A primeira foi falando de biodiesa, nós não sabíamos o que era. Nós produsamos a mamãe,
eu sabia que ela dava um óleo, mas pra quem ninguém sabia, né? Aí veio esse biodiesa
aí, né? Então foi um incentivo amar para nós produzir. Foi em 2004.
Do girassol, como eu sou falado, de uns dois anos para cá. Então eles vinham ainda uns
dois vezes na minha roça e sempre vai o plantar, orientar.
Esse plano de biocombustível apareceu na região aqui, muita, a questão do, muitas cooperativas
que trabalham com isso e tem técnicos que estão dando assistência aos agricultores e com isso
deu uma valorizada, porque também manteve o preço mínimo de cada produto. Porque a maior
decadência hoje rural é a assistência técnica, que nós não temos. E já com esse projeto do
biodiesa, qualquer localidade onde estiver implantado tem assistência técnica.
Aí quando apareceu essa, essa empresa do biodiesa aqui, eles vieram aqui e começaram
a comer várias pessoas aqui. Eu aceite a proposta, rapaz, eu aceite a proposta.
Tem muitos agricultores que nem sabem ler e aí o cara vende lá, dá uma cooperativa
com um contrato e dá para o agricultor, ah, se eu fazer aqui o contrato do senhor para
o senhor vender para a gente, o senhor vai receber bem e tal, tal, tal, nem ler o contrato
às vezes, assina, o senhor pode assinar não, então bota aqui o dedo, o agricultor coloca
o dedo lá e aí ele vai se embora. E o agricultor fica ali, muitas vezes tem até vergonha de
pedir para alguém que sabe ler, ler para ele, outras vezes nem se toca aqui, ah, será
que o senhor se dá a ler?
Por que, veja só, o biodiesa, ela é uma empresa, a Petrobras que está nos comprando, então
ele é uma empresa que vai produzir o biodiesa além de nos incentivar a plantar a momona
e até o preço, eles incentivam mais. O atravessador já ficou para trás, eles vêm
em nossa casa, vai vendendo a momoninha a gente, mas a gente vai vender a eles, paga
mais e põe metade até no futuro, tem crédito para a gente, então vamos produzir mais.
Ainda não perguntamos para eles se a gente vai poder, depois de produzir o coco do vender,
a gente vai poder plantar a desce e vai ser igual. A gente não perguntamos, mas é
uma questão que já passa pela cabeça de muita gente, já se vai poder fazer ou não.
Quer dizer que se eles aprovar isso aí, provavelmente dando um certo, a tendência é só aumentar
do dnd, mas se eles dizem que não, aí já fica um negócio meio complicado, que a gente
vai ter que estar sempre comprando na mão dele.
Desde o início até hoje, eu ainda acho que são poucas informações que eles dão, são
coisas muito por cima. Aqui a momona serve para fazer o biodiesel, que pode ser usado
nos carros, que não sei o que, não sei o que lá, mas eles não falam de fato como
é que é o processo, quem pode, como é que é feito, onde vai ser feito, onde vai ser
usado, quem está usando, não fala. A quem vai ser mais beneficiado, ser o agregutor,
se é a empresa, não tem. Essa informação é tudo muito abstrato.
Então, e aí, mais ou menos, como o nosso assentamento e diversos assentamentos, é
vai haver, porque também tem a questão ambiental também, vai haver mais ou menos, aí vai ser
baseado mesmo em três hectares, estourados cinco hectares de dendê, cada um assentamento
vai ter mais ou menos cinco hectares de dendê plantado. Aí vai depender de cada agregutor
e também vai depender das discussões dos técnicos, porque tem que ver a área adequada
para o plantivo, não pode ser área cheia de relevo.
Então, não tem o plantio do dendê, a gente está querendo plantar, eu sou querendo
trabalhar com ele nessas partes, porque o dendê já não pode ser plantado em um lugar muito
assim, que nem está aqui, que você, uma hora ele vai crescer mais, né, que ele vai crescendo.
