Olá a todos, sejam bem-vindos ao primeiro episódio do Mons de Resina de 2017.
Hoje focamos no indoor e a abertura do circuito de escalada de bloco da FPME dá o moto a este
episódio, mas há mais a acontecer por cá, por isso não saias de teu lugar e fica para
assistir a mais um episódio do Mons de Resina.
É inegável que os rockódromos e paretos de escalada pretensientes a clubes, escolas
ou até os comerciais, representam um forte atrativo para nossa modalidade, já que potenciam
o crescimento do número de praticantes.
Com este crescimento, torna-se então importante abordar questões ligadas à didática e enquadramento
de grupos neste tipo de atividade.
Neste sentido, a Escola de Montanhas está a promover a quarta edição do curso sobre
ensino de escalada, dado pelo formador Nelson Cunha.
Este curso se ensine sobre estratégias motivantes e seguras para o ensino da modalidade a grupos
de jovens, em contexto de parede artificial.
Mais informações no website da Escola de Montanha, EscolaDeMontanha.com.
Estas estruturas artificiais desempenham um papel focal no desenvolvimento das capacidades
motoras dos atletas, por isso os treinadores e equipadores devem estar habilitados a desenvolver
as ferramentas essenciais para o planeamento e desenvolvimento de treino através do route
setting e fomentar metodologias de treino adaptadas às dificuldades dos atletas.
É nesse sentido que o Clube de Montanha da Figueira da Foz e a FPME estão a organizar
a 25 e a 28 de fevereiro, no gymno-desportivo do Paião na Figueira da Foz, uma formação
destinada a todos os treinadores e equipadores de escalada de competição na vertente de
Bloco.
Mais uma vez, contará com a presença de Udo Newman, que é o selecionador da Equipe
Alemã de Escalada, e com Robert Henriks, que é equipador do Studio Bloco também na
Alemanha, que pela primeira vez visita Portugal e que irá dar o contributo para esta formação
na parte técnica do route setting, e recomeça umas competições em 2017, já este fim de
semana em sor.
É a primeira prova do circuito da FPME, descalada de Bloco, deste ano e realiza-se
a 18 de fevereiro, já neste fim de semana, no pavilhão da encosta do sol.
Esta prova contará este ano, com prémios monetários, e tens acesso a toda a informação
sobre a prova no site FPME, em fpmé.org.
Falámos com a Alberto Cruz, um dos organizadores desta prova, e vice-presidente da Feteração
Portuguesa de Montanhas-Mescalada, que nos contou como tem vindo a evoluir este circuito
nacional, bem como quais serão as expectativas para esta prova e para todas as competições
do circuito deste ano.
Alberto, então temos aqui a primeira prova do circuito deste ano, interessante sabermos
quantos atletas é que já estão inscritos na prova?
Neste momento, estão cerca de 50 atletas inscritos, e a previsão é a termos ainda
para aí mais uns 15 a 20 inscritos, depende daqueles que se verem no dia da prova fazer
a sua inscrição, que é sempre, nunca é certo, nunca temos a certeza absoluta, porque
então a gente se inscreve atempanamente.
Então, mais ou menos no total, você quantos?
Apesar, a volta de 170.
170, e está dentro das expectativas?
Está dentro das expectativas, numa competição de sênios, nunca é muito certo o número
de atletas que vem, varia entre os 30 e os 60 a 70, que foi o que já tivemos de maior
quantidade de atletas sênios numa competição.
Se for entre os 60 a 70, já há cerca 2 anos que não temos esse número de atletas sênios
a participar numa competição.
É muito positivo a tal, este número.
Claro.
E como é que tem vindo a evoluir o circuito neste aspecto, em termos de participantes
dos outros anos para este ano?
Em termos de participantes, desde há cerca de 8 anos para cá, tem aumentado progressivamente
o número de participantes, nos últimos 2 anos, 2, 3 anos, tem se mantido mais ou menos
constante, com uma participação média anual, de cerca, por prova, a volta dos 140 a 150
atletas, contando provas que tenham sênios e camadas jovens, dá uma média de a volta
entre 140 e 150.
