Muito bem, a partir de agora nós falamos aqui, direto, do Engenho Central, as margens
do Rio Piracicaba, aliás Piracicaba em 2017, comemora seus 250 anos, para darmos uma volta
e visitarmos com vocês a quadragésima quarta edição do Salão Internacional de Humor da Cidade,
uma das maiores e mais tradicionais mostras de humor do planeta, se liguem aí que vocês vão gostar.
Começamos então nosso passeio com ele, Erasmo Espadoto, está aqui, diretor do Salão Internacional
de Humor de Piracicaba, esse ano cresceu mais do que ano passado e sempre traz novidades,
mas antes de falarmos do Salão desse ano, queria explorar um pouco da história, esse Salão de 1974.
Deca da ditadura, bem opressora, que nasceu o Salão justamente por isso, para ter um canal,
para externa as ideias, os artistas e alguns estudantes, os malucos que acabaram inventando o Salão
e a gente já está essendo na quadragésima quarta edição do Salão, com muito sucesso.
E é legal porque na época da ditadura, enfim, os sargistas do Rio de Janeiro, que eram muito conhecidos,
respeitaram muito Piracicaba porque não teve problema com a ditadura, isso foi o grande lance.
Eu não sei se era por causa da distância, entendeu?
Ajudavam, né?
Não, ajudavam um pouco, com certeza ajudavam um pouco, entendeu?
Mas eu acho que foi também, assim, pela... uma maneira de sair da publicação do Jornal Impresso,
na época, que era muito censurada e assim bem... bem olhada ali pelos militares, né?
Então foi essa aveia, esse canal de... assim, de liberdade do artista, de expressar aquilo que realmente ele...
ele tentava passar, que era opinião de cada um, entendeu?
Ele tem... com quantos anos de char? Você é um chargista também há quantos anos?
Nossa, 25 anos de Jornal, trabalhei na redação, 25 anos, e há dois eu estou aqui no Salão,
trabalhando e assumi a direção do Salão esse ano, né?
Mas assim, a experiência de trabalhar com char, de cartum, eu trabalho na redação,
a redação de um jornal impresso e diário é muito dinâmica, então você faz tudo lá dentro, cara.
Não era só chargista, era chargista, caricaturista, cartoonista, quadrinista, infografista,
fui até repórter, às vezes, entendeu?
Então essa toda experiência de trabalhar com isso e a arte gráfica e a arte do humor gráfico,
é que dá uma boa bagagem, uma boa experiência para... para tocar o Salão, entendeu?
E o que muitas vezes você olha um jornal lá e vê uma char de, parece só um desenho,
ou simplesmente um desenho, mas tem uma relação muito forte com o dia-a-dia da cidade.
Você era cobrado nas ruas, não era, não? Como todo chargista de jornal é.
Então quando você, por exemplo, você mora em Perascaba e trabalha em Perascaba como...
como chargista, num jornal como era o meu. E aí você tem que fazer coisas locais, entendeu?
Manchete de alguma coisa local.
Tem uma identidade local, né?
Você vai abordar um político local, um secretário, alguma... com uma personalidade local.
Você tem... lógico, sempre você tem um bom senso. Mas nesse caso, o bom senso tem que ser
muito mais aprimorado para não arrumar alguma coisa. De repente, ele pode ser seu vizinho, né, cara?
Entende?
Esse risco.
É, tem esse risco muito. E talvez seu amigo também, né? De repente que virou político,
e aí você um dia, você tem que abordar ele numa charg, mas é sempre de uma maneira crítica,
mas nunca ofender a moral do enfocado. Claro que não.
Como é que você vê a evolução da char de fim, desse trabalho?
Hoje ele é muito maior, tem muito mais espaço para você demonstrar e apresentar
o seu trabalho do que antigamente, né?
Então, hoje, por conta das redes sociais, eu acho que existe mais facilidade de você divulgar o trabalho.
Facebook, Instagram, isso é uma coisa que diariamente você pode fazer isso.
O que acho que perde um pouco, que eu sou meio saudosista, eu acho que a maioria dos
chargistas da minha época é assim, é perder a publicação do jornal em preço.
Que é a alma...
É um charme diferente.
