Bom, eu sou uma menina que quebrei barreiras, né. Eu fui trabalhar numa área, escolhi uma
área predominantemente masculina e comecei na física, depois fui pra ciência da
computação e fui atuar especificamente na área de programação de
computadores, né, com desenvolvimento software. E foram muitos desafios, né, nesse
percurso todo. Uma coisa que é real nessa carreira, nessas carreiras masculinas, quando
a gente quer mulher entra nelas, é que existe um preconceito. Isso é real, tanto
na física como na computação, quando a gente chega, a gente é testada, a gente demora um
tempo pra ser inserida da mesma forma e trabalhar de forma igual. Mas ao longo do
tempo a gente consegue quebrando esses paradigmas, assim, né, que as pessoas vão
duvidam da gente e a gente tem que ter força de vontade pra dar conta de quebrar
isso, né. Eu gosto muito de trabalhar aqui, gosto muito de trabalhar como docente, eu
comecei de um convite que eu recebi pela minha atuação na área técnica para
a aula de programação de Java para Web na época. Hoje eu não sou só mais
professor, eu sou pesquisadora ativa, eu trabalho em dois projetos, eu tenho dois
projetos de pesquisa, um sobre lixo eletrônico, que é um projeto que já
fui premiado internacionalmente e as nossas estagiárias, meninas, são meninas
muito talentosas, meninas muito batalhadoras, assim, fortes, assim, eu me vejo nelas, porque
eu me vejo quando eu comecei, a garra que eu tinha, a força de vontade que eu
tinha de conseguir e de superar todas as diversidades que traz, né. E hoje já
não sinto mais essa diferença, assim, tanto de eu ser uma menina num ambiente
predominantemente masculino, né. O curso é praticamente composto por professores
homens, né. E eles me tratam com muito carinho, com muito respeito, com muita
credibilidade nas minhas ações, nas minhas inovações, talvez pra inspirar,
gostaria de ver muito mais meninas na área da ciência e tecnologia, porque nós
somos um número muito inespressivo quando comparado com o universo masculino, a
gente tá em torno de doze, dez a doze por cento em relação ao volume de meninos,
né, na área de ciência e tecnologia e esses meninas precisam vir pra nossa área,
precisam vir pra essas áreas de exatas, né, porque não. E a gente tem força pra
isso, a gente tem espírito de luta pra isso, suficiente. Às vezes a gente não
enxerga, mas a gente tem, e a gente tem que achar isso dentro da gente pra não
deixar essa coisa, a coisa desandar, né, porque às vezes, porque todo mundo tem
também os seus limites, né, aquelas, aquela sua fase de desânimo de tudo, eu já
tive e tive que ter força pra recomeçar, né, e a gente tem, a gente, nós mulheres
somos muito fortes, somos muito guerreiras no geral.