E o que é que, Albert, tu acha que a KFPM é a tua vinda a fazer, que contribui para
esses números de atletas a participarem nas provas?
E o que a KFPM é, tem tentado fazer, é tentar melhorar a qualidade das organizações,
das competições, para, com isso, as competições sejam mais atrativas para os atletas que
gostam de participar nas competições, pode motivar a participar.
Fundamentalmente isso, porque, como sabes, temos um grande problema a nível da definição
da escala em Portugal, que é quem é que é apoiada pelo Estado ou não, a nossa federação
não tem apoios do Estado e, portanto, há coisas que nós, mesmo que ainda não podíamos
fazer, mas com os poucos recursos que temos, que temos trabalhado bem, temos um circuito
montado já há meia dúzia e danos e que funciona, sempre com um elevado número de participantes
e pronto, se estas coisas estão em um bom caminho, o apoio que a KFPM é dar, é sempre
dentro das suas poucas possibilidades, porque não é apoiado estatalmente por, por, por
aí nada.
Ainda assim, este circuito é bastante importante, não é? Qual é a importância deste circuito
para os atletas?
As competições são importantes dependendo da vertente em que se analisa.
Temos a vertente competitiva em que, neste momento, como sabem, a escala de pessoa ser
uma modalidade olímpica, vai entrar nos próximos Jogos Olímpicos e, portanto, a importância
de desportiva da escala nesse sentido é a preparação e o desenvolvimento dos atletas
para poder eventualmente participar em competições e poder participar futuramente em Jogos Olímpicos,
campeonato do mundo, etc.
Outra das vertentes que são importantes as competições é o encontro de escaladores
que gostam de escalar, quer na rocha, quer no rockódomos, que se encontram e que convivem
e fazem uma competição com uma sangue, com vivência.
A importância deste circuito também é a se juntar os escaladores, tentar que haja
um elemento comum a todos eles e que todos lutem pela mesma coisa que é o desenvolvimento
da escala.
Então, e quais são as expectativas para o circuito este ano?
Querem que termos de prova, a número de provas ou a número de atletas?
Relativamente ao número de atletas, a nossa tendência anual nas competições da FPME
tem sido todos anos aumentar, nos últimos oito anos, aumentar o número de atletas
que participam.
Portanto, neste momento nós estamos com uma média anual de cerca de 500 atletas diferentes
a participar nas competições e, portanto, pretendemos este ano manter ou aumentar o
número de participantes.
Tem havido todos os anos o incremento de participantes jovens, nós este ano tivemos
competições em que tivemos 90 jovens a participar, este ano é o ano passado.
Portanto, é um grande incremento e estamos a contar a ter isso também.
Este incremento nota-se também, nós na Federação estamos um bocado ligado às atividades
do Esportes Esclar.
Ainda há cerca de 15 dias tivemos aqui uma competição em que tiveram 120 minutos a
participar numa competição do Esportes Esclar, que depois fará também como posteriormente
eles vão para as competições.
E pronto, aquilo que se pretende também é que estas competições sejam uma forma de
ter uma grande base, ou seja, um número elevado a atletas jovens, como é normal com o seu
desenvolvimento alguns vão saindo, mas que se mantém e que consigamos daqui a uns anos
ter bastante elementos que saem das nossas escamadas jovens a participar nas competições
internacionais com qualidade.
Obrigado, e continuação de bom trabalho.
Igualmente, cá está Abrimes.
Obrigado, Alberto, e continuação de bom trabalho na preparação das provas.
E porque sem eles não existiriam provas, os Troublemakers rumam um assor vindos de
Lisboa para equipar este muro recentemente melhorado para receber uma prova pretensenta
ao circuito europeu dos jovens IFSC International Federation of Sport Climbing.
