Um homem caucasiano de 81 anos, com antecedentes de doença hepática alcoólica, apresentou-se de forma aguda no nosso departamento de emergência, com uma hérnia umbilical eritematosa e uma descarga clara e amarela do umbigo. O exame clínico mostrou sinais de doença hepática descompensada, incluindo asterixis, nevos de aranha, um abdômen distendido com opacidade móvel, vibração de fluido e uma hérnia umbilical eritematosa. Ao forçar para defecar, após a avaliação clínica inicial, o nosso paciente notou um jorro de fluido e evisceração do omento a partir da hérnia umbilical. Foi realizada uma laparotomia urgente, utilizando solução de povidona-iodina para preparação da pele através de uma incisão na linha média, com excisão do umbigo e do omento desvitalizado. De salientar, que houve evidência de recanalização da veia umbilical. Foi realizado um exame completo das vísceras abdominais, e amostras de fluido ascítico foram enviadas para análise citológica, bioquímica e microbiológica. O fígado foi observado como sendo nodular, encolhido e esclerótico com exsudado fibrinoso generalizado a revestir a cavidade coelomica. A sua alfa-fetoproteína pós-operativa foi de 798 IU/mL. As bordas fasciais abdominais foram re-apossadas com suturas de polipropileno 1/0 interrompidas, com clipes para a pele. O gradiente de albumina sérica-ascite do fluido ascítico foi >1.1 g/dL, e mostrou um nível aumentado de proteína ascítica (>2.5 g/dl). A citologia foi negativa para células malignas.