Música
Nós somos fãs da Meta do Sul, que tem menos mulheres participando do poder.
Tudo o que tem que dizer com isso?
Porque a luta das mulheres é a luta também nossa, e principalmente nós parlamentares,
que somos de 513 deputados nesta casa, apenas 40 senhores.
Do meu tempo de deputada para cá, nós diminuímos a nossa presença.
Hoje não somos 10% na Câmara de Deputados.
Nós somos um dos maiores 50% daqueles que exercem toda.
A nossa falta de mulheres no Ministério Urbano vem reduzindo o que realmente é lamentável,
temos que protestar, temos que reclamar.
Para mim, houve uma época em que eu achava que você não podia resolver o problema das mulheres
se você não resolvesse o problema geral da sociedade.
Eu acho que as coisas estão ligadas, mas depois eu fui aprendendo
que tinha que ter nessa luta um trabalho específico da causa da mulher.
Quando eu fui candidata em 82, quando se formou, houve a primeira eleição, formou-se o PT
e eu era da Secretaria de Mulheres.
Comecei a militar no PT a partir dessa data da Constituição do Partido.
Eu fui proposta para candidata.
Eu não queria ser candidata, mas o movimento de mulheres do PT foi lá, insistiu.
Eu chorei para não ser candidata porque eu achava que não resolvia muita coisa.
E os movimentos de mulheres ficaram muito articulados e logo propondo
mulheres que fossem candidatas ao Parlamento Estadual e Federal.
Então, surgiram já muitas candidatas, só que aí houve toda uma reorganização partidária.
Naquela época, eu fazia parte do PMDB em Era da Comissão de Mulheres.
Estamos pensando nos anos 80 que são anos muito instigantes, porque eles se iniciam
ainda num período ditatorial e a metade dos anos 80 para a frente
começa todo esse movimento de abertura política.
Então, nesse tempo, o movimento feminista se afirma, se expande,
para além dos movimentos feministas propriamente ditos, se expande para os partidos políticos,
para os sindicatos, para os movimentos comunitários.
A partir de 1982, com o processo de redemocratização,
o movimento de mulheres passou a discutir bastante internamente a possibilidade
de, digamos, chegarmos ao poder, de fazermos parte do aparato estatal.
E a discussão se colocava, basicamente, no sentido de que uma parte do movimento
via que era importante que a gente tivesse um controle desse aparato estatal,
que a gente tivesse a nossa voz dentro do Estado,
porque é do Estado que partem as políticas que têm a eficiência
de transformar o cotidiano das pessoas, da população.
E havia uma outra parte do movimento que entendia que o Estado era traidor,
em que, então, era um inimigo, nós não íamos poder modificá-lo.
Então, que nós tínhamos que continuar a nossa luta fora do Estado.
Não foi fácil a feminista aceitarem se candidatar pelos partidos políticos
a virarem deputadas senadoras, invereadoras, prefeitas.
Também não foi fácil as mulheres ocuparem cargos de chefias e dirigentes
dentro do aparelho de Estado.
A coisa da mulher estava na moda, né?
Então, aí eu saí candidata, a vereadora nessa época e me elegi.
Mas, sentindo, já estava me conscientizando, inclusive,
que o próprio partido queria candidatura, sabia que era importante,
mas que já estava usando também um pouco a mobilização das mulheres para dizer,
olha, esse é um eleitorado que a gente tem que atingir,
quem sabe botar uma mulher aí.
Aí, mas eu, por outro lado, dei a contrapartida e o grupo todo.
Saímos, mas saímos com as bandeiras feministas na proposta de campanha.
O que eu fui fazer no Senado?
Eu fui trabalhar pelos interesses das mulheres que eu conhecia
da frente para trás e trás para frente, planejamento familiar,
aborto, problemas de violência.
Enfim, tudo o que dissesse em respeito à educação,
profissionalização da mulher, verba para certos ministérios
exigindo que fosse alocada a figura feminina junto com a masculina,
porque sempre eles esquecem que há mulheres e há homens.
É realmente tentar viver mais.
Se eu vou ver, sim, a gente entra na política também.
