apassaram-se para a sala.
Mas depois não podiam vir cá.
Claro.
No tempo do nosso governo,
no Salazarista,
eles não podiam vir cá.
Aí, rapazes,
tiveram-se há quantos anos
sem vir a Portugal.
Mas viram-se a blurrôndo, né?
Imagina, se não foi da tropa, não.
Isso não foi a tropa,
porque ela era arrugada.
O cardíaco.
O cardíaco.
E o ruí.
O ruí era afletário.
Mas o dos aventureiros era o cardíaco.
O cardíaco.
E esse apresentário
em Vila Real, Tras Montes,
no dia X,
e ele, na vez,
foi salto para a França.
E teve sorte que não foi apanhado,
não foi nada.
Se não, desgraçado.
Desgraçado, rapazes.
Graças a Deus,
que não vai para a tropa porque
morreu.
E o cabarito.
Ele está sentado.
E a parânica.
Ele está sentado.
Isso é muito douroso.
Foi muito duro essa fase
das mãos poetadas.
Porque no conto é a gente
dizer-lhe, não é?
Na altura, não tinha ninguém.
Já era um homem
muito mais velho.
Já tinha outra vida ninha.
Mas quem tinha filhos.
Naquela altura, para mim,
E esse rapaz, esse câmbio, tinha aqui a família toda.
O mãe, o pai, as imagens, entre as imagens.
Eles teve anos, anos sem...
Que eu nem sei, sem ver.
Mas não, mas não quer ver.
Não podia.
Não podia.
Se eu ganhasse, claro.
Isso, naquele tempo, me faltará tropeza.
Era pior, como os políticos.
E, lá, não sei para onde, o pote-rafalço caiu.
Era muito difícil a vida, após jovens.
Mas, depois, deu-se um 25 de abril, e eles vieram.
Foi um mal dia.
Eu lembro-me daquele rapaz.
Chegou aqui.
Ele visitou tudo.
As casas todas.
Parecia doido.
Ah, levava 20 anos para o...
Não sei lá, não sei lá.
Quanto anos?
Decadas, sei lá.
Será mais de uma década da...
Foi muito difícil.
E eu, muitos que foram, mesmo homens já casados e tudo,
que iam na salto, chamam-lhe a salto, sabe?
Chamam-lhe os carneiros.
Carneiros até cá chamaram-lhe os carneiros.
Olha, aquele...
É passador de carneiros.
E a França, mas iam até.
Os imigrantes, chamavam-lhe os carneiros.
E, depois, iam até fazer o percurso todo, até a França vem.
E com o bairro.
Com o bairro, eles tinham certos sítios,
onde já estava o outro passador,
e os apanhavam lá, naquele tal sítio que combinavam.
Era o que eles fundavam.
Eu também não sei.
E, depois, iam de com o bairro,
e de um ponto, lá tinham que fazer,
não sei o que era, sair daquele comboio.
E ficarem amotados lá num sítio,
acham que era alguém,
depois os versos caem,
só que depois, agora,
eles apanhavam, quando os apanhavam,
se os apanhassem,
viram de cadeia em cadeia, recaminhavam-se ao Portugal.
E, neste percurso,
eles sofriam muito.
Aqui, era o pai dele.
Foi preso três vezes, porque era...
E deu-cá, eu sou muito inquieta,
sabe o que era o bairro que passou?
E, cada vez que iam,
tinha que arranjar sempre dinheirinho, né?
Claro.
E o dinheirinho não havia, sabe o deus?
E depois iam a vá frase,
porque o dinheirinho tinha que pagar aquele dinheirinho,
quem não gostava, e ainda bem que havia alguém que não gostava.
Mas, ele foi preso três vezes,
esses negros.
E sempre de cadeia em cadeia.
E, facida, ele passava numa cadeia,
e ainda deve ser dada, pera, doce.
Imagina que não.
Foi muito difícil.
Foi muito difícil a vida de um imigrante.
Foi muito difícil.
Por isso, eles lá, segundo o ego,
eu ouço contar, né?
E eles, os portugueses...
O seu pai também foi, não foi?
Era como unha carne.
Depois davam-se muito bem,
porque estavam todos para o mesmo,
e tinham todos caçados para o mesmo.
Imagina que uma vez lá,
que comparia e estava,
uma baraca.
Não morava nem em casa, eram não mais baracas.
Meu pai...
Não tinha jazinha.
Meu pai chegava a cozer a roupa e disse como irá mais.
Pois.
Foi a dúvida do felizador.
Havia um que cozinhava.
Pois.
E ajudava-se...
E ajudava-se muito.
Era um jeito de uma maneira...
É, eles criavam muitas amizades.
Já vim o cozer a roupa comer.
Era assim.
Furava do lado e dava um nó.
Devia ser.
O meu pai dizia...
Eu lembro-me.
Por acaso no patate de ninguém,
foi tal que a única foi.