Não, não é muito diferente, cara, sabe? É muito diferente, porque o processo de
criação para o jornal em preço e a maneira que você tenta, depois o tempo que você tem
para corrigir alguma coisa no jornal em preço é muito, muito mais difícil.
Você posta alguma coisa no Facebook, por exemplo, deu problema, você vai lá e
deleta e acabou. O jornal em preço, não.
Foi?
Foi, cara. Aí você tem o quê? Mais 24 horas para corrigir isso.
E em 24 horas, muita coisa pode acontecer, entendeu?
Os artistas mais jovens conseguem levar esse tipo de arte para outros canais também.
Hoje você tem em paredes, em produtos, enfim, o universo cresceu muito, não é?
Exato. Eu acho que é buscar plataformas novas para você se adaptar e se atualizar.
E eu mesmo, muita gente da minha geração, de chargistas, aconteceu isso.
O salão mesmo é um exemplo. Se você pegar o salão há dez anos, a maior parte dos
trabalhos recebidos ainda, como acho que toda a maioria, era original.
Hoje o processo é o contrário. Hoje a maioria dos trabalhos são digitais.
São poucos que são feitos na mão ainda, simplesmente.
Artesanalmente no papel lápis, borracha, tinta, aquela coisa de sujar e errou, tem que fazer
de novo. É muito pouco hoje, entendeu? A maioria é digital e é computadora.
Então vamos falar agora da edição desse ano, quadragésima, quarta edição.
Temos novidades, o que evoluiu, o que cresceu. São quantos países envolvidos?
Bom, a gente recebeu dois mil novecentos e oitenta e cinco trabalhos do mundo inteiro,
das categorias correspondentes. E cinquenta e sete países enviaram trabalhos.
A mostra competitiva, que é essa que a gente está aqui agora.
Nós estamos aqui, né?
A gente está agora. Foram, a seletiva determinou quatrocentos e dez trabalhos para desses
quatrocentos e dez saírem os premiados. Então aqui, nessa mostra agora de quatrocentos
e dez, temos trinta e quatro países, entendeu? E aí saíram os premiados nas categorias.
E nós temos Charges, Caricaturas.
Charges, Caricaturas, Cartoon, Tirinha. Temos o prêmio temático desse ano, que foi
Criança. Bem legal esse tema, que a gente recebeu muitos trabalhos.
E aí também tem o Prêmio Saúde, que é um prêmio aquisitivo e mais o prêmio Águas
Humilhante também, que é outro prêmio aquisitivo. E mais o Câmaras de Vereador, de Pirascaba,
que é outro aquisitivo da mostra.
E eles têm também um espaço, que eu acho super importante para você alimentar essa
arte, esse tipo de arte, que é para as crianças, que são o Salãozinha, como é que você chama?
O Salãozinha de Moura, quer dizer, já não é mais criança, da décima quinta edição
já é um pré-adolescente.
Pré-adolescente.
Exatamente, décima quinta edição, esse ano a gente teve um, num Salãozinho sim a gente
teve um recorde de trabalho recebido, quatro mil e duzentos trabalhos, cem esculturas
e quatro mil e cem trabalhos em papel, das escolas da cidade, da região e fora do estado
também.
Então, é assim, é um sucesso, o Salãozinho de Moura é um sucesso. A premiação agora
é dia 24 de setembro e ainda contando com a presença de uma grande personalidade da
história em quadrinhos, que é a Mouros de Sousa, que vai estar com a gente.
Esse é o Mito.
Pelo amor de Deus.
Da minha geração, eu acho que da sua também, né, da geração nossa eu acho que não tem
outro cara, é um cara assim pra mim, é o melhor eu acho.
E pra quem acompanha os trabalhos do Maurício de Sousa, da Turma da Mônica, enfim, o bairro
Cambuí, todo mundo sabe, ou quem não sabe, onde é ambientado ali a Turma da Mônica,
é no bairro Cambuí e em Campinas, que muita gente não sabe, mas o Cambuí de muitos
anos atrás, né?
Claro, e a vida dele pra nossa cidade esse ano é uma coisa assim pra ficar marcado,
o Salão Internacional e o Salãozinho de Moura, a molecada vai, e ainda a possibilidade
dos personagens virem juntos, entendeu?
Para a cidade.