Os Troublemakers, equipadores residentes do Vértice Climber Center em Lisboa, falaram
conosco para nos contar como se dá o processo de preparação desta prova e das diferenças
entre o root setting comercial ao que estão habituados e o de preparação para uma prova
de competição.
Então, eu sou Pedro, tenho 30 anos, feitos hoje.
Mesmo?
Provavelmente.
Obrigado.
Escalo, há oito anos, e equipamos há dois anos, dois anos e meio, começamos a equipar
no Vértigo, o root setting comercial e depois mais recentemente algumas provas e provas
internacionais.
Olá, sou Martim, escalo há 15 anos, comecei a equipar ao mesmo tempo com o Pedro, começamos
os dois no Vértigo, quando o Vértigo e o Gabriel.
Eu sou o Paulo, escalo há cerca de cinco anos, comecei a equipar há dois anos no Vértigo,
também com o Vértigo e o Gabriel, e comecei a fazer boulder com o Vértigo e o Gabriel
há dois anos.
Malta, existem muitas diferenças entre equipar comercialmente e equipar provas?
Sim, de facto, são dois estilos um bocadinho diferentes.
Equipar para uma prova, basicamente queremos ter uma grande diversidade para o escalador
que vence a prova, ser o melhor escalador overall, não ser o melhor escalador a fazer,
por exemplo, patos dinâmicos ou agarrar presas pequenas, queremos ter um estilo diversificado
e queremos apelar ao espetáculo, queremos que os blocos sejam agradáveis para quem
está a escalar, mas para o público também, não é?
Se uma prova está sempre também, tem esta componente de agradar o público.
No rutecete comercial, temos de dar alguma ênfase em ensinar as pessoas a escalar, há
muitas pessoas que começam a escalar em espaço sindor e esta componente mais didática é
muito importante.
Obviamente que também temos de tornar os blocos divertidos para as pessoas se divertirem
quando estão a escalar, mas acaba por ser, se calhar, não precisamos de tornar os blocos
com tantos cruxes para as pessoas que iriam em sítios diferentes para não fazer uma
bonificação e o outro fazer o top, podemos tornar os blocos um bocadinho mais simples,
porque não existe esta tarefa de diversificar as classificações.
A equipar para uma prova tem sempre essa preocupação, não é?
Temos uma tabela bem definida, é isso.
Correto, o que mais nos preocupa é stratificar os atletas, ver o que é o atleta mais forte
e bem definido, se conseguimos no contato melhor e depois a final temos um espetáculo
mais tranquilo.
Então, e dos dois tipos de route setting, qual é que vos agrada mais e porquê?
Paulo.
Acho que que agrada aos dois, são estilos diferentes, tanto desagrada a ver pessoas
que estão a iniciar a encadiar e a cair em passos simples, como desagrada a ver atletas
de competição, é conseguir encadiar um bloco que a gente acha que era duríssimo ou que
em um passo que a gente acha que era um era simples, e eles que iam ali e a seguiram
um passo que duriram ou que iam, são estilos diferentes, acho que qualquer um de nós gosta
de equipar qualquer um, tem coisas bonitas numa, como espetáculo, como atletas, e tem
o componente comercial também tem, é que as pessoas têm que ser lá felizes para voltar
lá, mas têm situações caricadas, engraçadas, que a gente gosta de assistir também, não
tenho um em si que gosto mais.
Bem, agrada-me ver as pessoas evoluírem nos blocos e chegarem lá, experimentarem um
bloco no início do dia e não se mexerem, e depois ao fim do dia vão aprendendo, vão
ver aquela evolução, é ótimo, e também é espetacular chegar a uma prova, montar
um bloco super duro e chegar lá a um atleta, ver o gajo a fazer força, e encadiar aquilo
de uma forma impressionante, que se calhar nem idealizámos o bloco daquela maneira,
e ele arranjou ali uma forma, não é, que todos os escaladores são diferentes.
E que estilo de blocos é que vos trai mais equipar, o que é que vocês costumam fazer
mais por gosto, por gosto, tipos de blocos?
