Tá picante? Tá picante? É igual a pimenta, mano?
Não.
Leza aí!
Tua habitante de Curouvermelha, aonde começou o Brasil.
Estamos aqui na entrada da Reserva da Jaqueira, que é uma reserva nacional.
Vamos visitar agora a família de índios que vive lá.
Lisbon.
Na Yara damages de Wyannet.
Nós somos três irmãs.
A família é Srilowes, filo e três mulheres.
E nós três, nós três tínhamos a ideia de vir com apoio dos homens, desses jovens, né?
Em 98 aqui, nós éramos 15 pessoas, não é?
Então, a nossa pintura, né, como estava dizendo, né, que nós utilizamos ela no dia-a-dia para estar nos, né,
mostrando para as pessoas, né, que são casados ou solteiros, né?
A nossa aqui, como estava explicando aqui, nós somos solteiros, né, botamos bastante detalhes, né,
para mostrar para atrair um anjocando, né, que é a mulher, né, para a mulher se atrair,
fazer um poste, que ela está bonita com a pintura bonita, então utilizamos a pintura, né, essa pintura.
Diferendo da, do casado, que eu te disse, dois traços, né, nesse rosto, um sim ou outro embaixo,
com uma cor no meio, né, que significa união, os dois traços, né, que significa casado.
Eu acho que hoje eu sou uma pessoa que eu sou devido dos meus pais, né, tanto a derna quanto a minha mãe,
uma pessoa que batalhou muito, sempre foi uma pessoa humilde, né, então eu acho que eu cresci com isso, né,
tendo esse conhecimento deles, a visão que eles tinham de educar seus filhos,
de as vezes eu comentei uma coisa errada e jamais ele quer chegar ao ponto de querer me agredir e me bater,
então isso eu acho que na nossa cultura não existe.
Em vez de agredir, a senta no canto, começa a falar, né, que as coisas que a gente está fazendo não é por esse caminho,
então a gente acaba desenhando dessas coisas ruim e conhecendo outras coisas melhores.
Hoje, né, o nosso objetivo maior é estar mantendo tudo isso para nossas gerações futuras.
Cada povo ele tem a sua cultura, né, então assim como nós ensinamos para o nosso jovem,
a importância da gente preservar a nossa cultura também, contamos a nossa história e também ensinamos
para as pessoas que não conhecem a nossa realidade.
E assim, com certeza, o nosso povo vai melhorar cada vez mais e a gente vai, né, assim,
ter mais segurança, né, e a nossa cultura ela vai estar sempre mais mesmo valorizada.
Meu nome é Aderno, sou da etnia da Udea Coro Vermelho e Patachó, né,
e hoje eu trabalho aqui na Reserva de Ajaqueira há 12 anos,
é um trabalho que eu tenho em fazenda de Reservação Ambiental e Afinimação Cultural.
Para mim, acho que a Reserva de Ajaqueira, para nós, hoje, é tudo, né.
Esse é o Aço de Forca, um tipo de armadilho que eu uso para pegar pássaros.
Dentro da floresta, a gente tem variedade de pássaros até as espécies maiores,
eu pego nesse tipo de armadilho aqui, né, um tururim, chorourão, macuco, jacotemba.
Já vem de geração para geração, meu pai, ele era,
ele fazia muito esse tipo de armadilho para capturar caça para a gente se alimentar,
mas não é pra virar da caça.
Você já viu o som que essa folha dá?
Não.
Ela é usada como um meio de se comunicar dentro da floresta.
Como é que é?
No caso, a gente tomou aqui no meio da floresta.
Quem matasse primeiro um animal, aí tirava uma folha dessa, pegava um tronco de madeira,
ia entrar em contato com os outros para chamar os outros,
para ir embora que já tinha matado um animal.
O que é que eu fazia?
Eu fiz um programa dele e batia aqui.
Dentro da floresta esse som atingiu mais ou menos 3 quilômetros dentro da floresta.