Então, você vai subir no pede dele para cortar um caixa aqui e se corta aqui em cima, ele
vai parar lá embaixo. Aí você vai ter que procurar plantar em um lugar mais plano, né.
Aí a gente está querendo ajeitar ali esse lugar do mato mais baixo, aí já é um lugar
que a gente sempre trabalha, nas baixadas, então a gente não vai poder fazer o plantio
todo num lugar da roça, vai ter que procurar as margens que mais pode fazer.
Aqui tem falado muito ele e tem, chegou uma firma aí que estava plantando pião, né,
não plantamos não, por exemplo, plantar aí a firma que chegou ali do Laga de Esplacar,
que plantou lá o pião, tinha um bocado de pião trabalhando, um bocado de gente trabalhando
com eles, mas por fim está virando o capoeira, só está os pião lá, não tem mais ninguém
trabalhando e como quem abriu a falência firma, não sei, exalaram. Mas tem muita gente
que plantou o pião, nós não plantamos não. O pião disse para fazer o biodise, o mamona.
No município de Iraguara tem uma mamona esmagadora e até hoje eles não conseguiram esmagar
a mamona para fazer o óleo, eles compravam a mamona, estocavam e pegaram essa mamona
e vendiam para o outro atravessador, ou seja, estava fazendo um papel dos atravessadores,
eles estavam usando a usina para esmagar a soja que vem do Oeste, lá de Barreiros,
no Lise do Arte, e isso para a agricultura familiar não teve nenhum benefício.
Porque a empresa não visava a qualidade de assistência técnica, ela queria que a gente
fizesse quanto mais cadastro a gente fizesse, melhor era para ela. Então acabou tomando
a forma que a assistência técnica estava sendo de um jeito que a gente não estava nem
fazendo praticamente. Aquela coisa que a gente passava numa roça, a agricultora olhava
lá e olhava, plantou o que a gente deu, não plantou, nasceu, sabe, esse tipo de coisa.
Então não foi uma assistência técnica bem qualificada, na verdade, que a gente estava
fazendo. Tem mais técnico na região, ou no caso, o que tem, não sei, se tem em considerado
de orientar mais o produtor.
A gente tenta só mamona, aí dá muita dificuldade, porque a mamona, para gente colher, ela
vai passar um capnão as quatro ou cinco vezes. Aí, se plantar só mamona, não dá renda,
não dá renda suficiente para tirar o pui ruído. Por isso que a gente planta, porque a gente
pega o milho, pega o feijão, pega a mamona e aí, uns 20 anos.
Eles falaram o ano passado para plantar junto com o feijão ou com o milho, mas umas pessoas,
por conta própria, plantaram até junto com a mandioca. E eles viram, passando, olhando,
junto com a mandioca, você dá para o tomo melhor de que junto com o feijão ou com o milho.
Então esse ano, esse ano, você pode ser junto com a mandioca.
Acho que teria que ser criado com a participação da comunidade. Não ser criado lá, numa sala
da Petrobras, do Governo, de quem seja, de uma cooperativa lá, de qualquer pessoa.
Mas teria que ser criado com a participação da população, o que é que ela acha que
deve ter nesse programa, o que é que ela acha que vai bem nessa região.
Comentando no meio das comunicações, a questão da produção do biodiesel diminui a produção
para o consumo, para a alimentação, para a sustentabilidade.
Empresas que tentam fazer com que eles plantem monoculturas, isso para mim é uma fraqueza
porque um agricultor não vai precisar só de mamona, girassol e piomanço para sobreviver.
Então, apesar de ter o feijão dele, como ele sempre plantou, de ter o milho, de ter
o andor, de ter a melancia, então a policultura, isso é muito importante para eles.
Então, se acontecer de eles fazer a monocultura, isso é muito prejudicial ao agricultor
familiar.
Eles têm uma preocupação deles porque o agricultor familiar, a maior parte do agricultor,
eles não contém terra suficiente para plantar separados, girassol, mandioca, o feijão.
Então, estão orientando para que o povo não pare de plantar o sustentável, o caso da
mandioca, o feijão, o milho, que é de que a gente mais se alimenta aqui na região.