Isso é para o 86.
Eu fui contemporânea de muito dessas mulheres
que iniciaram essa luta institucional em defesa dos direitos, dos nossos direitos.
E nessa confluência terminei me transformando em vereadora logo depois.
Ainda no meu mandato de vereadora, que naquele período foi de seis anos,
nos mandatos das capitais brasileiras, nós lançamos a campanha nacional
de constituinte pra valer, tem que ter palavra de mulher.
A nova constituição brasileira tem que repetir essas simples realidades.
Somos a metade da população e a maioria votante.
Participe, constituinte pra valer, tem que ter palavras de mulher.
Conseguimos discutir, quer dizer, essa questão adjetiva da constituinte para a mulher,
conseguimos discutir isso com mulheres da OAB, com boias frias, com mulheres dentro de sindicatos,
no sentido de elaborar uma carta de direitos da mulher brasileira
que será apresentada no próximo Congresso Constituição.
Quando eu penso que nós estamos comemorando 20 anos da Constituição,
eu penso sobretudo no sucesso dessa luta das mulheres de todo o Brasil,
mulheres seja no espaço governamental do Conselho Nacional dos Direitos das Mulheres,
que eu tive essa oportunidade histórica de presidir, seja nos Conselhos Estaduais,
seja nesse movimento de mulheres com uma força extraordinária
que caracterizava, então, a sociedade civil e o cenário político da sociedade civil do Brasil.
Então, nós mulheres, nós só temos a celebrar, porque foi uma luta muito bem sucedida.
Primeiro, nós fizemos aquela campanha de explicar o que que constituição,
qual a importância de participar da constituinte, o que que é a constituinte.
O que fica com uma imagem muito forte é a grande mobilização dos movimentos de mulheres,
os fóruns de mulheres, os movimentos de mulheres de bairro,
se juntando, arrumando dinheiro, viajando nos ônibus.
Eu acho que é uma imagem inesquecível.
Foi, sem dúvida, um momento de grande agrotinação
dos diferentes movimentos de mulheres e das diferentes expressões do feminismo brasileiro.
Música
O movimento de mulheres, as feministas, se juntaram e elaboraram a Carta das Mulheres aos Constituintes.
Essa carta acabou sendo um documento de pressão junto ao Congresso Nacional.
Era uma carta que continha a revindicação de todas as mulheres brasileiras, do campo, da cidade.
Tem esse documento único nacional.
Eu acho que isso possibilitou um grande avanço, uma vitória e uma bem sucedida estratégia
que foi o que hoje todo mundo conhece e chama de Lobby do Batão.
Lobby do Batão, pra dar o nosso tom, e o Brasil inteiro saiu as mulheres
assumindo como um Lobby do Batão como uma estratégia política de intervenção na feitura da Constituição Brasileira.
Mas as mulheres, naquela época, foi o ano de 87, me lembro bem,
nesse ano de 87, primeiro semestre, praticamente o tempo todo nós ficamos colheando essas assinaturas
e foram grupos de trabalho ali dentro do Congresso Nacional.
Várias salas ali ficavam reunidas com as mulheres para escrever essa carta.
Essa carta foi lançada com a presença também de mulheres do Brasil inteiro
e isso, de uma certa forma, foi um impacto muito grande na sociedade.
Foi importante também o trabalho que a gente fazia com as mulheres no Mildinho
explicando o que era o Congresso, o que explicando o que era a Assembleia Nacional Constituinte,
apresentando que mulheres parlamentares estariam ali comprometidas com a luta das mulheres.
Isso dava um sentido de luta comum entre as mulheres que estavam fora da Constituinte
e as mulheres que estavam como parlamentares dentro da Constituinte,
um momento realmente de muita glutinação.
Eu me lembro da minha emoção, assim, profunda chegando ao Congresso Nacional.
Essa sensação quase palpável de que você estava num momento histórico,
mas de que também nós mulheres tínhamos feito história.
Nós éramos personagens, produtores de história no Brasil.
Isso era com essa certeza e com essa emoção que eu cheguei ao Congresso Nacional
para a cerimônia formal de promulgação da Constituição Federal de 1988.
