Oi pessoal, nós estamos na Universidade Livre Feminista e este é o nosso curso Reflexões
Feministas sobre Sistema Político. Estamos agora começando o nosso terceiro modo.
No primeiro, nós conversamos sobre a participação política das mulheres, as interdições do
sistema capitalista, patriarcal e racista, a nossa participação nos espaços de decisão
e também como nós podemos fazer para que a agenda feminista pelos direitos das mulheres
gane corações e mentes na sociedade brasileira. No segundo modo, fizemos aquela crítica ao
sistema político brasileiro, especialmente a questão eleitoral e a questão partidária.
Agora, no terceiro modo, nós vamos enfrentar um debate muito interessante que é como nós
mulheres participamos dos partidos políticos e das eleições. Vamos discutir a construção
de candidaturas de mulheres, os problemas que nós viveciamos na vida partidária e
também junto à justiça eleitoral para viabilizar essas candidaturas. Vamos conversar sobre
a forma de organização das campanhas, planejamento de campanhas, a mobilização de recursos,
a comunicação, como nós podemos fazer para que a agenda feminista se mantenha em evidência
durante uma campanha eleitoral. É isso que vamos conversar. Nós mulheres participamos
de vários partidos políticos. No caso, especificamente de nós que somos do movimento felinista,
participamos muito mais dos partidos do campo de esquerda, aqueles partidos que estão vinculados
à ideia de defesa de direitos, à ideia de justiça social, à ideia de defesa do meio
da gente, essas preocupações que estão no nosso movimento precisam estar também
nos partidos aos quais a gente adele. Entretanto, o fato de várias de nós participarmos de
partidos políticos não faz com que a nossa agenda, aquilo que a gente defende, aquelas
coisas pelas quais a gente luta, estejam incorporadas nas plataformas eleitorais destes partidos.
Claro que a presença feminista dentro dos partidos de esquerda contribui para que muitos
deles defendam nossas causas, desde que estas causas não entre em choque com os objetivos
eleitorais, com os objetivos daquele partido naquele momento. Esse é um desafio que temos
enfrentado. Muitas feministas dentro dos partidos políticos têm organizado secretarias,
comissões de mulheres, defendido plataformas no interior dos encontros e congressos desses
partidos e também têm se lançado candidatas. Construir uma candidatura de mulheres é
um trabalho árduo, mas muitas apostam nessa via como forma de ampliar a nossa presença,
a presença feminina no Parlamento e no Executivo Brasileiro. A nossa situação dos partidos
não tem sido suficiente, por isso, nós lutamos pela reforma do sistema político, como discutimos
no Módulo 2. Com a reforma do sistema político, nós podemos garantir pela lei o que a gente
vem tentando garantir através da nossa movimentação social. As campanhas eleitorais são uma forma
de garantirmos não só a eleição, mas garantimos que o debate feminista esteja na sociedade.
Quando nós organizamos um grupo com várias companheiras no interior de um partido, inclusive
mobilizando também companheiras de vários movimentos sociais, especialmente do movimento
de mulheres, para lançar uma candidatura, nós estamos assumindo o desafio de colocar
a temática das mulheres em evidência. Que temáticas são essas? É claro que a gente
sabe que a defesa da liberdade sexual, a defesa da legalização do aborto, a defesa
do fim da divisão sexual do trabalho, a defesa de uma cidade com condição de vida para
todas, todos esses temas que são o dia a dia do nosso movimento, eles são muito difíceis
de se manterem em evidência durante uma campanha eleitoral. Por isso, o nosso desafio de fazer
uma campanha que ao mesmo tempo articule pessoas que estão ligadas à presença das mulheres
no interior dos partidos políticos com nós mulheres que estamos no movimento feminista
fazendo a luta na sociedade e enfrentando as reivindicações, levantando as reivindicações
frente aos governos. Essa articulação entre movimentos e mulheres dos partidos é fundamental
para que a gente tenha chance de vitórias. Esse vai ser um dos tópicos do nosso debate
nesse terceiro modo. Qual é a diferença entre uma candidatura de mulheres numa eleição
municipal, estadual nacional e uma candidatura feminista? Essa é uma pergunta que vai estimular
o nosso debate. Do nosso ponto de vista, uma candidatura feminista é aquela que sustenta
a agenda feminista, ou seja, que durante o processo eleitoral consegue manter em evidência
as nossas bandeiras, as bandeiras do nosso movimento. Essas candidaturas de mulheres,
todas nós sabemos, enfrentam inúmeras dificuldades no interior dos partidos. Mais dificuldades
enfrentam aquelas que assumem a agenda feminista. Então, o morte dessa nossa discussão vai
ser como manterem em evidência as nossas pautas, as nossas lutas feministas durante
o processo eleitoral. Esse tem que ser o motivo de nós estarmos nos candidatando. Então,
entre nós, quem vai ser candidatar tem um desafio a mais, que tem que pensar na organização
de grupo, tem que pensar em planejamento de campanha, tem que pensar na comunicação,
é como fazer uma comunicação de campanha que não seja apenas marketing, mas seja o
debate de ideias, o debate de posicionamentos políticos durante o processo eleitoral. Quem
é candidata também tem que pensar em dinheiro, como agariar fundos de uma forma legal e transparente,
com prestação de contas, com mobilização de apoiadores e apoiadoras antes e durante
o processo eleitoral. E até depois, para pagar as dívidas. Então, tudo isso será
objeto dessa nossa discussão. Nós pretendemos fazer um debate sobre candidaturas e também
trocar experiências e dar algumas dicas de possibilidades para o próximo pleito. Para
construir uma candidatura feminista, nós precisamos entender, inicialmente, que isso
não é apenas uma obra de vontade. A gente tem que ter uma análise da conjuntura para
avaliar as possibilidades reais de vitória ou se desejamos manter uma candidatura para
marcar a posição, para entrar no debate e para acumular forças para um novo pleito.
Mas nós sabemos que não basta apenas ter a crítica. Nós estamos inseridas nesse sistema,
então a gente faz a crítica, se mobiliza pela reforma do sistema político, mas também
precisa participar dos processos eleitorais. Seja na qualidade de candidatas, seja na qualidade
de apoiadoras de campanha, de mobilizadoras de recurso, de comunicadoras, buscando ganhar
o apoio da sociedade para as nossas causas, para as nossas lutas.
O último racadinho para a gente fechar esse curso. Nós vamos encerrar esse curso com
dois grandes desafios. O primeiro é pensarmos em nossas candidaturas feministas nas próximas
eleições. E o segundo é como, antes do processo eleitoral, e durante o processo eleitoral
nós seguimos tocando a nossa luta pela reforma do sistema político. Afinal de contas, a
gente faz a crítica e participa. Esse é o mote do fazer feminista que nós nos desafiamos
no nosso cotidiano do movimento.
Presidente do Sen today,
