Todo dia, Juliana acorda cedo, lava a louça que ficou na pia, dá um jeitinho na casa,
prepara o café dos filhos, depois vai fazer tudo isso de novo, na casa de outras pessoas.
Juliana é uma das 6 milhões de mulheres que tem a profissão que mais emprega a gente
no Brasil.
De acordo com o IBGE, 18% das mulheres que trabalham são empregadas domésticas.
O ofício não foi uma escolha, o salário que tinha como telefonista ficou curto para
tantas despesas.
Priscila, a filha de 15 anos, está grávida de gênia nessa casa cheia de mulheres.
Principal fonte de renda dessa família que está crescendo, Juliana conhece bem a rotina
das trabalhadoras domésticas.
Ela trabalha de segunda a sábado, inclusive nos feriados.
Está há 12 anos sem férias, com um rendimento que só dá para pagar as contas.
Seu esforço agora é evitar que esse ritmo de vida seja repetido pelas suas filhas.
Você tem que estudar, para mim tem que estudar, ter uma formação profissional e levar a vida,
não como eu, para estabilizar, tem que continuar estudando.
Com 65% das empregadas domésticas brasileiras, Juliana trabalha sem carteira assinada.
Apesar das conquistas da Constituição de 1988, com uma licença maternidade e o décimo
vencer do salário, as empregadas domésticas ainda não contam, com o fundo garantia por
tempo de serviço, nem carga horária de trabalho regulamentada.
Se elas não têm acesso a toda questão da proteção contra os acidentes de trabalho
também não é igual e nós sabemos que existem muitos acidentes de trabalho que são, que
acontecem no domicílio durante o exercício do trabalho, então esses são alguns dos pontos
em que eu acho deveriam ser modificados na legislação.
De acordo com a Comissão Especial, em 2004, investigou a feminização da pobreza, 71,3%
das mulheres brasileiras vivem com renda familiar de até dois salários mínimos.
Apesar de serem a maioria na população, apenas 52% delas estão empregadas, esse número
chega a 63% entre os homens, as mulheres ainda ganham em média um salário 30% menor.
A bancada feminina na Câmara dos Deputados luta para reduzir essas desigualdades.
No caminho, é o projeto de lei que quer garantir um regime especial de previdência
para as zonas de casa.
Há um direito na Constituição e que agora nós queremos regulamentar.
As pessoas a partir de 60 anos que fazem esse trabalho, que têm renda até dois salários
mínimos, tem o direito a receber.
Essa discussão que nós estamos trazendo.
Aos 48 anos, Sueli é uma exceção nesse cenário, só se de uma indústria de equipamentos
de testes para redes telefônicas, ela faz parte da parcela mínima de 1,4% das mulheres
brasileiras que são empregadoras.
Aqui, Sueli comanda 40 funcionários, a maior parte deles homens.
Em uma época antiga, a mulher nem alma tinha, para chegar hoje em dia, segundo as teorias,
para chegar hoje em dia numa posição de comando é muito difícil.
Ela está caminhando gradativamente, eu acho que a mulher tem caminhado muito.
Eu sou engenheira, sou empresária e sou mulher, e muito feliz, aliás, eu gosto de ser mulher.