Todas as feministas que se simpatizavam pela causa,
trabalharam junto a parlamentares e foi a maior vitória dita por qualquer grupo.
E uma Constituição brasileira bastante progressista
para o próprio...
Principalmente se a gente pensar essa Constituição em termos de sua relação com a cultura política.
Acho que a gente estava numa cultura política hoje até mais conservadora
do que as ideias que a Constituição brasileira fixou naquele momento.
85% a 90% das revindicações feitas pelas mulheres nos trabalhos pré-constituintes
foram incorporados pelo texto constitucional.
Estaria avanços como finalmente a igualdade entre homens e mulheres,
a visibilidade ao tema da violência contra a mulher,
a proteção da mulher no mercado de trabalho por incentivos específicos
e outros temas importantes que a Constituição de 1988 acabou por captar e por estelhar.
E nós mulheres demos um show na Constituição.
A gente prova agora com 20 anos da Constituição que das 26 mulheres que estavam na Constituinte,
23 vinha dessas oligarquias, mas nem assim a gente deixou de fazer o lobby do batom.
Então está provado que é mais fácil trabalhar com mulheres.
A Constituição brasileira saiu com tanta força,
porque ela foi resultado de anos de lutas anteriores,
onde o movimento feminista, o movimento de mulheres, estava muito forte.
E o resultado foi eleger a maior bancada feminista da bancada de mulheres parlamentares,
nem todas eram feministas, mas se comprometer em defender a bandeira das mulheres,
assim como muitos parlamentares homens também.
Nós éramos 26 mulheres no meio de 500 e tantos homens,
e quando nós chegamos lá houve aquele estranhamento por parte dos companheiros homens.
O que essas mulheres vieram fazer aqui?
Nós exercemos o nosso mandato de uma forma tão profícua
que quando acabou a Constituinte, que nós passamos então a exercer mais 2 anos
de um mandato legislativo normal, enquanto deputadas federais,
os homens diziam assim, qualquer coisa que tinha que ser aprovada no plenário,
eles disseram, vamos consultar a bancada do batom.
Comecei a conhecer a bancada antes de ser deputada federal.
Eu era vereadora e sindicalista lá no Acre, já ouvia falar na bancada do batom
que ficou conhecida na Constituinte, e para mim foi muito apaixonante,
já eu conheci esse nome e eu tinha muita vontade de chegar aqui
e participar do dia a dia da bancada feminina.
Então acho que é um dos bons momentos do Congresso,
é a gente reunir a bancada, discutir as questões das mulheres,
discutir as questões do Brasil.
A bancada feminina tem o maior interesse em interagir com esse movimento
ouvindo a pauta que você diz sobre o Brasil,
porque acredito que hoje a pauta vai ser determinada pelas colocações que você já não fazia.
Eu vou dar uma pa, onde converte o Brasil, aquela coisa não é a pauta,
já ali, ali que eu estou, que o próprio Brasil escolhece essa região, esse estado.
São mulheres, mães de famílias, profissionais liberais, ativistas políticas, sindicalistas,
enfim, são mulheres de vários matices, que representam vários matices da sociedade brasileira.
As mulheres deputadas compreendem que é necessário fazer uma unidade
e é dessa consciência que nasce a organização da própria bancada.
E todas as integrantes da bancada feminina são feministas, mas isso não importa.
O importante é que há um espaço onde as mulheres unitariamente discutem pautas
que dizem respeito ao interesse das mulheres.
A bancada feminina na Congresso Nacional tem sido uma importante interlocutora,
ela tem promovido um dialogo com o movimento de mulheres da mesma forma,
aqui no movimento de mulheres e a rede feminista de saúde.
É um olhar crítico a essa bancada, mas ao mesmo tempo propositivo
para que as mulheres brasileiras sejam beneficiadas com a existência de um espaço de poder
ocupado por poucas mulheres, no entanto, mulheres que fazem a diferença dentro da Congresso.
Vinte anos atrás a gente lutava nesse país e a gente,
eu estou falando do movimento feminista, por tudo, pela constituinte, pelo SUS, pelo CNDM
e tudo isso começou a funcionar.
