O que é a música brasileira?
O que se encarava com o ser brasileiro é diferente em cada período.
Houve um tempo em que ser português era ser brasileiro.
Houve um tempo em que não ser português era ser brasileiro.
Vamos dizer que é a prática orquestral, que nós somos herdeiros. A gente reconhece muito essa herança, oitocintista do Barroco, que a gente chama Barroco Mineiro.
O Barroco Mineiro era muito dirigido de certa forma, ou que sobrou dessa prática da música religiosa mesmo.
Música brasileira, em determinado período, foi a música europeia.
Isso era verdadeira música brasileira, era a que podia levar o Brasil a fazer parte do Concerto das Nações.
Aí você tem a lixão dele vivo, você tem o Henrique Alves Miscito, você tem Francisco Manuel da Silva, é Médico Lobo, Carlos Gomes.
Talvez o mais brasileiro de todos e, ao mesmo tempo, o mais internacional de todos desse período.
Música brasileira
Então, esse era uma nação brasileira, mas que é seu olhar ser brasileira para fazer parte desse conjunto internacional.
Embora, também, atenta nossas particularidades, dialogando com as pessoas macrizes, culturais, mas dentro de um olhar de uma nação que se pretendia europeia.
Música
O Dom João VI, ele tinha a segunda maior biblioteca de música do mundo.
Ele só perdi para o rei da Áustria.
Quando ele veio, também, trouxe um compositor, que é o Marcos Portugal, que era um dos compositores mais conhecidos na Europa.
Música
Mas depois, principalmente a partir de 1868, quando tem a guerra com o Paraguai, que aí acaba a subvenção oficial,
surgem vários teatros que vão começar a ter vida própria.
Ou seja, eles vão produzir um repertório para que atraia o público e que garanta a própria sobrevivência.
E aí que a gente vai ver a música popular entrar pela primeira vez numa forma do teatro musical.
É numa forma que a gente chama mágica, que era um tipo de opereta que foi muito forte aqui no Brasil.
E que tem na figura do Henrique Alves de Mesquita o centro, outra vez o seu representante mais importante.
Música
Aí depois você tem como advento da República uma procura de uma música nacional, de uma música brasileira.
Então você vai ter uma elite que assume o poder, a gente chama a República Musical,
que é liderada pelo Leopoldo Miguel, que foi diretor do Instituto Nacional de Música.
Mas ele ainda carrega que a música brasileira devia ter o Beethoven como origem e o Wagner como final de guerra.
Música
E aí depois da República você vai ter também uma outra busca ainda que é nacional amisto do Alberto Netoluceno,
de outros compositores também, que vão começar a utilizar o material folclórico.
O Alexandre Levy vai fazer o samba, o Alberto Netoluceno vai fazer a suíte brasileira,
que usa várias formas da nossa música.
Música
Tem um artigo muito interessante que ele fala assim, como o Viro Alves se tornou brasileiro em Paris.
E quando ele foi na primeira viagem dele e que ele teve encontro com o Diag Levy, que era o diretor do ballet russo,
o Viro Alves teve a oportunidade de mostrar a obra dele.
E o Diag Levy falou assim, mas que isso? Isso é música europeia. Cadê o Brasil? Cadê a floresta?
E aí que o Viro Alves teria voltado, então, e aí começaram a trilhar esse caminho realmente conhecido mesmo.
Se você pegar a obra dele, você vai ver que os grandes fundes e a grande busca dele pelo nacional
começam exatamente depois dessa viagem à Europa, no 50, com o Diag Levy.
Música
Acho que o Diag Levy é um genio. Eu fiz muito além do que talvez o próprio Diag Levy imaginasse.
Música
Tem uma descrição que eu acho maravilhosa, que ela dizia assim, o modernismo não conseguiu abrir mão da moldura.
Então você podia ter tudo dentro do quadro, mas aquele quadro estava dentro daquela moldura, estava dentro daquela forma.
E a música também. Podia ter tudo. Podia ter os sons mais esquisitos, as experiências mais loucas, mas ela estava dentro da forma.
Dentro daquela moldura que a gente reconhecia. O pós-modernismo é exatamente quando a moldura não suporta mais aquela arte.
Ela se expande para além das molduras, ou não existe mais o limite da moldura.
Música
Dentro da tonalidade, fora da tonalidade, da senial ou não-senial, ou o que seja, ela não é mais.
Ela não tem necessidade da forma. Então nesse sentido eu acho isso maravilhoso.
Você pode experienciar, para além da sua até da sua sensação física, do seu espaço, dos sons que você conhece.
Do diário com o eletrônico, as novas formas, com as novas maneiras.
Tudo é possibilidade, tudo é arte. Isso é incrível.
Música
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