Então, você está na rede de plantar junto, então como com a mandioca, quando passaram
quem plantou, o melhor que saiu foi com a mandioca, então você vai plantar com a mandioca.
Você vê, a mandioca perdeu o cardo sol, que foi no verão, né?
Aí veio no inverno e plantou o feijão para tentar recomperar, veio a chuva e levou.
Aí plantou o girassol, o passarinho chegou e comeu, aí isso são coisas que vão desanimando,
né?
Aí ele falou assim, manha, é, o que que eu vou ficar fazendo aqui?
Mandioca não teve nada, o feijão também não, então eu vou ficar fazendo aqui, como
é que eu vou conseguir ter alguma coisa aí?
Resolveu sair para poder conseguir ir lá fora, alguma coisa, né?
O dende já é mais complicado para uma mulher fazer colheta, enquanto se ele estiver baixinho,
como eu disse que ele dá com metros, então ela só vai lá a corta, e alguém vai e panha
e tudo bem, se ela querer, né?
Porque tem mulheres que gostam de trabalhar aí, aí cortou e tal, ajeitou, como ele é
baixo mesmo, aí alguém, homem, com carro de mão, aí vai e panha, coloca no outro veículo,
até o destino que ele vai ser, despopado.
Bom, aí eu acredito que provavelmente só o homem, pelo esse fato de ele ser bem dificil
e dificuldoso assim para trabalhar, eu acredito que vai ser só o homem, porque você vai
ter que estar trabalhando com facan, com foice, para roçar, para cortar ele aqui, vai ter
que ter o facan, para carregar que ele é pesado, tem lugar que não vai dar para o carro entrar
e pegar naquele lugar, você vai ter que carregar nas costas, então eu acredito que vai ser
um serviço mais tamanho de obra mesmo de um homem, a mulher vai ter que estar mesmo no
carro.
O problema aqui na roça, aqui é um trabalho muito pesado, o lucro na roça também não
é a mesma coisa, você está na capital estudando engenharia, jogando futebol, não é um serviço,
é um serviço difícil, que você ganha pouco e ainda não é muito visível na sociedade
e é isso, ele é uma coisa muito, tem muito preconceito ainda para trabalhar na roça,
acha que é, o pessoal que trabalha na roça acha que é caipira também, entende isso,
parei logo, o pessoal mais jovem não quer continuar aqui, é muito difícil.
O Prêmio Juiz é muito grande, ficado passarinho, e outra também que o meu vizinho, as pessoas
daqui da região que plantaram e quem não plantou também viu nas roças vizinhas, via perda
e acho que são poucos que vai querer entrar nessa, só se for alguém mesmo que queira
para pegar o dinheiro.
Ele quer me plantar uma gira só, o Rendo, é, a gente está plantando aí, agora aqui a terra está achando de vagar aqui, ele quer plantar uma gira só bonita, a gente vê que gira só bonita, e a gente não gira só assim, acho que é vantagem não,
a gente gira só bonita, mas quem plantou não está bonita, é uma gira só bonita.
Mas como aqui no nosso projeto, a maioria dos produtores já são tudo de maiores de
60 acima, então por isso que a gente não tiver o tanto interesse, né, e fazer o cultivo.
Só que no segundo ano, ele veio novamente e eu não quis, rapaz, eu não vou querer
perder o seguinte, a época veio muito cansada, eu não vou tocar mais a mesma roça, porque
a gente, eles fizeram uma análise na momona e deu uma, duas chamasse microfomina, então
aquela hora eu tenho que descansar 4 anos, então eu não plantei mais nessa área, plantei
miro outras coisas, mas não plantei mais a momona, e agora a momona eu não vou plantar,
porque ele plantava a momona para dar o descanso a área. Não, não vale, porque você ia perder
a área de terra e perdeu o seu tempo, em vez de você plantar uma coisa que você está
perdendo tempo, você tem que plantar uma coisa que você ganha tempo e ganha, né.