Eu acho que a bancada não tem acompanhado a agenda política das mulheres brasileiras
de uma maneira que tenha, acho, me satisfeito como feminista
e satisfeito ao próprio movimento feminista.
A gente conseguiu juntar, grupar-nos, assim, as bancadas femininas no Senado,
as companheiras deputadas na Câmara
e a gente juntava essas discussões, Câmara e Senado, como o Senado era um só seis,
nos primeiros quatro anos, a gente conseguia juntar e eu fui participando,
fui me animando, vendo que com a força das organizações de mulheres
a gente podia fazer a coisa acontecer com um pouco mais de rapidez e de profundidade.
A bancada feminina existe e claramente a casa tem dificuldades de se opor
a algumas certificações sustas.
Bom, eu vou passar a palavra agora para a Carmen.
Nós estamos aqui desde ontem, em Brasília, com uma comissão representativa
de todos os estados brasileiros para dar contividade à pauta
que nós apresentamos naquela marcha que aconteceu uma ano atrás.
Na marcha em 2007 nós apresentamos a pauta e algumas questões já e dormiram.
Existe movimento social organizado, existe toda a sociedade mobilizada
e vigilante acompanhando isso, é muito importante e só isso
é que de fato vai fazer avançar projetos na perspectiva dos direitos das mulheres
que há um risco muito grande de muitos retrocessos em todas as áreas
em relação aos direitos das mulheres.
O exemplo da Constituição de 88 ainda se mantém um pouco vivido, eu diria isso.
Quem tem mais ou menos vivido esses tempos manteve-se essa relação
que independe do partido, mesmo dos partidos mais conservadores
ou dos partidos mais progressistas, a gente tem conseguido ter uma aliança
com a representação nossa no Parlamento Nacional.
Eu creio que o nosso mandato tem servido a luta das mulheres
assim como a luta e a organização dos movimentos feministas
tem orientado a nossa ação como parlamentares.
Mulheres na política, mulheres no poder, acham-se de fazer um novo acontecer.
Conseguimos garantir que as mulheres tivessem título de terra
no artigo 184, que isso é uma grande evolução para as mulheres, especialmente do campo.
E a questão da saúde, que é o planejamento familiar, é um direito privado do casal.
O capítulo relativo à família aí realmente foi fundamental
eliminar essa figura de chefe da sociedade conjugal que cabia o homem
e que marcava claramente a desigualdade de direitos de homens e mulheres no âmbito da família.
A licença a maternidade de 120 dias, a licença a paternidade de 8 dias,
e nós como estamos cinco, o direito a crédito para a criança de 0 a 6 anos.
Que nós não conseguimos, foi uma das reivindicações que nós não conseguimos
que tivesse explicitamente dentro do texto funcional a proibição da discriminação
por orientação sexual.
Eu penso que avançamos no combate à discriminação, avançamos no combate à violência,
avançamos na promoção da igualdade, eu estaria a lei das cotas, que começou em 95 a lei 96,
e depois outras formulações, mas ainda me parece que o grande nó,
o maior desafio talvez seja no campo de direitos sexuais e reprodutivos.
Nós sabemos o quanto a ilegalidade do aborto, por exemplo, o coloca na clandestinidade,
o quanto essa clandestinidade faz o aborto inseguro e o quanto isso mata seletivamente as mulheres mais pobres.
Eu acho que esse negócio de ter filho é muito pessoal, é um direito humano das pessoas.
Os pessoas têm que se expor contra a favora de criminalização,
não o aborto como o método contraceptivo, a nossa luta para redução do número de abortos,
a nossa luta para que exista planejamento familiar,
a nossa luta para que as mulheres possam não ter, mas ter os filhos que desejam ter,
o Estado garantindo o tratamento da fertilidade dessas mulheres.
Outra questão importante que deve ser dita, que permanece,
que continua entre esses 20 anos, é em relação às trabalhadoras, às certas categorias profissionais.
Por exemplo, as empregadas domésticas, que nunca tiveram os direitos na sua globalidade,
não tem as outras categorias só às profissionais trabalhadores, não é?