Não, eu espero cara, eu espero que sim, vai ser um sucesso.
Embora ele fique um pouco tempo aqui com a gente, mas é o bastante pra gente conhecer
e pra gente fazer, sei lá, fazer uma selfie, uma foto com o cara e marcar pra a vida inteira
da gente, com certeza.
Vai dar no coração.
Com certeza, é isso pra sempre.
Vamos mostrar então os premiados desse ano, primeira categoria qual que é, tem um prêmio
máximo, né?
Tem o grande prêmio, né assim, é Charge Cartoon, Caricatura e Tirinhas, e também temos o temático
Criança, o temático Saúde e o Águas do Mirante, dessa categoria sai um grande prêmio,
esse ano a gente teve o prêmio de Caricatura do Bruno Hamzick de São Paulo, que ganhou
o primeiro lugar, o primeiro lugar, o prêmio Caricatura na categoria Caricatura e o Júri
depois, dessas outras categorias, escolheu essa escultura como grande prêmio também.
Categoria Charge, o premiado, é um cubano, radicado no México, o Anjo Bolligan, de ter
uma história gigantesca, né?
Esse, pelo amor de Deus, esse é um cara assim, não dá pra comparar, é um cara, ó, a concura,
deveria ser, deveria ser uma concura em concurso, mas não dá.
O trabalho dele na, eu acho que nas exposições e concursos de humor, só melhora a qualidade
do conteúdo da amostra, então, ele é sempre bem-vindo, esse ano ele foi premiado na categoria
Charge, temos um brasileiro premiado na categoria Saúde, Fred e Ozanan, no temático temos
um outro brasileiro, um campineiro, Daúcio Machado, outro grande fera também da Charge.
Se a turma lá conhece do jornal, né?
Ou certeza, o pessoal de campinas conhece lá do jornal.
Temos aí depois o prêmio Câmara, que é uma Caricatura de um brasileiro também, Caricatura
de José Serra, um político, e a categoria Quadrinhos, ele é do Usbequistão, cara, o
cara, o cara, é uma tirinha e ele faz uma analogia lá com o pensamento e como é a
vida e os programas pessoais, foi o premiado na categoria Quadrinhos, é Tirinha HQ.
Então, pra você que gosta da arte, do cartum, enfim, acompanha de perto isso, tem novidades
até o final do ano, pro ano que vem, quando você lança o tema, como é que se movimenta
isso?
Então, a mostra fica aberta, abriu no dia 26 de agosto e fica até dia 12 de outubro a
mostra aqui.
Tem tempo pra vir visitar?
Tem tempo, tem tempo, funciona, de quinta a domingo, só que horários diferentes quando
é semana e fim de semana, por exemplo, quinta e sexta das 9 às 17, sábado, domingo e feriado
das 14 às 19, essa é a diferença.
Qual passeio aqui no Engenho Central, que é um patrimônio da cidade de Piracicaba,
já vale, né?
Cara, eu e a minha equipe que a gente trabalha aqui, cara, a gente costuma dizer que é um
privilégio, você trabalhar num lugar desse e ainda receber esse tipo de coisa aqui,
cara, você trabalhar com cultura já é legal, trabalhar num lugar desse, então, é uma coisa
assim maravilhosa, sensacional, e ainda o público que vem visitar a mostra até o fim
de semana, a gente recebe aqui, nos 45 dias de salão, um público aproximado de 260 mil
pessoas por conta do salão e por conta também do local, que é muito bonito, entendeu?
Então eu convido a todos pra vir visitar o salão, além da mostra principal, nós temos
aqui dentro mais cinco mostras paralelas e mais um barracão aqui do lado, um armazém
aqui do lado, mais três mostras paralelas e um evento e um espaço de interação com
o público, o público pode participar de uma atividade e no final ganhar um prêmio,
é um mínimo, um brinquedo, alguma coisa, e lógico, a exposição da Criançada que
é o 15º salãozinho de humor também, que é o que prestigiar, com certeza, viu, é daí
que vão sair os futuros artistas pra fazer o Salão Internacional de Humor, com certeza.
Erasmo Espadoto, diretor aqui do quadragésimo, quarta edição do Salão Internacional do
Humor de Piracicaba, até o dia 12 de outubro, está feito o convite aí, ó.