Aonde eu tiver aqui que eu estou batendo,
quem está com 3 quilômetros aqui na frente vai usufutar.
Nós temos nosso código no momento de chamar alguém,
a gente batia três vezes e dava uma parada.
Quer assinar o que está achando que estava embora.
Ou se tivesse algum acidente alguma coisa?
Denda aldeia também na época que a vez saía todos os homens para a floresta,
caçar, trabalhar, só ficava jocando as mulheres.
De repente parecia um homem não índio dentro da aldeia, um homem estranho,
qualquer coisa estranha que parecia esse denda aldeia.
A jocana saía e batia uma folha dessa chamando.
Fitar todo mundo de volta.
Para sinalizar que tinha algum perigo dentro da aldeia.
Sempre a gente aqui, a gente reúne com os jovens,
com os filhos, o sobrinho, a reunir nós três, o teu aderno.
Os outros mais velhos, a taquara.
E a gente sempre está conversando com eles.
O que é certo, o que eles têm que fazer e o que é errado.
Converso duas vezes.
Aí se ele começar no erro de novo,
aí nós chamamos ele de novo, conversa.
Aí o castigo dele, a gente vai todo mundo junto.
Vamos ver o que ele vai fazer aqui na reserva.
Então a gente coloca, dá um castigo para eles.
Por exemplo, a gente põe eles para poder fazer a fiscalização na mata,
que são 827 hectares.
Então eles têm que andar toda a volta da reserva,
fiscalizando para ver se tem alguém caçando,
alguém tirando madeira.
Fiquei isso aí mesmo?
A mesa.
Usado para?
A gente usa para fazer um estimador.
Ela é boa para dor de cabeça e no zite.
O merro é usado também muito pelo cojeco,
quando ele faz o ritual sagrado.
Minha mãe é uma pessoa muito importante mesmo.
Ela é a nossa esteia.
Nem todo mundo é igual.
Cada um é diferente e tem sua maneira de agir.
E nós temos que aprender a respeitar essa diferença.
Minha família morava tudo em base.
Era meu bisavô, bisavó, meu avô, avô, tia, tia.
Tudo era feito em base.
Depois que meu marido morreu, porque nós mordemos para aqui.
Ela nos ensina isso dia a dia.
Ela cuidou da gente pequena, meu pai foi assassinado.
E com a luta muito grande para ela,
ela sofreu muito pela perca do meu pai.
E por isso que nós viemos para cá.
Porque a gente faz, a gente pega, bota a gente lá dentro do quarto,
deixa a gente lá para lá.
E a gente faz aquela hora e tira isso de novo.
A gente não vê batendo, nem nada.
A gente dá conselho e bota a dar num quarto e deixa para lá.
Eu passar uma hora, hora e meia e aí tira isso de novo.
Ela lutou tanto para nos dar essa educação
e nos preparar para que nós fossemos
essas lideranças que nós somos hoje.
Tudo isso foi a nossa mãe que nos ensinou.
Primeiro eu acho que o respeito, né?
Vai ter isso, porque a gente é uma pessoa com unidade
que a gente respeita desde criança aos velhos, né?
E eu acho que se a gente está aqui pronto para passar para essa juventude,
assim, dia e noite e a tendência nossa
é que a gente tem de melhor passar para ele.
O que é que é que é?
O que é que é?
O que é que é?
O que é que é?
O que é que é?
O que é que é?
O que é que é?
O que é que é?
Quando as coisas fundamentais em um ser humano
é a humildade e a simplicidade, né?
Lá no espaço da reserva da jaqueira serão bem tratadas,
mas a gente espera que eles tenham uma mudança na sua vida
enquanto ser humano, né?
Que é valorizar o próximo que estamos aqui,
não vivendo em torno de nós mesmos, mas em uma sociedade
que a gente deve estar colaborando entre si
para ser forte e ter uma vida melhor.
O que é que é?
O que é que é?
O que é que é?
O que é que é?
O que é que é?
