Uma menina de 21 meses de idade foi trazida pela mãe para o departamento de emergência do hospital. A mãe relatou que, ao acordar, aproximadamente 90 minutos antes de ao chegar ao hospital, encontrou o bebê ao seu lado na cama, carregando uma recipiente de soda cáustica. A criança teria tido acesso ao recipiente enquanto o A mãe estava dormindo. A mãe então percebeu que a substância estava presente em sua região vulvar da filha, e relatou ter lavado completamente com água e depois procurou cuidados médicos. Após o exame clínico, a criança estava em bom estado geral e ativa. Ela apresentou uma lesão de queimadura que afetou a região vulvar e o períneo, com uma área necrótica de aproximadamente 2 cm de diâmetro, uma queimadura bilateral de segundo grau de aproximadamente 0.5 cm de diâmetro, e hiperemia na área circundante (e). A região foi limpa com solução salina a 0.9% e hidratada com uma óleo dermatológico, de acordo com as diretrizes do Centro de Intoxicações do Rio de Janeiro. Os serviços de cirurgia pediátrica e ginecologia foram consultados, e o caso foi encaminhado serviço social devido a suspeita de abuso sexual. O assistente social que avaliou a a paciente e a sua família fazem parte de uma equipa multidisciplinar - que também inclui pediatras, psicólogos e enfermeiros - que prestam assistência às famílias experiência de situações de violência. O caso foi analisado pela equipa pouco tempo depois da O paciente foi internado no departamento de emergência. A criança permaneceu hospitalizada. No dia seguinte, a mãe disse ao ginecologista que geralmente usava talco poeira ao trocar as fraldas da filha, e acreditou que a criança havia confundido usou soda cáustica em sua vulva, pensando que era talco. O exame mostrou leve melhoria da lesão genital, ausência de sangramento ativo e um hímen intacto. Durante o exame físico, a criança imitou os gestos feitos pela equipa, corroborando a mãe relatou que a menina costumava imitar gestos. O serviço de ginecologia concluiu que as lesões eram consistentes com o relato da mãe e com a queimadura causada por soda cáustica. Numa reunião com o serviço social, no mesmo dia, a mãe relatou que o a substância que causou a lesão foi um produto de limpeza usado para desentupir pias. O produto era guardada na cozinha, no chão, atrás do fogão, para que a criança não pudesse A família era do estado de Ceará e morava no Rio de Janeiro por alguns meses. A mãe tinha 19 anos e trabalhava como garçonete à noite. A O pai tinha 20 anos e trabalhava como assistente de cozinha de manhã. Ambos os pais tomou conta da criança durante o dia, com a ajuda ocasional de outros membros da família. A criança não frequentou a creche. O relatório materno e o exame físico não conseguiram confirmar a equipa multidisciplinar suspeita de abuso sexual. Como resultado, o caso foi considerado um acidente, e não foi notificado ao Conselho Tutelar. O paciente foi dispensado após quatro dias de hospitalização. Durante o tratamento ambulatorial depois disso, a equipa considerou apropriado saber mais sobre as circunstâncias de o acidente para avaliar a possibilidade de negligência da supervisão. A mãe confirmou os mesmos factos relatados anteriormente, acrescentando que, antes de lavar a região, ela tentou remover o produto da vulva da criança esfregando-o com a mão para "limpar" isso. Ela se sentiu culpada porque descobriu, no hospital, que essa ação pode ter contribuído para agravar a queimadura. O contacto subsequente com a família após a alta não sugeriu negligência de cuidados.