Precisamos discutir alguns direitos que a Constituição Brasileira não garantiu.
Por exemplo, a Constituição Brasileira garante que todos os trabalhadores e trabalhadoras
tenham o FGTS, menos as empregadas domésticas.
Esse caso é emblemático dos aspectos contraditórios da nossa cultura política,
uma Constituição chamada de cidadã e que, ao mesmo tempo, coloca como cidadã de segunda categoria
uma categoria de trabalhadoras no Brasil, que é uma das maiores categorias de trabalhadoras das mulheres,
que é a trabalhadora doméstica.
Nós precisamos reconhecer e começar cada vez mais construir políticas públicas,
equipamento para libertar as mulheres da escravidão doméstica que fomos sumitidas
e dito que as mulheres não gostam de fazer política, não gostam de fazer outros afazeres
porque, culturalmente, foi feito isso e o Estado se negou a reconhecer e fazer esse debate.
Diferentemente de várias questões que a gente não precisa avançar,
o tema do enfrentamento à violência contra as mulheres é um exemplo positivo.
A gente conseguiu, graças à mobilização dos movimentos de mulheres,
o diálogo com o legislativo e com o executivo, ter a Lei Maria da Penha.
A violência contra a mulher, seu é o mundo que a gente tem.
Eu militei na primeira organização de mulheres em Pernambuco, isso em 45.
De lá para cá, imagina quantos anos se passaram e quantas coisas a gente já fez, né?
É uma vida de país que é o consumo melhor que São Paulo.
Música
Nós temos que ter a nossa representação.
Daí, a minha força muito grande, quando fiz e me envenhei pela lei das costas,
houve a legislação de garantia de cotas de mulheres candidatas, 30%,
que não explicita mulheres candidatas, explicita 30% no mínimo para cada sexo.
Então, o que acontece é uns focos, ou se não o único item da legislação eleitoral,
se não o respeitado não tem penalidade.
O partido que não completa a cota mínima para um sexo, no caso sempre as mulheres,
ele não é penalizado, não é seu registro, o registro da sua chapa não é negado.
É importante que a gente, ainda que essa lei de cotas que temos hoje,
não tenha produzido o impacto efeito desejado, ela foi importante para aumentar um pouquinho
a massacrediça e criar na sociedade, pelo menos a discussão de que há que ter mulheres
no Parlamento dos Espaços de Poder.
Nós queremos uma separação de 50 mil homens por pouquinho mais de mulheres.
Quer dizer, porque a mulher é maioria da população.
Nós queremos uma equiparação de mulheres aos homens.
Não é que elas estão participando, olha, a gente não está entendendo nada,
nem tanta senadora, nem tão poucas.
É 10% que o imóvel.
Os homens não tem coragem mais de dizer para eles, olha, vou embora, vou para casa,
vouzinho para mim, vai cuidar da tua vida, vai em casado, a gente não fala nada assim.
Mas desemporna a mulher é uma perdiante ministra, apesar de ser um pé.
Apesar de ser mulher, vocês sabem disso, não é verdade?
Quanto nos anos 80, a gente tem essa reserva de ambos os lados do feminismo
com relação aos partidos políticos e dos partidos políticos com relação ao feminismo,
nós podemos dizer que na atualidade, nesse novo século,
os partidos estão convivendo muito melhor com os movimentos de mulheres
e o movimento feminista, por sua vez, está se dialogando com essas diversas perspectivas
políticas ideológicas e podendo conviver com mais simpatia e tranquilidade.
O lugar de mulher é na política.
A mulher é pobre. Vamos participar da política se a mulher não consegue financiar uma campanha.
Então isso é uma das questões dramáticas.
A política é a questão mais difícil que a gente enfrenta na sociedade,
porque quem faz política tem que fazer 24 horas por dia,
a mulher não tem 24 horas por dia para dedicar a uma tarefa.
Depois eu fui professora universitária, fui militante sindical
e fui parlamentar por 8 anos.
E eu não pude nenhum desses espaços, nenhum desses momentos
deixar de fazer os trabalhos domésticos, de cuidar dos filhos.
