O que eu queria te perguntar um pouquinho é para contar um pouco sobre essa escola de Vela aqui.
A gente começou em 2009, eu tinha um veleirinho e um veleirinho de 19 pés e fazia passeio e dava aula para o pessoal.
Aí apareceu um italiano que falou porra, porque não monta uma escola de Vela.
Beleza, vamos montar a escola de Vela, cadê os barcos? Não tem o meu barco.
E eu mexo com artesanato, tenho oficina, eu mexo com fibra, mas esse tipo de trabalho não é dificuldade para mim.
Aí entrei no projeto que eu achei na internet, estou optimista, que é esse barquinho pequenininho, que eu construí de madeira.
E saí procurando ver se eu achava alguém que pudesse patrocinar. No outro italiano postou da ideia e falou que tinha 6 mil reais para mim fazer os barcos.
E eu fiz os 6 barquinhos com 6 mil reais de madeira, a Vela adaptada com glona de caminhão, os mastos eram com rimão de ônibus,
então a gente comprava no ferro velho, e fizemos os 6 barquinhos.
Desculpa aí.
Deixe-me montar.
Aí consegui começar a escolher com esses 6 barquinhos já dentro das fotos desses barquinhos.
E consegui um patrocínio de uma fundação de São Paulo, chamada Fundação Antidecetor, que gostou da ideia e resolveu patrocinar.
Então investiram uma grana na gente, nós compramos outros barquinhos, quando fizemos um galpão, e aumentou a frotira.
Comprei 2 lasers, e foi aumentando de bagazinha, e ao mesmo tempo a comunidade adotou a escola como boa coisa para os filhos deles.
E começamos. Nesse meio tempo aí tivemos um incêndio, com provavelmente criminoso, que queimou o nosso galpão tudo,
com todos os barquinhos dentro, todo o equipamento que a gente tinha, o motor de popa que a gente tinha conseguido.
Comuniquei a fundação, que infelizmente tinha acabado tudo, e me comunicaram que eles estavam dispostos a reconstruir,
e que iam bancar essa reconstrução.
E consegui reconstruir, de uma forma até melhor, porque muita gente foi solidária ao ex-accidente, ajudou a gente também.
Então conseguimos comprar novos barcos, conseguimos motor, conseguimos comprar o equipamento que queimou,
barra de alumínio, cano, barra, adaptamos bom.
Hoje nós vamos indo para o sétimo ano de trabalho, temos 23 barcos a dela, de todas as categorias,
desde o otimista, que é o barco para criancinha, de sete anos em diante, até barcos técnicos, tipo o Bobcat 16,
o Sdipe, o Laser, então a gente tem várias categorias de barcos, e a molecada aqui vai passando de categoria para categoria.
Então a forma que eles vão crescendo, o Igor que a gente deu para passear, começou com oito anos no otimista.
Hoje é um dos, tem mais, mas ele é um dos que toca o Bobcat 16, inclusive sozinho, faz toda aquela...
anda uma boia só, aquela, toda aquela ali, né? E aí também, como eu falei com um amigo meu ontem,
nós não estamos vivendo em poupa não, estamos vivendo pela lita, que anda mais.
E quantos meninos mais ou menos tem?
Olha, que já passou por mim, assim, eu estava vendo as fichas de inscrições, mais ou menos uns 80.
E meninas tem?
Meninas também, meninas passaram, tem duas ou três que frequentam bastante aqui.
Inclusive uma delas já ganhou até campeonatinho, por seguro, já ganhou todo ano a gente faz um campeonato aqui,
vem gente de fora, pouca gente mais, e eles estão faturando.
Esse menino que te levou, Igor, teve um acidente em setembro aí que ele se machucou,
e estava já programado para a gente ir para Salvador, dia 27 de outubro,
na regata que ia até lá, de vários categorias de barco, para fazer um teste drive pelo Iate Club lá em Salvador,
que se ele passasse, ele podia ser adotado, né?
Como um atleta do clube, representando o clube também, né?
Treinava aqui, mas aí, infelizmente, vai ficar pôndo de bem, né?
Vamos treinar ele aí, e treinar mais dois meninos que estão dispostos também a tentar uma vaga lá em Salvador.
E você disse que às vezes as pessoas também doam barcos, né?
Que é bom até quem tem algum barco para doar, saber quem...
Pois é, também.
Vocês recebem aqui.
A gente tem, vários barcos foram doados aqui, né?
Nós temos três barcos agregados, que são de outras pessoas, mas que ficam aqui, a gente pode usar se quiser.
E eu uso mais assim, quando tem muita gente em regata, alguma coisa, aí a gente monta os barquinhos dos outros também.
Mas normalmente a gente trabalha para os nossos, né?
É muita manutenção, então tem que ir devagar, né?
O material é muito caro, o dinheiro que eu recebo é pouco, né? Para manutenção.
Às vezes eu tenho que estar vendendo espaço aí nos barquinhos para não arrecadar um dinheiro para um filho de vela, que é tudo material muito caro, material não é ótimo, é bem claro.
E o senhor Veléja também gosta?
Também.
Tem alguma coisa especial do mar?
Eu sou...
O que é o mar para ti, assim? Tem algum?
O mar para mim, o que é o mar? O mar é tranquilidade para mim, é alegria, é realização.
É muita coisa boa, muita coisa boa. Eu costumo falar que eu tenho mais ou menos uns 45 anos de chinela baiana, de beira de praia, então...
O senhor não é daqui e veio para cá?
Eu moro aqui há 23 anos, mas tenho filho baiana, tenho esposa baiana e já me abayanei total aqui.
E o senhor é da onde?
Eu sou de Estado de São Paulo, São Sebastião.
São Sebastião?
Minha total norte, São Sebastião.
É que também é, né? Lugar de praia, de mar.
É, em lugar de vela, mas lá...
Vela, a ilha é vela, tem muita vela.
E mais lá, assim, eu velejava, assim, até relativamente pouco. Eu pescava junto com os pescadores, né? E a barca-vela era uma pouco, mas aí me contaminei com a barca-vela e comecei com um obquetezinho, meio alto de gata, assim, pegava o barco, errando, acertando, errando, acertando.
E 40 anos depois eu ajudou, me ousa e ensinar a criança a velejar.
Que ótimo. Parabéns para o trabalho, então.
Obrigado.