O gira só ainda está pouco ainda na região, o pessoal não arriscar assim, parar com esse
pessoal o gira só, aqui a gente procura trabalhar mais de uma maneira mais sustentável, naquele
momento a gente vai ver que o costume. Isso ainda é uma questão que a gente fica sem
essa informação, né, para nós fica até difícil, tem hora que passa até uma certa
desconfiança pela gente, produtor, pelo fato da gente hoje vai pagar muito caro nessa
muda que eles vai trazer, mas eles querem esse aí, dizer que dá mais rápido, e a gente
acaba não acreditando nisso aí, porque tem muitas coisas que as pessoas trazem para
a gente aqui da rosa que é acostumado a trabalhar e lutar, que eles salam, mas entra
pelo ouvido da gente e sai por outro no povo lá dizendo, porque é uma coisa que a gente
nasceu e se criou naquilo ali, é a questão do dnd também, a gente tem aqui uma noção
grande do dnd como que é, a produtividade dele, quanto tempo ele demora para chegar,
a gente tem o dnd aqui que chega com até menos de quatro anos, mas eles diz que é
só esse que tem que ser plantado esse, que a produção dele é melhor, é maior o dnd,
produz mais dnd, aí a gente fica, a gente ouve às vezes até que tem que aceitar pelo
fato de a gente sempre querer, tá mudando as coisas assim, plantio, a forma de vida,
mas que é uma coisa que não é bem aceitável pela gente, a gente sabe se a gente pegar
o nosso dnd que nós tem aqui e plantar, vai ser meio jeito deles, e a gente vai acabar
pagando um preço muito alto por esses escudos dele, e esses incentivadores do biodígeno
no caso até Tobras, então eles mudam o saco, você entrega e o saco é setenta reais agora
no momento, né, e a promessa deles que vai melhorar mais, a gente acha que sim.
O que a gente sempre manda com eles nas reuniões é isso, o preço, algo que ele diz, o preço
é o preço do dia, ele diz que o preço vai ser pela bolsa de valores, o preço é isso,
aí até que a gente exigiu a ele, tem como ceder um contrato, uma cópia do contrato,
tem, porque no dia seguinte que a gente for vender, não presta, não, mas a gente tem
esse contrato aqui, então tem que assumir o que está no contrato, se ele tem um contrato
com o governo, de ele pegar 50%, ou se pegar 100% da produção, ele não vai pagar imposto,
então ele tem que ter também um contrato, uma prova que eles vão cumprir o que eles
determinou no contrato, é o preço do dia a preço do dia, a gente tem que estar ativo
no projeto aí, o preço lá é quanto é tanto, é, eu vou ver se é verdade, foi lá, acho
é, eu precei esse mesmo.
Parecesse mais que o pessoal valorizasse o serviço dele, valorizasse o que ele faz,
ele recebesse certo pelo que ele faz, porque é um trabalho muito, além de ser um trabalho
muito pesado, falta de valorização, é isso que faz os jovens mais que ele saia.
Acabar aqui vai chegar um tempo que, quem vai alimentar o Brasil, quem vai alimentar
o mundo na verdade, que a agricultura familiar é uma das principais fontes alimentadoras
das pessoas, sem a agricultura familiar, muitas coisas, as coisas iriam ficar muito
carecidas, então assim, pode até gerar renda, mas para quem vai gerar essa renda?
Será que é para o agricultor?
O agricultor ele precisa ter uma sustentabilidade maior na sua propriedade, tem muitos que a
terra é pequena, então ele tem que aproveitar o espaço que ele tem para produzir tudo
que ele precisa para alimentação, e com biodiesel, eu acredito que se ele chegar com um projeto
como foi nessa época do feijão, ele vai estar plantando só a mamona e a mamona serve
para comer, e o preço dessa mamona, será que vai dar para ele comprar o alimento lá
no mercado, que é mais caro para ele se alimentar, e a qualidade dessa alimentação dele, como
é que vai ficar?
Aí se não der certo, o barca afunda, aí ele vai afundar só com o alimento, vai afundar
com o governo da Bene, porque ele fez um grande vestimento, e aí ele está todo mundo no
barco, no Titanic, ele está afundando, vai afundar com todo mundo.