Você pode falar em igualdade de oportunidade no mercado de trabalho
se as mulheres não têm crédito para deixar seus filhos,
porque hoje os homens não dividem os afazeres com a família, com os doentes,
com os idosos, com as mulheres. Então o Estado tem que criar esse tipo de aparelho
para, e isso é a política, para as mulheres poder ter a igualdade de vida.
Todas nós precisamos de alguma outra mulher para exercermos a nossa vida.
Então isso é o nosso trabalho profissional.
Nós olhamos uma fotografia desde o Congresso e é um Congresso macho e branco.
Esta não é a expressão da vida e do povo em nosso país.
A importância também nesse processo é exatamente que ela é o retrato
do que são as mulheres negras brasileiras.
Mulher negra, pobre, favelada, e que chega até, ela sai do morro,
passa como vereadora e chega a deputada federal constituinte.
E isso é um momento muito importante para o movimento de mulheres negras.
O que cabe a nós todas agora, dentro desse processo,
é não apenas valorizar as mulheres no legislativo,
as mulheres que já ocuparam ou ocupam espaços no executivo,
mas do que isso, fazer com que a sociedade nos respeite naquilo que nós exigimos respeito.
E nisso não tem dúvida.
Nós exigimos respeito porque somos mulheres, que temos ideias,
que temos compromisso político porque defendemos propostas,
consideramos avançadas para o futuro porque nós coordenamos e lideramos
os movimentos sociais e porque nós temos representatividade.
E é desse jeito que nós precisamos ser vistas na hora de votar e na hora de sermos votadas.
Os partidos políticos não estão assumindo para valer o empoderamento das mulheres
e o financiamento das próprias campanhas das mulheres.
Então muitas mulheres hoje se recusam a ser candidatas
porque elas percebem que não vão ter o apoio e simplesmente vão sair candidatas para cumprir a cor.
O partido precisa envolver as pessoas cotidianamente, formar pessoas
politicamente para que a gente tenha possibilidade de mudança.
Porque também nós mulheres não fomos educadas, formadas,
orientadas até gosto pelo poder.
A entender que o poder é condição indispensável para avançarmos na conquista dos nossos direitos.
Não basta reconhecer a cota porque é um direito e uma conquista legal.
É preciso que os partidos tratem as candidatas e mulheres de forma diversa.
O que uma mulher vai fazer lá no meio de política que é coisa só para homem,
para criar aspas culturalmente tido e visto.
Isso foi invertendo. Meu primeiro mandato lá,
os dados davam de que eu tive uns 30% mais ou menos de votos de mulheres.
O segundo já foi com uns 35%.
No terceiro já foi com uns 40%.
E para o senado eu acredito que já beirou os 50%.
E hoje eu acredito que já tem bem mais do que isso.
E eu tenho hoje feito todo esse trabalho no sentido de estimular,
acompanhar as mulheres a entrar na política.
Não basta ser mulher, claro.
O movimento de mulheres, ele tem ao longo dos anos,
contribuído muito para formar mais e mais mulheres,
de despertar nessas mulheres o interesse pela política.
Mulher voltei mulher! Mulher voltei mulher! Mulher voltei mulher!
Parece que a presença das mulheres no espaço público
é fundamental para que o ponto de vista das mulheres,
a situação das mulheres seja mais divulgada,
seja mais levada em conta nas diferentes legislações,
nas diferentes propostas.
É importantíssimo que essas mulheres que chegaram ao poder,
através do voto, através da mobilização,
muitas vezes do próprio movimento de mulheres,
têm um olhar voltado para todas as mulheres.
Nós temos que pensar as mulheres de todas as classes,
de todos os credos, de todas as raças,
para promover uma real democracia nesse país.
Que não é possível hoje produzir transformações profundas
sem que haja essa parceria entre o legislativo,
e em especial a bancada feminina e o movimento feminista.
Acho que tem que haver dois movimentos.
Um é das mulheres pressionarem o Parlamento.
E outra coisa é o Parlamento.
E as parlamentares convidarem as mulheres
para juntas podermos transformar essa legislação
que não dá as garantias básicas da vida da mulher.