Aqui já voltamos um bocadinho ao route 7 comercial e à competição, eu diria que
nós fomos um bocadinho os route 7s de nova escola, com uma tendência para os blocos saírem
com movimento, fluidez, ou que o espaço se bloqueia, e por isso nós tendencialmente
vamos para essa influência, que é essa influência de agria ou da nova escola, e tendemos a equipar
blocos mais de coordenação, de equilíbrio, e na competição podemos fazer isso livremente,
apesar de estarmos condicionados também, porque queremos, como Martín disse, ter o
melhor atleta, e não um espetáculo de parkour, que mais vezes se aponta.
Nós também, a verdade é que procuramos também fazer um bocadinho de se fazer internacionalmente,
nós estamos agora por exemplo a equipar uma prova para o campeonato nacional, mas os
atletas que competem nesta prova também terão ambições de ir lá fora e se equiparmos
também blocos do mesmo género, eles vão estar mais preparados quando forem provas
internacionais, e daí também procurarmos, tentamos basicamente seguir as tendências
internacionais.
Onde é que vocês vão buscar a vossa inspiração para fazerem o route 7, de maneira que vocês
fazem?
A inspiração depende muito do cansaço, quando nós estamos cansados a inspiração não
vem, os blocos não saem, e não tem assim, vimos muitos vídeos, como é lógico vídeos
mundial, tudo o que é o YouTube, corremos, se transforma em aprendo, há sempre um movimento
ou outro um bloco que fica fixe, juntado com o movimento do outro bloco, e olhar para
a parede, ver a parede que temos, e vai saindo, não temos nada assim idealizado de cabeça,
não dá para estudar, fazer um desenho e pensar, e vamos fazer isto, e quando vamos
fazer nunca sai nada disso que a gente ia pensar.
A inspiração, claro que vem, mundiais, e os europeus, e tudo mais, que a gente vai
a procurar de movimentos lá, em movimentos que a gente acha bonitos, e tentamos fazer
aqui mais livremente, porque há atletas com força para isso, no route 7 comercial às
vezes fazemos, e depois temos por mais um pé ou outro, porque já não há ninguém que
faça aquela força.
Qual é a melhor parte de todo o processo para vocês, desde o princípio, quando começam
a equipar, até o final da prova, qual é a parte do processo que vos dá mais goze?
Escutei não?
Sim, pergunta, é ele.
Não, é Elsa, não dá.
Eu acho que é unânimo já conversarmos sobre isso, algumas vezes, e realmente o que nos
dá mais prazer é ver o bloco encadeado no final, quer dizer que tu conseguiste medir
bem a intensidade do bloco, e o bloco ser encadeado por pelo menos um atleta.
Obrigado Malta, e que a estaremos para a desfrutada competição potenciada pelo vosso trabalho.
A entrada será gratuita, e poderás assistir também à distância, através do live streaming
no nosso canal de YouTube, e também na nossa página de Facebook, por isso, caso não
possas virar a prova, liga-te a nós e não perca a espitada.
Temos ainda algumas novidades no nosso canal para este ano.
O Nelson Cunha, que é formador da Escola de Montanha, passa a assinar em cada episódio
o espaço Dicas Técnicas, onde nos trará dicas e instrução sobre promenores técnicos.
Temos como objetivo nesta rubrica fomentar boas práticas nas tuas escaladas pelas nossas
falésias.
A escalada desportiva é um desporto em crescendo, no qual os praticantes tendem a iniciar
se espontaneamente, e por vezes sem um material adequado e quase sempre sem formação formal.
Hoje em dia o equipamento está mais facilmente acessível, a preços também acessíveis,
fazendo com que os praticantes comprem e vão para as falésias, onde frequentemente são
observados erros de segurança na utilização desse material.
O Nelson vem dar pequenas dicas técnicas para ensinar e corrigir pequenos e grandes erros
de segurança, a não perder nos próximos episódios.
E por hoje é tudo, vemo-nos no próximo episódio, até lá, fiquem bem, descalem muito!