E acho que muita conquista foi alcançada.
Agora não tenho dúvida.
Quando você chega aqui, que está no dia a dia do trabalho
do Congresso Nacional, você sente a dureza.
Às vezes é uma discriminação silenciosa.
Por exemplo, na vaga na mesa.
Mais de 180 anos, nunca uma deputada
ocultou o cargo efetivo na mesa da deputada
que é o sempre do poder aqui na campanha deputada.
É só um lembrete do quanto ainda muito
a se lutar para conquistar o nosso espaço.
Todos os espaços de decisão dentro dessa casa,
na sua imensa maioria, sempre está representado por homens.
Nós mulheres acabamos ficando sempre
numa postura meio que subalterda, de segundo plano
e que não tem um poder maior na decisão efetiva da casa.
E isso se reflete nas comissões,
se reflete nas relações entre os parlamentares.
Me tratavam com um respeito extraordinário.
Mas o respeito tem dois lados.
Um lado é que eles se levantavam, me cumprimentavam,
davam a mão e mudavam o assunto.
Então eu nunca consegui entrar no Clube do Bolinha.
Claro que eu não estou dizendo que eram todos assim absolutamente,
mas tinha uma forte ala que era machista.
O quanto é difícil para uma mulher
chegar a representar a nação brasileira
e ocupar uma bancada aqui neste plenário.
E acho que o reconhecimento do nosso papel político na sociedade
ele ainda está muito lento, muito lento.
Se nós pegamos a história internacional e mesmo a história do Brasil
e particularmente a história mais recente do Brasil,
nós vamos ver o que significou a participação feminina
em todas as lutas sociais, as lutas de liberdade,
as lutas de resistência contra a ditadura,
o Comitê Brasileiro pela Anistia,
os movimentos associativos comunitários.
Mas não é pegar na caneta e ter o mesmo poder
de influenciar as decisões,
a gente precisa caminhar muito para conquistar.
Têm que valorizar esclavando-nos.
Senão a gente pensa que não se avançou nada,
se avançou muito frente à desincondade de forças
que existe na sociedade.
E as lutas pela conquista de direitos
não podem parar num patamar
onde a gente acha que a especificidade está exclicitada.
Ou seja, entrou na mídia, entrou na fala cotidiana dos políticos,
agora como é que isso se manifesta na prática?
No cotidiano do direito ao trabalho,
do direito à saúde, do direito à educação,
e principalmente do direito à participação política,
da qual dependem a mudança de leis,
de costumes e de políticas públicas.
Eu acho que esse ainda continua o nosso nó.
Mas é na política que se exerce a cidadania,
é na política que se organiza a sociedade,
é na política que eu conquisto direitos,
então eu preciso participar.
Um, dois, três, lugar de mulher é na política.
Nós queremos transformar as poderes,
e que vivemos em qualquer espaço de poder,
terá espaços de representação,
então queremos estar em lugar nos espaços de representação,
mas isso tem que estar vinculado a uma transformação
que a gente considera poder,
e que a gente reconhece como poder,
no sentido de construção e de garantia do bem-estar
da unidade do nosso bem-estar.
O Congresso Nacional, de 20 anos atrás,
da época da Constituinte,
apostou um diálogo com os movimentos sociais
na construção coletiva de um projeto de nação brasileira,
e isso foi muito importante para os movimentos de mulheres.
Hoje nós queremos dar segmento
esse processo de construção coletiva,
e para isso o Congresso tem que dar mais abertura
para essa participação e o diálogo,
para que juntos possamos construir uma sociedade
e a sociedade que nós mulheres queremos.
Esses mulheres, quando lutam, conseguem,
quando lutam juntas coesas, elas conseguem,
e eu acho que está na hora desse consenso
dentro da diversidade.
Então vamos construir esse movimento,
vamos dar força para ele,
vamos conseguir nessa batalha,
porque é por ali que tem as nações,
que tem a possibilidade de transformar esse poder
no problema de justiça, de igualdade,
de solidariedade das mulheres,
entre as mulheres e com toda a oportunidade.
